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Rayssa & Ravel - discografia comentada

Publicada em 28/07/2017
Redação Super Gospel

Há quase trinta anos, Rayssa & Ravel dava início à sua trajetória artística. Atualmente, é consenso de que a dupla sertaneja seja a mais importante do gênero na história da música cristã, com uma larga discografia versátil e que sustentou toda uma geração de músicos sertanejos, os quais passaram a perceber que é possível aliar temas relativos à fé cristã sem perder a musicalidade e estrutura do sertanejo, um dos gêneros característicos do Brasil.

Existem pontos altos e baixos, em termos artísticos, na trajetória dos irmãos. Porém, justamente pela abertura e liberdade que os músicos possuem de trabalhar diferentes temas e gêneros musicais, é que garantiram a sobrevivência no voraz meio sertanejo. Os músicos observam tendências, imprimem sua identidade e, por vezes, surpreendem com seus discos e hits.


Nascer de Novo (1994): Várias duplas sertanejas existiram antes de Rayssa & Ravel. A diferença é que eles, ao lançarem seu primeiro disco, uniram um repertório sólido a elementos sonoros e líricos os quais não se dissociavam tanto do cenário dito "secular". Por isso, Nascer de Novo é um projeto palatável como um legítimo álbum sertanejo da década de 1990, com referências atuais, sustentadas pela produção musical e arranjos de Melk Carvalhêdo. A maioria das composições são assinadas pela dupla, algumas juntamente com Wanderly Macedo. Outro grande diferencial do disco, responsável por clássicos como "Nascer de Novo", "Sabe" e "O Amor" é a participação da Orquestra Sinfônica de Campinas, que se destaca justamente na faixa-título, maior sucesso da dupla até os dias de hoje.

Avaliação: ★★★★☆

Ouça: Nascer de Novo, Sabe e O Amor


Mundo Colorido (1995): Marcado pela característica de conter maior quantidade de elementos acústicos, algo que seria reforçado no disco sucessor, Mundo Colorido mantém certos padrões estalecidos no primeiro álbum de Rayssa & Ravel. A canção "Mundo Colorido" continua a ideia de redenção apresentada por "Nascer de Novo" e Melk Carvalhêdo novamente toca vários instrumentos, como teclado, baixo e guitarra. Ainda, o trabalho traz bons números, como "Nunca Mais Vou Te Esquecer", "Lindo" e "Controle Remoto", e ganham um toque a mais pelos violinos, executados por seis instrumentistas.

Avaliação: ★★★★☆

Ouça: Mundo Colorido, Nunca Mais Vou Te Esquecer e Lindo


Chuva de Felicidade (1996): Nascer de Novo pode até ser, talvez, o disco mais conhecido na carreira de Rayssa & Ravel. Mas o melhor trabalho dos irmãos é, de longe, Chuva de Felicidade. Novamente abraçados pela produção musical de Melk Carvalhêdo, foi gravado no estúdio Mosh e avança tecnicamente e também musicalmente. O disco soma um amontoado de clássicos como "Chuva de Felicidade", que completa a trilogia iniciada pelas faixas-título; "Canção do Caminhoneiro", com influências de Milionário & José Rico ainda faz uma divertida referência ao hit parade de 1994; "Voltei" apresenta referências à Zezé di Camargo & Luciano com propriedade; a quente "Eu não Sei"; "Hei" e a grandiosa "Sabe Filho" – a mais marcante do álbum. Se existe um trabalho fundamental e de extrema referência no sertanejo evangélico, este projeto de 1996 ganha o título. (leia também a análise)

Avaliação: ★★★★

Ouça: Chuva de Felicidade, Canção do Caminhoneiro e Sabe Filho


Outra Vez (1998): Os músicos tinham atingido o auge musical em Chuva de Felicidade. Diferentemente dos três anteriores comandados por Melk, Rayssa & Ravel optaram por Mito, tecladista do Novo Som, para a produção musical. O resultado é uma obra que bebe da maturidade alcançada nos registros antecessores, mas avança em termos de baladas. "Que Bom que Tu Me Amas", assinada pelo hitmaker Josué Teodoro, é um largo exemplo disso. Mas os melhores momentos do álbum estão nas canções mais sertanejas, como "O Teatro" (Wanderly Macedo) e as autorais "Apenas um Olhar", "Outra Vez" e "Te Amo".

