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Ouvimos o novo álbum de Fernanda Brum - Som da Minha Vida. Confira nosso review

Gledeson Frankly em 26/10/17 3913 visualizações
Quem ouvir apenas o single de Som da Minha Vida perceberá um retorno à fórmula responsável pela ascensão de Fernanda Brum. A obra é marcada por composições introspectivas e melodias que seguem esta tendência. E a intenção da carioca é justamente esta. O álbum marca seus 25 anos de carreira e retoma temas que, segundo ela, estão relacionados ao seu chamado, como curas e maravilhas.

Ao lado de Emerson Pinheiro, produtor musical do disco, Fernanda volta as suas raízes e cria uma estética saudosista tomada por baladas melancólicas intercaladas por canções com teor evangelístico, sem abandonar o pop. Em comparação com o trabalho anterior, Da Eternidade (2015), aqui conseguimos ouvir melhor o timbre grave e aveludado de Brum, numa construção conduzida por Bruno Oliveira, responsável pela produção de voz.

As parcerias de Fernanda neste projeto justificam a identidade criada em torno das músicas de Som da Minha Vida. Na autoria da faixa-título, a cantora teve colaboração de Livingston Farias, com quem já trabalhou diversas vezes. Emerson construiu uma estrutura radiofônica para esta canção, com um refrão de fácil memorização, acompanhada por levadas pop. A música de Brum se cruzou em diversos momentos com a de Eyshila. Afinal, a amizade das cantoras já rendeu inúmeras parcerias que permanecem no imaginário de muitas pessoas. Por isso, não é surpresa o dueto óbvio das duas em Do Nilo à Terra Prometida. Os vocais da faixa foram bem divididos, mas a canção passa despercebida. Depois, Klênio Fernandes soube retratar bem a história da mulher que ungiu os pés de Jesus em Lavar Teus Pés e a cantora transmitiu a dose de emoção necessária a faixa.

A cantora também adentra o território pop em Eu Sigo, conduzida por piano e efeitos. Os arranjos ganham batidas constantes e construções crescentes enquanto Fernanda começa a cantar. A sonoridade desta faixa segue algo mais atual, sem abandonar a identidade da cantora. Se fosse possível resumir a proposta de Fernanda para este disco numa canção, a escolhida seria Rosa Cheirosa. É, definitivamente, um dos melhores momentos do álbum. Fernanda entoa com bastante propriedade o conceito intimista da faixa, com excelentes arranjos que assumem o pop dos discos antigos.

A balada congregacional Quando o Fogo se Vai cumpre seu papel dentro do disco e traz uma letra que remete ao chamado da intérprete. De certa forma, a canção termina de maneira inesperada, pois o caminho óbvio seria voltar ao refrão. Pinheiro e Brum fizeram uma escolha que se mostrou acertada porque uma volta quebraria o clima intenso construído pelos arranjos.

A Carta é uma canção com melodia atraente, mas possui uma letra extremamente confusa. Afinal, é ora melancólica, ora encorajadora. Fica difícil entender a mensagem que a cantora deseja passar. Talvez, se não fossem os versos finais, grande parte do público não a compreenderia. Caiu Babel traz a participação de Marcelo Biorki numa faixa pop-worship recheada de loops e sintetizadores. Os versos do rapper Biorki se entrelaçam aos arranjos juvenis de Emerson e finalizam a faixa.

Salomão Orou e Essa Tal de Rejeição são faixas com letras simples, mas trazem uma produção musical de uma qualidade impressionante e inventividade ao projeto. A primeira é audaciosa e inebriada por muitos elementos, como sintetizadores, sax e bateria. Enquanto a segunda faixa tem uma sonoridade puxada ao folk. Certamente, os arranjos destas faixas são volumosos e envolventes. A última canção do disco é um samba composto pelo próprio produtor, que versa sobre o atual cenário político e econômico do país. Acredita, Brasil usa este pano de fundo para transmitir uma mensagem de fé e esperança. O vocal de Fernanda tem a medida certa para a faixa cheia de pompa e circunstância.

Seja em letras mais intrincadas como “nas cenas dos vitrais, nas telas de Van Gogh, não consegui te achar” até chegar a construções poéticas como “beber da água mais pura, do vinho mais doce, da rosa cheirosa, do rio da vida”, Fernanda Brum realizou, em Som da Minha Vida, um percurso sonoro cuja intenção é de retratar a sua personalidade num disco que bebe na identidade musical. O resultado é um álbum que, em linhas gerais, coloca sua obra novamente nos trilhos.

Avaliação: ★★★
Som da Minha Vida

(CD) 01/17


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Gledeson Frankly

Paulista, cristão e acadêmico em administração pela UNIFESP. Escreve para o Super Gospel desde 2017.


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