Twitter do SuperGospel Facebook do SuperGospel

Matérias em destaque



Análise

CD Princípio
(Rebanhão)

Tiago Abreu em 26/01/2013
Para o Super Gospel
Princípio

Compre este CD agora

Faixas:
1. Princípio
2. Fronteiras
3. Palácios
4. Muro de Pedra
5. Metrô
6. Grito de silêncio
7. Má sensação
8. Ele te ouve
9. Arsenal
10. Selo do perdão
Pensar na música cristã em 1990 é imaginar um momento de grande crescimento e ao mesmo tempo de grandes perdas no segmento. Iniciava-se ali uma época de salto em notoriedade em nossa música com o início do Movimento gospel, e ao mesmo tempo morreram alguns dos grandes nomes e gênios cristãos, como Sérgio Pimenta em 1987 de um forte câncer. Logo no início do ano seguinte faleceu Janires, fundador e ex-vocalista do Rebanhão e da Banda Azul por conta de um acidente de trânsito. Tanto Janires, quanto Pimenta faleceram jovens com um pouco mais de trinta anos de idade.

Falando em Janires, é impossível não citar este sem lembrar no Rebanhão, a banda cristã mais famosa da época. O músico foi responsável por unir suas composições à musicalidade de seus amigos e fazer uma literal revolução na nossa música a qual temos os efeitos positivos até nos dias de hoje.

O primeiro trabalho do grupo foi lançado em 1981, pelo título Mais Doce que o Mel, o qual considero como o clássico e grande obra prima da banda. Neste disco, o Rebanhão mescla vários ritmos, como o rock progressivo, pop rock, MPB, choro, baião com letras bastante poéticas e evangelísticas. O disco Luz do Mundo de 83 é mais folk, porém segue a proposta do primeiro álbum. Outro grande ato histórico feito pelo Rebanhão foi a gravação do primeiro disco evangélico ao vivo no Brasil, Janires e Amigos de 84. Daí Janires decidiu seguir outros rumos e foi evangelizar jovens e levar suas músicas à vários locais do Brasil, mas sem deixar de ter contato com seus amigos do Rebanhão, a qual atuava como conselheiro naquele momento.

Com uma carreira sólida, o Rebanhão foi contratado pela gigante PolyGram em 1986, lançando os LPs Semeador e Novo dia, de 86 e 88, respectivamente. Ali o grupo adotava uma sonoridade bem pop que aumentou a popularidade do grupo e solidificou ainda mais a carreira da banda.

Em junho de 199- chegava através da novata Gospel Records o disco Princípio. A obra era a primeira após o grande incidente que levou à morte do pioneiro Janires, e a qualidade de seu repertório e arranjos contribuiu para que este fosse o trabalho mais elogiado do Rebanhão, e provavelmente o mais popular. Além de tudo esse disco possui uma importância histórica, pois foi o primeiro da nossa música a ser lançado em CD e considero, que em termos de produção musical, arranjos e repertório o melhor álbum cristão do Brasil dos anos 80.

O encarte, que traz o desenho de uma cidade e plantas é o primeiro totalmente conceitual da banda e alusivo à primeira canção da obra. A formação, na época não diferia muito da de 1980: Carlinhos Félix (Voz, guitarra e violão), Pedro Braconnot (Voz, teclado), Paulo Marotta (Voz, baixo) e Tutuca Nascimento (Bateria). Todos eles eram integrantes da banda há muito tempo.

A primeira faixa, Princípio é um show de qualidade em todos os aspectos. A letra de Lucas Ribeiro, um dos instrumentistas que trabalhavam com o Rebanhão na época mistura crítica social com assuntos bíblicos: As grandes maravilhas da criação divina e as destruições causadas pelo homem. A união dos metais com o violão dá uma sonoridade gostosa de ouvir, além da interpretação ávida de Felix. Destaco também, o vocal melódico no final da faixa.

Ao contrário da primeira, interpretada por Carlinhos Félix, a segunda é de autoria e interpretação do tecladista Pedro Braconnot. Fronteiras é uma excelente balada que, assim como a primeira faixa une o som leve de instrumentos de sopro com o violão, sem falar na forte presença do baixo. A letra é uma bela poesia, que versa sobre as questões da vida e nosso descanso em Jesus.

