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Ouvimos o novo disco de Daniela Araújo - Doze. Confira nosso review

Tiago Abreu em 08/02/17 51981 visualizações
A primeira metade da década foi de Daniela Araújo. Com Daniela Araújo (2011) e Criador do Mundo (2014), a cantora e compositora ditou novos caminhos para a música cristã contemporânea nacional por sua capacidade de tratar temas da vida cristã com sensibilidade e, acima de tudo, por seu direcionamento musical e artístico apurado.

Assim como a maior parte dos artistas que crescem no showbiz, a vida pessoal de Daniela passou por muitas mudanças, ora positivas, ora negativas. E com o projeto Eu Componho com Daniela Araújo, ocorrido em 2015, as entrelinhas se tornaram mais visíveis.

O processo artístico, um momento ou outro, é influenciado e se confunde com as questões pessoais de um artista. No meio evangélico, em que soma-se às crenças e certa pretensão missional, a separação entre a arte produzida e o artista é algo ainda mais desacreditado.

E Doze, o terceiro trabalho inédito de Daniela, é certamente seu disco mais íntimo e pessoal. É, também, um projeto caracterizado pela transição. Um disco que trata da dor mas que, ao mesmo tempo, é uma declaração de força e recomeço. Musicalmente, o álbum caminha numa tendência pop fortalecida em Criador do Mundo (2014). O disco também aproxima Araújo ainda mais aos loops e sequenciadores.

Desta forma, o novo disco de Daniela Araújo é o seu trabalho mais eletrônico até agora, sobretudo pelas participações especiais de DJ Max (Março) e DJ PV (Outubro). Mas Daniela e Jorginho, como produtores, também fizeram questão de promover a interação com o electropop, como na explosiva Fevereiro, na notória Abril, que se funde aos versos do rapper Kivitz e em Seja o Centro a qual, apesar dos versos pouco atraentes, apresenta um dueto pouco óbvio com Fernanda Brum.

O ápice do disco se garante nas faixas Junho e Julho. É nelas que Daniela prova, para quem ainda duvidava, que não ficou "refém" da simples escolha de temas do público. A primeira registra um momento importante de esperança, insistência no amor e, ao mesmo tempo, melancolia, é uma balada que conta com belos dedilhados de Daniel Aguiar. A segunda, por sua vez, apresenta um arranjo mais intenso e cadenciado.

Como um disco cujas faixas foram liberadas individualmente como singles, Doze possuía o risco de não ter a mesma unidade como um álbum em comparação aos demais trabalhos de Daniela. No entanto, assim como seus dois primeiros discos, a artista conseguiu estabelecer sentido para um projeto que, em grande parte, recebeu contribuições do público. O encerramento com a intimista Dezembro lembra suas primeiras composições e fecha com chave de ouro um disco baseado em um ano intenso para Araújo.

Nota: ★★★★☆
Doze

(CD) 01/17


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Tiago Abreu

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), escreveu para o Super Gospel entre 2011 a 2019. É autor de várias resenhas críticas, artigos, notícias e entrevistas publicadas no portal, incluindo temas de atualidade e historiografia musical.


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