Avaliação: ★★★

Ouça: O Teatro, Apenas um Olhar e Saudade


Melhores Momentos (1999): É inegável que os três primeiros álbuns de Rayssa & Ravel sejam claros clássicos para o sertanejo evangélico e dentro da discografia dos irmãos. Por não ser responsável pela distribuição destas obras, a MK Music lançou Melhores Momentos, um registro com regravações de hits como "Nascer de Novo", "Mundo Colorido" e "Chuva de Felicidade" sob produção musical de Ezequiel Matos. Porém, artisticamente, não se justifica. A maioria das regravações não superam as originais e o disco só vale pelas inéditas, como "Amar, Amar".

Avaliação: ★★☆☆

Ouça: Amar, Amar, O Amor e Deixe Cristo Te Salvar


Só pra Te Amar (2000): Rayssa & Ravel chegaram ao início dos anos 2000 com desafios a tratar. Só pra Te Amar chega para resolver esgotamentos na música da dupla. Eles se abrem para experimentações que, na maioria das vezes, dão certo. "Só pra Te Amar", faixa-título, é uma balada romântica gostosa. "Prosioneiro da Felicidade", assinada por Wanderly Macedo, retoma o discurso de angústia dos hits anteriores dos irmãos, "Alô" faz uma parceria inesperada com o Kaders Singers e "Festa de Crente" é um country marcante de Daniel & Samuel. É inferior a Outra Vez (1998), mas as canções que chamam a atenção no álbum são acima da média.

Avaliação: ★★★☆☆

Ouça: Só pra Te Amar, Prisioneiro da Felicidade e Um Homem Diferente


Inesquecível (2002): Em mais de dez anos de carreira, os irmãos já tinham mostrado não se importar no diálogo com outros gêneros. Inesquecível entra na "moda" do pentecostal da época, sob produção musical de Jairinho e ajuda de Cassiane na seleção de repertório, que vinha do sucesso de Recompensa (2001), um dos clássicos do pentecostal. Mas o grande problema de Inesquecível é que o registro definitivamente não soa como um álbum de Rayssa & Ravel e seria considerado bom se tivesse sido gravado por Cassiane. Apesar de ser um trabalho importante para os intérpretes por conta de seu primeiro disco de ouro, não há nada que lembre Ravel e Rayssa em Inesquecível além dos vocais e da faixa final, "Festa Feliz".

Avaliação: ★★☆☆

Ouça: Apenas Ore, Deus de Milagres e Festa Feliz


Além do Nosso Olhar (2004): Mais pentecostal ainda em comparação ao antecessor, Além do Nosso Olhar ainda mantém um caráter excessivamente caricato para Rayssa & Ravel, especialmente para Rayssa, que traz interpretações mais graves do que de costume. O disco ainda concentra alguns números diferentes, como "Além do Nosso Olhar", "Te Apresento o Meu Deus", "Não Vou Parar" e "A Última Lágrima", regularmente agradáveis no sentido pentecostal. Porém, não tenha muitas expectativas. Toda a produção e arranjos de Jairinho ainda são muito distantes do que se espera dos projetos iniciais da dupla.

Avaliação: ★★☆☆☆

Ouça: Além do Nosso Olhar, Te Apresento o Meu Deus e Não Vou Parar


Apaixonando Você (2005): Em Apaixonando Você, Rayssa & Ravel resgatou parte do que o tornaram uma dupla sertaneja. Para isso, também trouxeram de volta a produção de Melk Carvalhêdo, e o resultado foi o disco mais tradicional dos músicos em anos. A influência é todo o sertanejo romântico que, à época, estava prestes a se mutar em direção ao universitário. "Canção do Meu Amado" recupera elementos de João Paulo & Daniel, "Amor Provado" e a guarânia "Nosso Amor" são contemporânea à Zezé di Camargo & Luciano, esta última uma espécie de continuação de "Nosso Amor É Ouro" (2003). Ravel também ganha maior espaço e sola "Saudade". As interpretações dos irmãos são feitas com propriedade e relembram que, independentemente de influências, sabem trazer para si o material gravado. (leia também a análise)

Avaliação: ★★★★☆

Ouça: Canção do Meu Amado, Amor Provado e Saudade


Mais que Vencedores (2006): Depois de dois discos produzidos por Jairinho, a banda apresentou Mais que Vencedores, cuja direção artística foi de Rogério Vieira. Mas a influência pentecostal não se enfraqueceu. Pelo fato do produtor ser muito mais presente em álbuns pop e congregacionais, alguns arranjos, efeitos e loops extrapolam o gênero, características que o tornam diferente dos dois trabalhos pentecostais antecessores.

