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Análise

CD The Light Meets The Dark
(Tenth Avenue North)

Rafael Ramos em 06/09/2010
Para o Super Gospel
The Light Meets The Dark

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Faixas:
1. Healing Begins
2. Strong Enough To Save
3. You Are More
4. The Truth Is Who You Are
5. All The Pretty Things
6. Any Other Way
7. On And On
8. Hearts Safe (A Better Way)
9. House Of Mirrors
10. Empty My Hands
11. Oh My Dear
Considerado a menina dos olhos do selo gospel da Sony Music, o cd The light meets the dark da banda Tenth Avenue North – formada por Mike Donehey, Jeff Owen e Jason Jamison – pode ser considerado item obrigatório para os apreciadores de música gospel internacional de qualidade.

Além dos belos arranjos, o álbum produzido por Jason Ingram, Rusty Varenkamp e Phillip Larue traz 11 canções com letras profundas que nos levam a refletir sobre nossas vidas. Um dos temas presentes em boa parte do repertório é o sacrifício vicário de Cristo e o encarte explorou bem o título do CD – A luz encontra a escuridão – com fotos feitas por Jeremy Cowart coberta por efeitos que passam bem a ideia do disco que usou as cores azul e branco em todo o projeto gráfico idealizado por Beth Lee e Tim Parker.

Abrindo o repertório, Healing begins (Cura começa – Mike Donehey / Jason Ingram / Jeff Owen) inicia com o violão de Mike e ganha mais peso na bateria a partir da segunda estrofe. É desta canção que nasceu o nome do álbum que tem uma letra marcante que fala das vezes em que nos isolamos por causa do medo, mas que a graça de Deus está pronta a nos tornar livres – “Faíscas voarão como a graça que colide / Com a escuridão dentro de nós / Então, por favor, não briguem com essa luz que vem / Deixe este sangue nos cobrir / Seu sangue pode nos cobrir”.

Strong enough to save (Forte o suficiente para salvar – Mike Donehey / Jason Ingram / Philip Larue) tem um instrumental mais denso que a anterior e a mensagem lembra um pouco a canção "Mighty to save" do Hillsong ao falar da capacidade que Deus tem de salvar o homem e lhe proporcionar uma nova vida – “Ele vai quebrar e abrir os céus / Para salvar aqueles que clamam Seu nome / Aquele que o vento e as ondas obedecem / É forte o suficiente para salvá-lo”. Detalhe para o arranjo de cordas assinado por Christopher Carmichael.

You are more (Você é mais – Mike Donehey / Jason Ingram) pode ser considerada uma das letras mais bonitas do álbum narrando a história de uma jovem parada na esquina sem saber quem é de verdade, mas para quem Deus está sempre dizendo – “Você é mais do que as escolhas que fez / Você é mais do que a soma de seus erros passados / Você é mais do que os problemas que cria / Você foi refeita”. Lembra o estilo de Michael W. Smith em canções de sucesso como "Emily" e "This is your time".

“Seria mais fácil / Se Você foi apenas um pensamento na minha cabeça / Simplesmente algo que eu li uma vez / Acredite em mim, seria a minha defesa”. Os primeiros versos de The truth is Who You are (A verdade é quem Você é – Mike Donehey / Jason Ingram) trazem um diálogo entre o homem que insiste não aceitar a verdadeira verdade que está em Cristo e seu sacrifício na cruz do Calvário que nos garantiu livre acesso à Sua presença – “Carne e sangue, você nos oferece / Oh! Para comer o pão e beber o cálice / Oh! Para provar, ver, sentir e tocar / Emanuel / Deus conosco”. O minuto final é carregado pelo som forte da guitarra.

Além dos belos arranjos deste trabalho, vale ressaltar a profundidade das letras contidas em cada faixa que, em algumas vezes, sugere a idéia de diálogos entre o homem e Deus como ouvimos em All the pretty things (Todas as coisas bonitas – Mike Donehey / Jason Ingram / Jeff Owen), uma canção de adoração com bela participação do back formado por Mike Donehey, Jeff Owen e Jason Ingram – “E corremos, corremos, para finalmente sermos livres / Mas nós estamos lutando por aquilo que já tenham recebido”.

