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Análise

CD Reino
(Aline Barros)

Tiago Abreu em 15/07/2019
Para o Super Gospel
Reino

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Faixas:
1. Tempo
2. Invencível
3. Autor da Vida
4. Terceiro Dia
5. Meu Pai
6. O Rei
7. Feliz Demais
Em 2004, Aline Barros fincou dois pés em território congregacional com Som de Adoradores, projeto que transformou radicalmente sua imagem de estrela pop em uma ministra de louvor. Mas este perfil nunca foi definitivo em sua carreira, e há tempos a intérprete tentou equilibrar os dois mundos em seus registros. Em 2018, ela desistiu.

Viva foi o primeiro álbum de Aline Barros que tentou criar um divórcio entre pop e congregacional, algo mais creditado ao som do que as letras. Os singles “Eternidade” e “Amém”, escritos em colaboração com Pr. Lucas, estavam mais próximos ao louvor das igrejas como nunca. E Reino, seu terceiro álbum em um período de dois anos e meio, tenta mostrar um lado cujo perfil não é originalmente dividido na música de Aline.

Os créditos novamente estão mais centrados na sonoridade do que nos versos. Se Johnny Essi é o sujeito dos loops e programações quando o assunto é pop evangélico da década de 2010, Hananiel Eduardo é uma espécie de estrela do congregacional pop-worship-reverb. São em sua produção registros de artistas como Gabriela Rocha, Avivah e Livres para Adorar, incluindo também a participação como compositor em duas faixas do projeto de Aline.

Mas, liricamente, não há grandes diferenças entre Viva e Reino, afinal ambos tratam essencialmente sobre eternidade. Desassociar um projeto maior em dois álbuns com dois produtores é um erro, porque a música de Aline Barros, há anos, não marca fronteiras claras entre o que é congregacional e o que é pop. “Ressuscita-me”, “Casa do Pai” e “Eternidade” tem versos tão maleáveis a depender da abordagem musical feita, da mesma forma que Autor da Vida (Clovis Pinho) e Terceiro Dia (Aline / Edilson de Oliveira) são a síntese do equilíbrio o qual fez a música de Aline relevante há tanto tempo.

Os álbuns de Aline Barros são frutos claros das parcerias na produção musical. Se isso permite maior flexibilidade ao explorar gêneros e formatos, é um problema quando a cantora precisa andar com as próprias pernas. Extraordinário Amor de Deus (2011) foi o seu ápice recente, uma combinação eficiente de momentos polarizados de sua carreira em um trabalho uniforme orientado por músicos do Roupa Nova. Graça (2013) e Acenda a Sua Luz (2017) foram prejudicados pelo olhar carregado de Ruben di Souza. E Viva (2018), junto ao novo álbum, são inventivos em alguns arranjos, mas parecem mais preocupados em soar jovens e menos atentos com os aspectos técnicos.

O repertório do álbum é bom. Meu Pai, assinada por Aline e Hananiel, persegue fielmente a tônica eclesiástica de suas faixas mais recentes. E quando faltam elementos para associar o material recente ao catálogo de Aline, lá vem O Rei com trechos de “Louvor ao Rei”, um artifício comum que, para Aline, é relativamente novo. Mas nada é mais estreante que Feliz Demais ser a primeira música da cantora totalmente autoral, um pop rock vibrante pelo qual consegue transmitir a mesma alegria das canções do projeto antecessor. Apesar disso, também há algumas falhas menores. Tempo parece derivada do repertório atual de Damares em cascas worship, com harmonias vocais desconcertantes que pesam a Hananiel Eduardo.

Aline é um nome paradoxal. Ao mesmo passo que seus projetos geralmente demonstram um envolvimento menor nas composições e especialmente na produção musical, a cantora sabe demarcar muito bem o repertório com uma voz revigorada, e Invencível é um forte exemplo do que ela ainda pode fazer. Reino tem falhas das quais vão desde a concepção dividida até as escolhas musicais, mas os méritos e vantagens certamente incluem as interpretações de larga escala de Aline Barros, e isso permite que suas canções ainda convençam com facilidade.

Avaliação: 3/5


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