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Cantores independentes avaliam carreira e o meio musical na Gospel Fair 2015

Redação em 30/10/15 1377 visualizações

A Gospel Fair 2015, ocorrida em Goiânia, trouxe uma enorme quantidade de músicos independentes. Seja em stands ou nos pockets, os cantores e bandas passeavam por vários gêneros da música, e compartilhavam diferentes visões do meio musical.

Durante os três dias da feira, entrevistamos vários músicos e grupos independentes. Eles falaram acerca do trabalho, visões acerca da fé cristã, mercado e as dificuldades em meio à estrada.

Missões e projetos paralelos

O grupo Conexão Ide, da região nordeste do país, chegava a Gospel Fair com seus discos, mas também falando acerca de seus projetos missionários. Um de seus membros, Pr. Jader, disse: “Normalmente, as pessoas que trabalham com missões, começam formando uma banda para fazer missões. Nós éramos cinco jovens, que começaram a visitar o sertão nordestino, entre Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco, e mais tarde vimos a necessidade de ter um ministério de louvor”. O disco mais recente da banda é Maravilhoso Emanuel, que contém quinze faixas, de temática congregacional.

Já a dupla de rap Coríntios Treze, formada pelos amigos Parkson e Eice, também possui seus projetos paralelos, mas ainda está concentrada em divulgar o mais recente disco lançado, Eternidade. Segundo os músicos, a produção do primeiro trabalho foi lenta: “É um disco de cinco anos. Quando começamos, não sabíamos de nada. Foi um ano fazendo e refazendo, ao ponto do produtor chegar a nós e dizer: “Cara, eu quero ganhar dinheiro. Então vai embora pra sua casa, faz algo que preste e depois volte aqui”. E cada vez que o produtor dizia isso para mim eu amava mais o cara, porque era um choque, uma forma de dizer: “Acorde, isso está uma porcaria!””, disse Parkson. Com novas faixas, o disco foi fluindo, até chegar num patamar que agradou os intérpretes e o produtor musical.

Identidade

O amadurecimento entre o primeiro e o segundo trabalho foi um fato comentado por quase todos os intérpretes entrevistados. A cantora paraense Stefane Miranda, por exemplo, gravou um EP com gêneros regionais como o carimbo e o calipso, mas antes era uma cantora pentecostal. Ela disse: “Foi tudo muito rápido. Gravei meu primeiro CD em 2011, em Belém, e ele tinha um estilo pop pentecostal. Foi um disco que fiz como um teste, para saber se era isso mesmo. No primeiro disco, ainda não tinha me encontrado totalmente, como fui no segundo disco, que está mais dentro do termômetro do público, para shows”, conta. Já Matheus Miranda, prestes a gravar o seu segundo CD, afirma: “Será um CD bem mais planejado e bem mais a minha cara. O primeiro fica como uma experiência. Principalmente para mim, que fiz com 17 anos”. O álbum de estreia do jovem chamou-se Uma Direção e foi divulgado na Gospel Fair 2014.

Mercado e ideologia

As visões acerca do mercado musical foram distintas entre os músicos. Acerca de temáticas, a cantora Vanessa Leão, que acabou de lançar o disco autoral Acima de Tudo, acredita que o importante é valorizar canções cristocêntricas: “As vezes as pessoas até brincam: “Vanessa, você não tem nenhuma música autoajuda no seu CD!”. Ou seja, músicas focadas no homem. Precisamos nos colocar em nosso lugar, aos pés do Senhor”. Um dos rappers da Coríntios Treze reiterou: “O rap é uma ideologia. É você enfiando ideias na mente de alguém. Isso, seja no "gospel", ou no ‘secular’. A música tem o poder de influenciar, seja para o bem ou para o mal. É hipócrita quem diz que não”.