Avaliação: ★★☆☆

Ouça: Questão de Honra, No Partir do Pão e Ouse Sonhar


Enamorándote (2007): A apoiar-se no melhor álbum dos anos 2000 lançado pelos artistas, Enamorándote é semelhante ao disco original, produzido por Melk Carvalhêdo. A única diferença é a inclusão de "Dios de Milagres", regravação de Inesquecível (2002), e que destoa da proposta romântica de todo o restante do repertório regravado.

Avaliação: ★★★

Ouça: Canción de Mi Amado, Amor Probado e Nustro Amor


Como Você Nunca Viu (2008): Se o pentecostal tentado pela dupla ignorou bastante o legado sertanejo dos anos 1990, o pop de Como Você Nunca Viu mais ainda. A diferença é que as letras são congregacionais e até as composições de tônica pentecostal são conduzidas com arranjos vocais suaves e com teologia menos problemática. O produtor escolhido foi Rogério Vieira que, estrategicamente, havia produzido dois discos de sucesso de Aline Barros (Som de Adoradores e Caminho de Milagres). O resultado não chega a ser um dos melhores momentos da dupla, mas não faz feio perto de registros da mesma época.

Avaliação: ★★★☆☆

Ouça: Intimidade, Consolador e Como Você Nunca Viu


Apaixonando Você Outra Vez (2009): Diferentemente de Apaixonando Você, Apaixonando Você Outra Vez é um registro de maior ênfase pop, produzido por Wagner Carvalho. O repertório não brilha tanto quanto ao primeiro, mas aborda temáticas joviais, como crises em relacionamentos e os desafios em torno das declarações de amor. "Pedido de Namoro", carro-chefe de assinatura de Anderson Freire, versou a rejeição e brilhou no cancioneiro da dupla. Com mais loops e efeitos, os irmãos ainda se destacam com "Sem Noção" e as baladas "Parece que foi Ontem" e "Meu Coração É Teu".

Avaliação: ★★★☆☆

Ouça: Sem Noção, Pedido de Namoro e Meu Coração É Teu


Sonhos de Deus (2010): Um dos melhores de toda a carreira, Sonhos de Deus faz-se valer da produção musical assinada pelos músicos do Yahoo, Wagner Carvalho e Ayra Peres para somar diferentes elementos da carreira de Rayssa & Ravel com transições inteligentes. A parte predominante do disco mescla arranjos sertanejos com composições pentecostais. Porém, diferentemente dos demais registros de "fogo" da dupla, aqui destacam o sertanejo para não fugir da identidade dos irmãos. As camadas de guitarra são densas, os teclados e violões preenchem a musicalidade do álbum que, no geral, é bastante limpo e de instrumental rico. Nele se ressaltam a intensa "Mais um Milagre", a sombria "Avivamento", a emocional "Deus Proverá" e a pop "Vou Acreditar" O outro lado, romântico, traz uma tríade muito boa: A melancólica "Já Era", que versa com o tato certo sobre relacionamentos abusivos; a country "Gostinho de Quero Mais" e "Tadim Dimim", canção de sofrimento amoroso que mescla a vertente dita universitária com o sertanejo dançante de Rick & Renner dos tempos de Bom de Dança (2006).

Avaliação: ★★★★☆

Ouça: Deus Proverá, Já Era e Tadim Dimim


Biografia de um Vencedor (2011): Além de seguir a direção técnica do anterior, Biografia de um Vencedor também é o projeto mais experimental da carreira de Rayssa & Ravel. Existem várias canções puxadas para vertentes do forró, como o xote e o pé-de-serra. Parte das canções sertanejas enveredam-se para o então universitário, com banjo, violão, acordeon e guitarra, como "Lodebar Nunca Mais". "As Três Tias" é uma das canções mais divertidas no repertório da dupla. "Misterioso" e "Goiás, Minas e Espírito Santo" são eficientes músicas sertanejas, sem referências religiosas. Se não fosse pelas falhas de prensagem e pela distribuição independente, o trabalho certamente teria maior importância na discografia da dupla.

