Análises

D'Alma (Apocalipse 16)

Roberto Azevedo em 25/11/05 25788 visualizações

D'Alma (CD) 01/05

Avalie e dê sua nota

1 - O Caminho Para o Bom Tempo
2 - Bons Tempos
3 - Maus Tempos
4 - D'Alma
5 - Louve a Deus (Praise Allah)
6 - Tributo a Iehovah (Versão APC 16)
7 - Dance na Chuva
8 - Moisés Negro
9 - Pensa Nisso (Falso MC)
10 - Deus Esperava Mais
11 - Tema dos Guerreiros
12 - Na Missão
13 - Compensações
14 - Amor Incondicional
15 - 3 Cruzes
16 - Melancolia
17 - Interlúdio
18 - É Mentira
19 - Ezocomademutnangai
20 - Muita Tretze
21 - Grand Finale
22 - Santo Sangre (Faixa Bônus)

“D’Alma” é o mais novo trabalho do APC 16 e o primeiro sem Charles MC e DJ Beitico, que integraram a grupo nos cds “Arrependa-se” e “2ª vinda – a cura”, além da coletânea “Antigas idéias, novos adeptos” e o disco solo de Luo intitulado “RevoLuoção”.

“— Escolhi esse título, por ser um álbum que reflete o que sinto na minha alma e também por transmitir coisas que estão guardadas no meu interior há algum tempo”.

O álbum conta com diversas participações entre elas: Sexto Sello, Robson Nascimento, Wilson Simoninha, Templo Soul, FLG, Pr. Adhemar de Campos, Raiz Coral, DJ Alpiste, Ao Cubo, Julio de Castro, além das participações internacionais dos rappers americanos: Dirt, Noiz, Wut Metaphysical, integrantes do Shadow of the Locust e dos rappers franceses P. Kear e Grõdash do grupo Ulteamaton..

O disco foi produzido por Luo em parceria com alguns dos maiores produtores de Black Music do Brasil. “D’Alma” conta com arranjos e produções de Luciano Claw, Rogério Sarralheiro e Silvera, entre outros. Vai do louvor tradicional ao rap pesado underground. “— Podem ter certeza que nesse disco existe o meu coração e não marketing de gravadora”.

Luo assume definitivamente os vocais do grupo e passa a ser acompanhado nas apresentações pelo DJ Negrito, o cantor Julio de Castro e o MC Robert, além de músicos adicionais que farão parte de um novo formato do APC 16, que em algumas ocasiões passará a se apresentar com banda.

O álbum abre com uma oração. Luciano Claw interpreta O Caminho para o bom tempo exaltando o “único de receber, a honra, a glória e o poder”. Não poderia ter começado melhor.

Depois divide os vocais de Bons Tempos com Júlio de Castro. É o rap mais “light” do disco. A canção versa sobre situações de nosso cotidiano que nos trazem um sentimento de prazer e satisfação, e nos faz lembrar e valorizar a provisão de Deus (Salmo 87:7b), fonte desses momentos que às vezes passam tão desapercebidos por causa de nossa correria do dia a dia. “Os tempos bons são presentes de Deus; Maravilha é andar e poder respirar; Seu filho se formar, sua filha se casar; Pisar na areia e entrar no mar”.

Maus tempos nos leva ao extremo da música anterior. O rapper versa sobre o “vale da morte” ou “o dia mau” e sobre a nossa esperança de vitória em Jesus Cristo.

A faixa título traz um arranjo bem dançante criado por Silvera. D’ alma nos exorta ao fato de que as atitudes latentes da alma não devem prevalecer sobre nossas decisões perante as circunstancias. “Aprender a controlar o conjunto dá mó satisfação, semeie na plantação uma alma sensata e obterá da vida cooperação”.

Louve a Deus (Praise Allah) mantém a levada dançante e traz as primeiras participações internacionais. Interpretada por Luo e Noiz, com vocais adicionais de Wut Metaphysical, a música fala de tudo um pouco. “Bombas no oriente médio, no Brasil velho morre por falta de remédio, play boy cheira farinha por tédio, uma mina grávida que pulou do prédio, um mano que deixou de ser sério, etc...”

Um dos melhores momentos é Tributo A Iehovah (versão Apc 16) do pastor Adhemar de Campos. O arranjo de Rogério Sarralheiro (Templo Soul) ficou muito legal e a participação do Raiz Coral, como sempre é um caso a parte. A canção emenda em Dance na chuva no melhor estilo dos gospel spirituals americanos. “Jesus é a água viva que dura eternamente”.

Em Moises negro (Black Moses) eles cantam um paralelo entre a história dos hebreus no Egito com sua visão de conscientização através do movimento hip hop. “Eu vim do gueto, um cristão preto e sei como é que é lá. Mas Tú me viu ali e me chamou pra caminhar. Abriu meus olhos e me fez enxergar tudo o que o deus desse século tentou ocultar”.

O Apc 16 aponta sua metralhadora giratória para rappers que usam seu talento de rimar para avacalhar as pessoas com palavras vãs e chocarrices. Pensa nisto (Falso MC) pega meio pesado em alguns momentos, mas no fundo, no fundo, o que ele fala é verdade.

Deus esperava mais vem sobre uma base r&B e traz a participação de Robson Nascimento (que recentemente lançou o álbum Tudo que soul). O título resume o assunto da canção. “Fique longe da prostituição, impureza, lascívia, idolatria, ciúmes, facções criminosas, ou coisas semelhantes. Se você vencer a carne vai poder sentar no trono. Crucifique a carne para fazer viver eternamente o espírito. Deus espera que você seja mais paciente, mais benigno. Deus espera que você tenha mais mansidão, mais autocontrole”.