O DJ Henrique Vieira, por sua vez, iniciou sua carreira profissional tocando numa banda de rock. Após trabalhar com DJ PV, passou a se interessar pelas batidas eletrônicas. Ele acredita que o rock, em âmbito cristão, passa por um momento de baixa: “É fase. Principalmente, a música "gospel" é de fase. Teve uma época em que o rock estava ascendendo com Oficina G3, Virtud, Fruto Sagrado. Depois disso, veio algo mais pop, como o Diante do Trono, André Valadão, Toque no Altar e DiscoPraise. Eles, junto com outros, deram uma visão diferente para a música. Mas o rock ainda tem uma base muito forte. Onde quer que Oficina G3 passe, dá muita gente. E eu acho que, daqui a alguns anos, virá um novo boom do rock”. O DJ ainda afirma não ter abandonado totalmente suas raízes: “O mercado não aceita. Infelizmente, dependo de um mercado. Mas, dentro do meu show, eu uso alguns elementos de rock”.

Thiago Caires, cantor mineiro, teve a experiência de morar nos Estados Unidos. Lá, construiu suas referências musicais e gravou o seu primeiro trabalho. Em comparação aos públicos, ele diz: “O brasileiro dos EUA é diferente do brasileiro aqui. O daqui está mais apto a ouvir coisas novas”.

Sons, megatons

As influências musicais e gêneros estiveram constantemente na boca dos grupos e cantores. Os integrantes do Lugar Secreto, por exemplo, contam com a experiência ministerial para compor seu som. “Ontem nós estávamos tocando num projeto em que estava o Paulo Cezar do Grupo Logos. Rapaz, ele é uma das nossas influências. É um cara que marcou uma geração. Quando você ouve a voz dele, dá um arrepio. Nossa escola musical e ministerial vem da época que tinha pouquíssimos artistas, mas que havia um peso e influência muito grande sob a vida das pessoas, incluindo a nossa”, disse Vinícius de Moraes, vocalista do grupo e pastor. “E nossa turma também é antiga... o Salomão, nosso baixista, tocou na primeira formação do Koinonya”, acrescentou o baterista Geisler Sinelis.

Já o cantor Felipe Colácio aposta na fusão de gêneros para compor o som de seu mais novo disco, Vou Levar a Paz: “O rock britânico é muito bem aceito pela igreja. E misturei isso com o sertanejo universitário e o arrocha”. Outro intérprete, Adhemar Rocha, que é preparador vocal de vários nomes do sertanejo universitário, explica o meio: “O atual mercado sertanejo foi alterado neste período por fusões musicais. E uma destas fusões foi o sertanejo com o arrocha da Bahia. Esta miscelânea surgiu através do produtor Bigair dy Jaime e frases de bateria do Guilherme Santana. Gravei um disco com eles em 2009, juntamente com o Robertinho, que hoje é diretor musical do Gabriel Gava, o Marcelinho Nogueira, produtor do álbum e eu como vocalista e preparador vocal”. Apesar de sua intensa atividade no meio não religioso, Adhemar fez questão de expor sua fidelidade com a música cristã.

Distribuição

O cantor Wellington Caetano relançou, este ano, seu álbum Aprovado. Ele, que também possui uma produtora, citou a distribuição física como a maior dificuldade de um músico independente: “O mais difícil é a distribuição física. O cantor independente, hoje, tem uma força grande através da internet. Sozinho, você até consegue chegar em muitos lugares, e eu sou um exemplo disso, mesmo apanhando e aprendendo muito aqui e ali”.

Acerca da distribuição digital, ele acredita que não é uma realidade totalmente viável: “No Brasil, ainda não pegou. A física e digital devem caminhar juntas”.

A igreja e a sociedade

Os músicos também aproveitaram para falar um pouco sobre a forma a qual enxergam a igreja. Matheus Miranda, por exemplo, foi enfático: “Acho que hoje estamos sendo uma igreja muito fechada. Precisamos ser igreja fora. Nós temos que ser luz até mesmo para quem acha que já é luz. Igreja não representa estar em um lugar, em um culto todo domingo. Eu não acho que ser igreja é um tipo de roupa, mas sim um tipo de pessoa que é semelhante a Jesus”.

Acerca do entretenimento para o público evangélico, o DJ Henrique Vieira avaliou: “Eu acho que na parte de entretenimento está indo muito bem. Falta um pouco de palavra. Acho que antigamente tinha mais base bíblica”.

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