Palácios, também de Pedro Braconnot é talvez uma das canções mais notáveis e é a mais regravada do Rebanhão. Isso porque nomes como Carlinhos Felix, Paulinho Makuko e, mais recentemente Fernanda Brum incluíram-a já em seus repertórios. Mais uma vez a banda investiu em um som mais folk, como se destaca o som do violão na introdução. “Não se acende a luz do sol nos 220 volts dos palácios de Brasília, não se acende a luz do sol com a chave de um carro conversível do ano...” No meio da faixa ouve-se um dos primeiros solos de guitarra da obra.

Instrumentalmente a melhor faixa do disco é Muro de Pedra, escrita e interpretada por Paulo Marotta. O som psicodélico do teclado na introdução, a execução do baixo e os riffs da guitarra são excelentes. A letra lembra o Muro de Berlim aliada à ideia do compositor que diz: “A revolução que vai mudar esse mundo começa dentro do coração, jogue suas armas no lixo e estenda a tua mão...”

Numa melodia mais próxima a MPB, numa letra que lembra o estilo “Janires” de compor é ouvido Metrô. Escrita por Braconnot e cantada por Carlinhos Felix retrata um fato que ocorre diariamente em muitos lugares em nosso país: Pessoas bebendo para esquecerem as mágoas. Destaque para o virtuosismo do piano e o som do saxofone.

Chegando ao momento mais lento do disco, vem a sexta canção de Carlinhos e Pedro, Grito de Silêncio. Interpretada com sentimento por Felix, a faixa possui uma introdução um tanto quanto misteriosa, e logo nota-se que é uma balada pop que versa sobre as dificuldades da vida e a solução tendo Jesus como luz nos momentos de escuridão.

Má Sensação, de Carlinhos Felix é outra faixa de andamento mais acelerado do projeto, e em termos instrumentais destaca-se pela forte presença do baixo na introdução e riffs de guitarra. Ainda há um espaço para um pequeno instrumental. A letra destaca a importância da presença de Deus nos maus momentos.

A oitava canção, que ganhou uma versão em videoclipe mantém o foco evangelista do disco. Ele Te Ouve possui uma sonoridade envolvente, principalmente com a bateria.

De Pedro Braconnot, Arsenal traz o mesmo assunto de Muro de Pedra, versando a importância de se destruir os muros e espalhar o amor. O teclado se faz bastante presente, e em alguns momentos a guitarra.

A faixa mais congregacional do álbum, e também uma das de maiores destaques, fechando o disco com chave de ouro é Selo do Perdão, escrita e interpretada pelo cantor Carlinhos Felix, que contém uma forte presença do teclado com sintetizadores, e ao longo da canção, metais. Também recebeu uma versão em videoclipe.

Musicalmente, este é sem dúvida o trabalho que mostra com a maior clareza o amadurecimento musical do Rebanhão. Em relação à Novo Dia, este disco do Rebanhão traz arranjos mais complexos, e destaca-se na sonoridade do baixo e do teclado. A guitarra fica em segundo plano, e em algumas faixas é substituída pelo violão, trazendo um clima mais próximo ao folk. O Rebanhão claramente se torna mais pop rock em Princípio.

É um disco que sem dúvida merece ser ouvido e apreciado pelo público evangélico em geral. Nota-se que, mesmo nessa época o Rebanhão estava muito à frente de seu tempo. Suas canções continuam muito atuais e ainda são sucessos. Pena que um álbum como esse não esteja mais à venda atualmente. De 10, o disco sem dúvida merece nota 10 e é um dos melhores clássicos de um terreno tão incipiente em qualidade como é o nosso gospel nacional.


Compre o CD Princípio na loja virtual Gospel Goods

Atenção: As análises são escritas por usuários colaboradores do Super Gospel, e descrevem suas opiniões pessoais. Os comentários e observações não necessariamente refletem as opiniões do site.

Seja social :)

 

Deixe o seu comentário


Siga-nos no twitter

Fique ligado em música gospel: @supergospel

Conheça os lançamentos e promoções: facebook.com/gospelgoods (Loja virtual Gospel Goods)



Conteúdo Top





Parceiro

O Super Gospel, o portal da música gospel, é patrocinado pela loja virtual Gospel Goods
Loja virtual Gospel Goods
Copyright - 2001 - 2018 Supergospel. Todos os direitos reservados.