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Análise

CD Um Por Todos
(Ao cubo)

Gleison Gomes em 03/09/2010
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Um Por Todos

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Faixas:
1. Proibido Chorar
2. Respeito é a Chave
3. Terra
4. Filhos
5. Vale Ouro
6. Nasci Pra Vencer
7. Poe na Conta
8. Amanhaceu
9. Não Acabou
10. Um Por Todos
11. Livre Arbitrio
12. Alforria
Rhythm and poety, é destas palavras de origem inglesa, que significam “ritmo e poesia”, que vem o tão famoso estilo musical que denominamos Rap.

De modo simplório, no Rap encontramos nas letras das músicas, a marcante presença das rimas, a sonoridade é variada, mas basicamente composta por “batidas” e o scratch (som alcançado com o atrito da agulha do toca-discos no disco de vinil), dentre outros efeitos. O conteúdo de suas letras versa sobre diversos temas (política, experiências de vida, violência e outros mais) com uma linguagem que mescla, desde palavras eruditas às coloquiais (a maioria) de uso corriqueiro, como as gírias.

O Rap Gospel, como chama-se o estilo cujos grupos tem por objetivo compartilhar do evangelho de Cristo, pode-se dizer que é um movimento recente no Brasil, mas muitos grupos têm se destacado por seu testemunho e qualidade musical. Um destes, de origem paulista, chama-se Ao Cubo (nome este em referência à Trindade – Deus, Jesus e Espírito Santo), e é formado pelo quarteto: Cléber, Fjay, Feijão e Dona Kelly.

Em 2010 lançaram um disco entitulado Um por todos, pela gravadora Graça Music. Este é o quarto álbum do grupo, os outros foram o “Respire Fundo” (2004), que ganhou versão ao vivo, o “Respire Fundo Acústico” (2005) e o disco “Entre o Desespero e a Esperança” (2007).

Em Um por todos, percebe-se outra das caracteristicas do estilo: a presença de participações especiais de cantores convidados. Das 12 músicas que compõem o disco, pelo menos em 8 delas, têm-se essas parcerias, o que enriquece esse trabalho. Vamos agora, verificar o conteúdo das músicas.

Começamos pela canção chamada Proibido chorar, nela, logo de ínicio, o Ao Cubo contesta algumas informações que frequentemente ouve-se pelos meios de comunicação: que os jovens são grandes causadores de crimes e da violência. O Grupo nos mostra que a contrário disto, na verdade os jovens são as maiores vítimas do sistema excludente. No refrão, que fica por conta de André Valadão, ouve-se um verdadeiro clamor: “Socorro me ajuda, por favor me ajuda, se tiver alguém ai com fé, não consigo mais ficar de pé”!.

A faixa dois intitula-se Respeito é a chave, e aborda a questão da importância de se saber conviver com as pessoas, dos mais variados tipos, pautando-se no respeito às posturas de vida escolhidas por cada um, e dizem que, afinal “cada um faz da vida o que quiser, independente do que pensa ou de sua fé, respeito é a chave só não pode dar a pé, a toda a quebrada é assim que é”.

A seguir temos Terra. Nesta faixa ficou bem legal a soma de Zeider (do Planta e Raiz) com o seu reggae, mais as batidas do rap do Ao cubo, eles levantam a “badeira do meio ambiente”, na tentativa de conscientizar as pessoas, e em um trecho dizem “ouço um alarme, é um ronco à humanidade, nosso clima não combina, mais que fatalidade, é o nosso patrimônio será que falta neurônio?, o sol tá bem mais quente sem camada de ozônio, olha o céu todo cinza, não é chuva e nem brisa, é a fumaça do busão que traz asma e coriza”.

Em Filhos (que é uma das musicas de trabalho, executada nas rádios, e dela foi feito o vídeo) encontramos forte saudosismo causado pela separação dos pais. Lamenta-se principalmente a ausência do pai que foi embora, mas diz “sonhei, nunca faz mal sonhar, busquei alguém pra me espelhar, achei, em Deus um pai, meu Rei, meu respirar”.

A seguir vem Vale ouro, (depoimentos) onde André Santos (jogador do Fenerbahce-Turquia) e Serginho (Seleção Brasileira de Vôlei) contam suas experiências de vida, que foram cheia de dificuldades, lutas, e o quanto tiveram empenho, humildade e perseverança para vencer na vida.

A trilha seis, Nasci pra vencer, continua o tema da faixa anterior do disco, assim “eu nasci pra vencer, eu nasci pra ganhar, não aceito perder, agora eu vim pra buscar”(…) e diz “chega mais, tudo em paz, tudo nosso, o verbo que fortalece diz pra mim que eu tudo posso(…) vem na fé né, e seja o que Deus quiser”.

Na sequência vem a faixa Põe na conta. Ela traz uma critica bem humorada ao capitalismo selvagem, responsável por gerar os “ consumistas”, em certa parte da letra , um garoto fala: “ô mãe compra pra mim, que eu prometo ser o melhor filho!”, mas a mãe responde: “mas eu só tenho você!”. Afinal “quem é que não conhece alguém assim, viciado em comprar, e gastar diz pra mim, comprar no shopping, gastar o din-din, estourar o cartão até o fim!”.

Amanheceu versa sobre a nossa vida. Nela Danilo Oliveira canta “o céu clareou, mas um dia amanheceu, sou agradecido pela vida que me deu! Ser feliz e ficar bem, tem que sonhar e agir também, e viver em paz!”.

Não Acabou tem seu refrão cantado por Soraya Morais: “não acabou, não é o fim…há esperança em meu coração, de que Deus tá me olhando e luta por mim!”. A letra desta música fala sobre a perseverança e a confiança em Deus, pois “eu sei que cuida dos pardais, e de todos animais, pro coração aflito num imagina o que num faz, ò Deus conhece os seus verdadeiros, aliás, se ainda não me deu, tem os segundos finais, tem os sinais de transformação, pela sua compaixão, seu favor me abraça, é de graça e sem razão”.

Em Um por todos, que entitula o álbum, temos boas participações (como GOG, Pregador Luo) e o seu refrão versa “olha pra nós, toda comunidade pobre, os mano e as mina da quebrada, precisa de ajuda mais que nada”.

A seguir, em Livre arbítrio, Dexter faz uma rima espontânea, falando de liberdade. Em certo trecho muito interessante ele fala “eu sou livre pra não cair dentro desta chama, sou livre por não odiar, e amar quem me ama, é muito bom ter força pra quebrar a corrente, não força do braço, mas sim força da mente”.

Fechando o repertório, temos Alforria, com a participação de Netinho de Paula com o seu “swing”. Continua-se a falar da liberdade, “sou livre pra viver, livre pra sonhar, deixa eu cantar, deixa eu ser feliz, eu sou livre pra voar, fazer o que eu sempre quis”.

Pois bem, Um por todos é mais um belo trabalho do “Ao Cubo”, que consolida-se pelo testemunho de vida de seus integrantes, letras com rimas muito bem “boladas” e um forte engajamento político/social. Tudo isso, sem esquecer de louvar a Deus, que é o Um, o Um que é por todos.

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