Com uma levada “a la Kirk Franklin”, Tema dos guerreiros é uma homenagem aos que dão a Deus um lugar de honra em suas vidas. “Bem aventurados os limpos de coração; A corrente é forte e nós somos os elos”. Com certeza Deus honra a nossa fé.

Na missão vem com outra participação internacional. Luo divide os vocais com Dirt, Wut Metaphysical e P. Kaer. O Apc 16 que sempre deixou clara sua posição contrária a política do “ter é mais do que ser” adotado pelo “way of life” americano e agora, quebra barreiras com essa iniciativa de parcerias. “A corrente vai mais longe, alcança os brancos e os negros”.

Não temos como esconder a realidade de que as referências de black music que temos no Brasil estão direcionadas ao que já foi feito pelos americanos. Outra realidade é o repertório de versões que invadiu nossos ministérios. Vineyard, Integrity, Hillsong, entre outros, tem sido carta marcada neste sentido. Nada tenho contra, até gosto, mas a música brasileira que é rica rítmica e harmonicamente, esta sendo aos poucos sendo deixada de lado. Tanto entre os evangélicos, tanto na música secular. Luo e Rogério têm contribuído para uma mudança nestas realidades gravando em seus cds – Apc 16 e Templo Soul – levadas tipicamente brasileiras, sem perder suas características de rap e de soul.

Compensações faz parte dessa realidade. Sobre uma base hip hop, Wilson Simoninha desfila um refrão com uma pegada de bossa nova entre as estrofes interpretadas por Luo.

Amor incondicional tem a participação do FLG. Mais um arranjo de Silvera e uma canção de agradecimento pela obra redentora de Cristo na cruz e pela nossa justificação através do seu sangue derramado. “Glória a Deus que venceu o mal pelo sangue do calvário, fenomenal. Meu Rei me amou primeiro, pagou o preço, comprou a vida e me deu acesso a Deus e a eternidade”.

Três cruzes tem a participação de Preto Jay. É a letra mais reflexiva do disco. Ela versa sobre eternidade usando como referência o cenário da crucificação de Cristo. “3 cruzes, qual é o seu lugar, a do meio já tem dono e você não agüenta carregar. Sobram 2 cruzes, a de lá e a de cá, a vida esta passando e não vai te esperar”.

Melancolia é o livro de Eclesiastes do Apc 16. “A vida é simples, mas é dura; Eu olho pra frente e sinto saudade do tempo bom da minha mocidade; Conforta saber que não vai ser pra sempre; Quem morre antes morre mais cedo; Cadê meus manos que andavam do meu lado?”.

Um interlúdio antecede a faixa mais sarcástica do álbum.

Luo, Rogério Sarralheiro e Alexandre V. dos Santos (Templo Soul) cantam a sonsa É mentira. Uma canção pautada em expressões de duplo sentido. “Quanto programa inteligente no domingo a tarde; O carnaval é a festa do povo, tem a ver com tradição, não tem nada de imoral, o gringo vem porque gosta, não é turismo sexual, gente pelada é apenas traço cultural”. Além da letra inteligente, a base é toda gravada sobre uma levada hip hop temperada com pitadas da samba. Excelente!

Outro interlúdio e chegamos a Muita tretze (Mistura de treta com treze). Junto com Ao cubo e DJ Alpiste, a canção faz um raio-X na nossa sociedade atual. “Revolução erótica, adultério digital, solidão eletrônica, suicídio sem lógica; Muita treta é ver que o tempo passa e nada muda, mesmo que a gente espere uma mudança de conduta; o sangue escorre nas ruas de Israel, escorre nos morros do Rio, escorre nas vielas de SP”.

Um último interlúdio com o Raiz Coral e chegamos a ultima faixa do cd. O new metal, Santo sangre que mistura o rap do APC 16 com o hard rock de Rodolfo (ex-Raimundos; ex-Rodox). É uma amostra do álbum homônimo que eles vão lançar em 2006. Tremendo!

Luo definitivamente está a todo o vapor. Além deste novo cd do Apc 16, fez uma participação no novo disco do KLB e esta pra lançar 3 álbuns no mercado, um em parceria com o Templo Soul, outro com o Rodolfo e outro solo. Alem de participações nos discos do FLG, Robson Nascimento, Groove Soul, Soul Dreams, etc....

“— Definitivamente a música negra evangélica chegou em um estágio que ninguém mais pode ignorar”.

Que Deus continue guiando-os e direcionando-os.
D'Alma (CD) 01/05

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1 - O Caminho Para o Bom Tempo
2 - Bons Tempos
3 - Maus Tempos
4 - D'Alma
5 - Louve a Deus (Praise Allah)
6 - Tributo a Iehovah (Versão APC 16)
7 - Dance na Chuva
8 - Moisés Negro
9 - Pensa Nisso (Falso MC)
10 - Deus Esperava Mais
11 - Tema dos Guerreiros
12 - Na Missão
13 - Compensações
14 - Amor Incondicional
15 - 3 Cruzes
16 - Melancolia
17 - Interlúdio
18 - É Mentira
19 - Ezocomademutnangai
20 - Muita Tretze
21 - Grand Finale
22 - Santo Sangre (Faixa Bônus)

Roberto Azevedo

Roberto Azevedo é cristão e membro da Comunidade Evangélica Betel (RJ). É militar e curte música, filmes e games (não necessariamente nesta ordem). É o principal colaborador do SuperGospel desde 2005.


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