Análises

Ouvimos o trabalho mais recente de Anderson Freire - Contagem Regressiva. Confira nossa avaliação

Gledeson Frankly em 28/05/18 3057 visualizações
Seria injusto falarmos sobre os cantores do cenário evangélico que tiveram alguma relevância nos últimos anos, seja pelo seu trabalho ou para o próprio público, sem citar Anderson Freire. As músicas do capixaba conseguiram ultrapassar uma série de barreiras na música evangélica e atingiram um público fora deste nicho. Em 2014, por exemplo, o jogador Neymar pediu o arrasa-quarteirão "Raridade" no programa dominical Fantástico, que faz parte da grade da maior emissora de televisão do país. Porém, este fato deve-se não necessariamente a musicalidade do cantor, mas ao discurso de autoajuda presente em parte de sua obra.

Aliás, Freire não é um artista que provoca a sensação de que está trazendo algo novo em seus projetos. Ao comparar seus últimos álbuns inéditos, percebe-se que o cantor não reinventou a roda e assumiu uma zona de conforto dentro do seu estilo de composição. As doze faixas de Contagem Regressiva seguem uma linha já esperada e foram escritas exclusivamente pelo próprio cantor, com exceção de Bandeira Branca, parceria com seu sobrinho, André Freire.

A produção musical, dividida entre Anderson e Adelso Freire, busca fazer o clássico arroz com feijão no feixe destas doze faixas, com êxito em alguns momentos e com falhas em outros. Não é difícil notar o esforço dos produtores em diferenciar o espectro musical do disco, que possui bem mais efeitos eletrônicos do que o anterior Deus Não Te Rejeita (2016), marcado por uma estética pop rock morna. Contudo, nem tudo caiu como uma luva nas composições repetitivas e a execução soou arrastada e, por vezes, caricata nos arranjos.

Canções como Origem, A Cruz e o Paraíso, Contagem Regressiva e Memorial explicitam isto, pois são faixas carregadas de clichês na intenção de propagarem uma mensagem positiva. Além disso, Paternidade Deus é uma continuação de "Raridade" e "Deus Não Te Rejeita" na qual o aspecto humano está em evidência, desta vez, sutilmente disfarçado através de um diálogo entre ser humano e Deus. Temos como resultado versos do tipo “amo tua cor, amo teu cabelo, a cor dos teus olhos, te amo por inteiro, como a tua voz não existe outra igual, teu jeito de andar, perfeito, ninguém sabe imitar”.

A Cruz Me Faz Sonhar, A Glória é Tua, Incondicional, Autor Desconhecido e Ainda não Cheguei em Casa flertam com o louvor congregacional e mostram um Anderson seguro para explorar timbres, dinâmicas e uma interpretação que tenha uma cara mais atual. Estas canções cumprem bem seu papel no álbum e possuem um nível de qualidade mais alto das faixas que tinham este propósito no disco anterior. É certo que os loops de Adelso Freire, o piano de Stefano Moraes e a bateria de Valmir Bessa (A Glória é Tua e Incondicional), Leonardo Reis (Autor Desconhecido) e Matheus Falcão (A Cruz Me Faz Sonhar) foram os principais responsáveis por trazer esta atmosfera worship para o álbum que está longe do insosso Deus Não Te Rejeita (2016) e mais próximo dos célebres Identidade (2011) e Raridade (2013).

Avaliação: 3/5
Contagem Regressiva

(CD) 01/18


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Gledeson Frankly

Paulista, cristão e acadêmico em administração pela UNIFESP. Escreve para o Super Gospel desde 2017.


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