Avaliação: ★★★

Ouça: Lodebar Nunca Mais, As Três Tias e Goiás, Minas e Espírito Santo


Nossa História (2012): Melhores Momentos (1999) não tinha justificativa para existir além de colocar, no mercado, canções de sucesso que não foram editadas pela MK Music. Já com Nossa História é diferente: Os músicos fazem um retrospecto do período mais rico de sua carreira em comemoração aos 25 anos de estrada. Com um tempo suficiente para ter sentido as mudanças de arranjo, Ayra Peres e Wagner Carvalho constroem boas ideias em torno das músicas, com elementos acústicos e eletrônicos. A sonoridade passeia pelas diferentes gerações do sertanejo. O que fizeram com "Canção do Caminhoneiro" e "Eu não Sei", ambas do clássico Chuva de Felicidade, são largos exemplos da eficácia das roupagens. E, além de tudo, inclui faixas solo de Rayssa de qualidade semelhante aos clássicos. A única ressalva é que o registro seria definitivo se tivesse incluído canções lançadas após 1998.

Avaliação: ★★★

Ouça: Sapato de Algodão, Eu não Sei e Canção do Caminhoneiro


O que Deus Fez por Mim (2013): Sob produção musical de Rogério Vieira, Rayssa & Ravel decidiram retornar ao pentecostal. O disco se assemelha aos trabalhos do tipo lançados pelos músicos na década anterior. A diferença é que, pelo fato do pentecostal não ter a mesma febre do outro período, permite aos irmãos incorporar as canções ao seu estilo. Além disso, há de se destacar o efeito que Sonhos de Deus teve para a concepção musical da dupla. Existem canções de musicalidade experimental. "Carimbo da Vitória", com elementos da compositora Léa Mendonça, possui variações harmônicas e vocais. Ravel é mais uma vez protagonista em "O Fogo Pega". E o hit "O Grande" é envolvente.

Avaliação: ★★★☆☆

Ouça: Carimbo da Vitória, O Grande e O Fogo Pega


O Olhar de Deus (2015): A dupla já havia repetido uma tônica pentecostal no disco anterior, mas em O Olhar de Deus as faixas com esta vibe estão entre as mais fracas no repertório de Rayssa & Ravel. "Dupla Honra" é uma canção extremamente datada, e evoca o triunfalismo do hit "Sabor de Mel", de Damares. A produção de Silvinho Santos não acerta nem no sertanejo. A qualidade do instrumental no single "Levanta" é muito simplista e aquém do arrocha contemporâneo ao álbum. Basta comparar com as músicas do gênero no registro sucessor. O resto é uma mescla de faixas pentecostais com arranjos pop. A culpa não é totalmente das músicas. "Lá Vai Ela" é uma canção que, com uma produção melhor, seria perfeitamente aceitável. Mas tudo o que é tecnicamente apresentado no projeto enfraquece a imagem da dupla.

Avaliação: ★☆☆☆

Ouça: Lá Vai Ela, Pedradas e Se o Mar não se Abrir


Feliz Demais (2017): Rayssa & Ravel já fizeram discos sertanejos, românticos, pentecostais e até pops. E também já abordaram dor, sofrimento e amor em suas composições. Mas Feliz Demais é o primeiro da dupla o qual realmente mostra um pouco de tudo que os músicos já fizeram em quase trinta anos. A produção de Melk Carvalhêdo e Marcelo Rodriguez é certeira e o conjunto de canções versa predominantemente sobre temas ligados à depressão. Solidão ("Caos e Sofrimento"), alegria após angústia ("De Bem com a Vida"), adoração nas dificuldades ("Perfil de Adorador"), ajuda divina ("Leva Eu") e a luta diária contra as adversidades ("Eu sou Blindado"). O sertanejo é bom como não era há muito tempo no repertório da dupla, como na autoral "Fala com Deus" e as vertentes recentes do gênero são executadas magistralmente em "Nasci pra Vencer". Até as músicas com certo tom pentecostal estão entre as melhores do gênero gravadas pela dupla: "Perfil de Adorador" e "Promessas" são completas e ricas no que se propõem e a romântica "15 de Maio" é uma das grandes baladas já produzidas. Poucos cantores e bandas são corajosos em tratar de temas delicados e íntimos. Rayssa & Ravel foi um deles, com a mesma leveza e a naturalidade de seus trabalhos clássicos. (leia também a análise)

Avaliação: ★★★★

Ouça: Fala com Deus, Perfil de Adorador e Leva Eu



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