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Baruk olha para o passado, presente e com expectativas para o futuro

Tiago Abreu em 23/10/2015
Para o Super Gospel

Desde que lançou Graça (2014), o cantor Paulo César Baruk entrou em uma fase mais madura de sua carreira. Com mais de quinze anos de estrada, o músico e produtor musical pretende superar suas arestas, agregar temáticas e atualizar o som.

Simpático com o novo movimento, fã confesso dos artistas e bandas da era antecessora a “onda gospel”, fascinado com as origens do movimento e também atento a outros gêneros, Paulo pode ser considerado um sujeito que atrai a simpatia de diferentes segmentos do nicho musical cristão. Tranquilo e aparentemente simples, Baruk respondeu perguntas à equipe do Super Gospel durante a Gospel Fair 2015, em Goiânia.

Timidez versus coragem

Paulo contou a nós que, em um momento de sua carreira, passou a acreditar mais em ideias musicais que fugissem o lugar-comum. “Existiu um momento na minha carreira, não sei se foi nos tempos de Multiforme, em que eu fiquei mais corajoso a respeito das minhas ideias. Porque antes, eu tinha ideias, mas dizia: “ah, isso é muito esquisito, farei não”. Aí, mais tarde, alguém fazia aquilo e pensava: “nossa, era legal pra caramba”. Então, houve um determinado momento em que passei a acreditar mais nas ideias surgidas na minha mente”, relembrou o intérprete. Acerca de Multiforme, o cantor ainda reiterou a identidade visual do projeto gráfico, mais ousado que os anteriores.

Além da sonoridade, Paulo César Baruk passou a investir mais em composições próprias. Segundo o letrista, havia também um receio com suas músicas. “Estas letras narravam um pouco das minhas reflexões e as coisas que estavam acontecendo. Até então, não gravava muitas músicas minhas, pois eu as achava estranhas. Achava que só eu e minha mãe iríamos gostar”, diz com certo humor. Um de seus questionamentos era: “‘Pô’, como essa ideia não pode ter vindo de Deus? É meio maluca ainda, mas por que não posso fazê-la? Por que devo esperar um norte-americano fazer lá, para depois copiar aqui?”.

Esta coragem, segundo Baruk, veio acompanhada da necessidade de vencer sua timidez. “Era uma coragem que testificava o que Deus faz em gente tímida como eu era e ainda sou. É uma chacoalhada, que dizia: “Pra que essa timidez, vamos vencer isso juntos? Eu quero te usar para falar com muita gente”. Tudo isso tem acontecido desta maneira, e estou muito feliz. Tem sido um tempo muito bacana”.

Caça-níquel

Em 2015, Baruk chegou com dois lançamentos, Graça Quase Acústico {rs} e Graça para Ninar. Os dois discos, por sua vez, bebem da fonte do trabalho antecessor, Graça, apresentando um repertório muito semelhante, mas segundo Baruk, para um público diferente.

Segundo o intérprete, justamente pelas semelhanças, os dois registros foram considerados, por muitas pessoas, como caça-níqueis. “Muita gente vai dizer, ou já disseram que isso é uma estratégia puramente comercial, mas Deus conhece o meu coração e sabe que a estratégia maior é de comunicação. É no seguinte sentido: se é um conteúdo bacana, que a maior quantidade de tribos possíveis tenha acesso. Se eu pudesse, gravaria só no gênero de reggae para agradar aquele público, porque eu acredito na mensagem".

O músico citou outro exemplo. "Tem uma galera, por exemplo, que não gosta de som de bateria alta, que gosta de um som mais tranquilo. Então, era que esse formato acústico tivesse o mesmo conteúdo, a mesma essência, quase todo o CD Graça, mas numa embalagem diferenciada. E a ideia não é parar por aqui, porque a gente fez um projeto de ninar que é, só tipo, caixa de música, com as mesmas músicas”.

É claro que o cantor reconhece suas limitações: “Não vai dar para fazer em todos os gêneros, mas eu acredito muito na mensagem deste CD, e queria que a maioria das pessoas pudesse escutar. Essa foi a motivação principal de se fazer neste formato acústico, e será na mesma motivação para fazermos nos outros formatos”.

Nas palavras de Paulo César, ainda há a pretensão de se produzir um disco eletrônico, com o repertório deste trabalho. No entanto, ainda é apenas um projeto do cantor, sem prazo de lançamento.

“Tem muita coisa boa acontecendo”

Nos últimos trabalhos, Paulo César Baruk regravou duas músicas do Rebanhão – “Nele Você Pode Confiar” e “Baião”. Estas músicas, incluindo o interlúdio “A Mídia”, do álbum Graça, demonstram claramente a influência de Janires no trabalho de Baruk.

Ele admite: “Eu acho que a obra do Janires é atual. O cara escreveu lá atrás músicas que fazem sentido hoje. Eu sonho isso para minha vida e para o meu ministério. Meu desejo é que minhas palavras, hoje, não envelheçam com o tempo. Porque se eu disser a palavra de Deus em minhas músicas, elas nunca ficarão ultrapassadas. Eu acho que foi isso que o Rebanhão fez: Janires, depois o Carlinhos Felix e o Pedro Braconnot”.

Dentre isso, o cantor ainda citou outros músicos que admira: “Kadoshi, o Katsbarnea (que eu gosto muito), Milad, João Alexandre... esses caras são incríveis, além do Jorge Camargo, Grupo Elo... tive a oportunidade de gravar com o Pr. Paulo Cezar, do Grupo Logos, e é um cara espetacular. Mas infelizmente eu conheci tarde demais esses grupos. Eu sou um senhor de 39 anos. Eu conheci, de uma forma mais profunda, depois que eu já tinha uns 25. Eu queria ter conhecido antes, porque acho incrível o trabalho dos caras”, lamenta.