Piano e cordas acompanham a letra de Any other way (De outra maneira – Mike Donehey / Jason Ingram) que mostra o poder da onisciência de Deus que é capaz de sondar por completo o nosso interior e que pelo Seu amor é capaz de tomar nossas dores e feridas. Ele nunca rejeita um coração contrito – “Um coração quebrantado e contrito / Eu não vou desprezar, venha como você está / E eu não vou fechar meus olhos / Eu não vou fechar meus olhos / Eu não vou fechar meus olhos / Eu não vou fechar meus olhos”.

A princípio On and on (Assim por diante – Mike Donehey / Jason Ingram / Jeff Owen) parece uma canção de amor entre homem e mulher – “Amor, eu tenho esperado por você / E, amor, eu estava ferido por você / Você não olha nos meus olhos?” –, mas logo percebemos que se trata do genuíno amor de Deus a partir da segunda estrofe – “Bem, a vida, está esperando por você / E a vida, tenho dado a você / Bem, me diga, o que mais posso fazer? / O que mais tenho para provar / Que Eu sou o que você precisa?”. A faixa é encerrada ao belo som de um violino.

Ao som de palmas e do violão, Hearts dafe (A better way) (Corações seguros – Uma maneira melhor – Mike Donehey / Jeff Owen) é uma conversa entre amigos que se encontram e reparam que um deles está totalmente diferente o que leva ao seguinte questionamento “Se as ovelhas conhecem a Sua voz / Agora me diga qual é a escolha para os que não ouviram / E não há necessidade de se alegrar? / Pai, me ajude a entender Porque eu sou igual a ele e, Senhor, ele é igualzinho a mim”.

House of mirrors (Casa dos espelhos – Mike Donehey / Jason Jamison / Scott Sanders / Jeff Owen) é a canção com o título mais interessante do álbum que (desculpem o trocadilho) nos faz refletir sobre os momentos em que não conseguimos ver quem realmente somos e nos convida a quebrar os espelhos para viver a liberdade dada pelo Pai. É uma das mais agitadas do repertório e é pontuada pelo baixo de Ruben Juarez – “Venha, venha / Vamos lançar nossos espelhos para baixo / Sim, venha, venha / Vamos quebrar o vidro no chão”.

Empty my hands (Esvazie minhas mãos – Mike Donehey) tem uma sonoridade acústica e fala sobre as dúvidas e questionamentos que permeiam nossa mente. Até a voz de Mike está mais introspectiva na faixa que dura 5 minutos e, como já falado anteriormente, além do belo arranjo traz uma letra impactante que lembra um diálogo – “Eu tenho vozes na minha cabeça / E elas são tão fortes / E eu estou ficando cansado disto / Oh Senhor, quanto tempo eu vou ser assombrado pelo medo que eu acredito? / Minhas mãos funcionam como um bloqueio desses sonhos em gaiolas que eu não consigo libertar / Mas se eu deixar esses sonhos morrerem / Se eu abandonar todo o meu orgulho ferido / Se eu deixar esses sonhos morrerem / Será que vou encontrar aquilo que me permite viver?”.

Encerrando o álbum, Oh my dear (Oh minha querida – Mike Donehey / Garrett Green) é uma canção semelhante a "You are more" ao falar sobre uma jovem amedrontada com a escuridão da noite e que está perturbada com os segredos que carrega em seu coração. Tudo é narrado ao som das cordas executadas por David e Ned Henry – “Liguei para você, você estava na cama / Mal conseguia distinguir as palavras que você disse / Mas você desejava me ver logo / Então eu me vesti / E saí na neve / E caminhei por uma milha ou quase isso / Senti a fúria do frio sob meu peito”.

Adquira este álbum e não tenha medo, pois, onde a luz encontra a escuridão, é onde a cura começa e essa cura pode te alcançar quando a luz encontra você.


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