Apesar de dizer que a obra destes grupos o continuará inspirando, ele alerta: “Mas eu não tenho aquele pensamento saudosista, nem nostálgico, de dizer que as coisas boas ficaram apenas no passado. Eu aprendo com os caras lá de trás, como aprendo com pessoas que são mais novas do que eu".

Para ilustrar suas influências, o cantor disse: "A Marcela Taís é mais nova do que eu, e aprendo com ela o mesmo quanto aprendo com o Paulo Cezar do Logos. Aprendo com a Dani [Daniela Araújo], o Leo [Leonardo Gonçalves], Thiago Grulha, pessoas mais novas do que eu, mas que são cheias de Deus e me ensinam muito. Acho que Deus não somente tinha coisas boas para nós, mas Ele tem. E elas não ficaram limitadas ao passado. É importante, também, que paremos de olhar somente aquilo que está em evidência e comecemos a olhar em volta. Tem muita coisa boa acontecendo, e isso enche o meu coração de gratidão e alegria”.

Marcela Taís

A parceria entre Baruk e Marcela Taís já gerou duas gravações: no álbum Graça, em “Ele Continua Sendo Bom” e em Moderno à Moda Antiga, com “Sou Diferente”. Ele fala um pouco sobre sua relação com Taís: “Nós não moramos próximos um do outro, não nos vemos sempre, mas desde que eu vi a Marcela cantando o disco anterior ainda fiquei muito impressionado com sua obra. E aí, quando eu recebi a composição de “Ele Continua Sendo Bom”, da Daniela Magalhães, eu pensei instantaneamente na Marcela. Achei que tinha tudo a ver com ela. E eu mandei para ela, pois como não éramos muito próximos, não sabia nem se ela iria topar, mas a receptividade da Marcela foi incrível. Ela foi muito carinhosa e falou: “cara, essa música é incrível, é linda, tá falando comigo”. Aí rolou”.

“Foi muito legal, porque foi uma coisa que ela curtiu fazer, da mesma maneira que eu fiz a música com ela no disco novo. Me senti extremamente honrado. Eu estava participando de um CD de alguém que eu admiro muito. Não sei se ela sentiu o mesmo a meu respeito. Quando ela participou do meu disco, ficou bastante feliz. Mas, particularmente, me senti honrado porque ela é uma artista que eu estava curtindo muito ouvir. Assim, pintou o convite através dela, e claro que eu topei. Até pagaria para fazer!”, disse rindo.

Ainda, Paulo se lembrou de um show recente da cantora em que presenciou com Rebeca Nemer: “Marcela é uma jovem joia, é uma pessoa muito especial, que Deus tem usado profundamente. Eu fui num lançamento em São Paulo dela recentemente, eu e minha esposa Rebeca, e ficamos muito impressionados pela forma que Deus tem usado a Marcela. De uma forma muito particular, ela alcança o coração das pessoas. Foi uma noite muito incrível, uma grande experiência que tive”.

Produções pentecostais

Além de cantor e compositor, Baruk vem produzindo vários discos de gêneros distintos da sua obra musical. O músico afirma que sua participação em álbuns do nicho pentecostal ocorreu após o destaque da música “Fidelidade”, de Danielle Cristina. Deste sucesso, outros cantores passaram a procurá-lo. “O formato pouco importa, desde que o conteúdo seja sadio. Muitos podem dizer: “Ah, mas a música pentecostal tem apelação”. Aí eu respondo: “Mas as músicas apelativas eu não curto, não gosto. Mas também há músicas que não são tão bíblicas em outros formatos”.

"O negócio é o seguinte: independentemente do estilo, se ela condisser com o que a palavra de Deus ensina, é uma boa música para se ouvir. Se não condisser, eu ponho de lado, mas não só com a música pentecostal, mas com qualquer outra, seja MPB, rock, black music, tudo. Tem coisas boas e ruins em todos os lugares”, afirma.

“Eu só posso dizer que eu fico muito honrado quando um cantor, um artista de outro segmento me procura para fazer um disco, porque me sinto desafiado como produtor musical. Isso me faz pesquisar. Rola um preconceito com a música sertaneja. “Ah, sertanejo é muito fácil de fazer, todo mundo faz”. Mas isso não é verdade. Pelo menos para mim não é. Recentemente, tive a oportunidade de produzir uma música neste som mais universitário, e eu tive que pesquisar como os ‘caras’ do gênero pensam, como é a forma da batida e que instrumentos são utilizados. Ou seja, cada arte tem o seu valor.

O músico reitera a importância de cada gênero musical. "No meu trabalho, se eu puder comunicar este conceito, ficarei muito feliz e grato. Desejo que as pessoas percam seus preconceitos e comecem a enxergar o valor das coisas. No contrário, existirão todas essas tribos isoladas, todo mundo se enxergando bem e vendo o outro mal”. Esta proposta de derrubar muros, segundo o cantor, é um desafio pessoal que defende: “Todo mundo é gente. Todo mundo é carente e dependente do Senhor. E precisamos estar próximos”.

Entretanto, Baruk assume seus limites. “Quando um segmento me procurar e eu não conseguir fazer de jeito nenhum, direi: “cara, eu não consigo fazer, pois nunca estudei isso até este momento”. E hoje eu confesso: modéstia à parte, eu consegui ter uma prática na forma de fazer os arranjos e produção musical de um projeto pentecostal”.



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