Análises

Ouvimos o mais recente disco inédito de João Alexandre - Do Outro Lado do Mar. Confira nossa crítica

Tiago Abreu em 21/01/16 1974 visualizações

Do outro lado do mar (CD) 03/09

Avalie e dê sua nota

1 - Do outro lado do mar
2 - Modificar
3 - Debruçado na porteira
4 - Quem sou eu?
5 - Folião
6 - Sendo criança
7 - O Nome de Jesus
8 - Deus que do céu desceu
9 - Semblante de Glória
10 - Salmo 23
11 - Quem diz a verdade
12 - Gotejar
13 - Valeu demais!

Desde Voz e Violão (1996), João Alexandre estabeleceu-se um músico capaz de criar e regravar canções com harmonias e melodias tão fortes caso bandas inteiras o acompanhasse. Mais do que isso, seu trabalho foi a afirmação de que, ao passar dos anos, o cantor tornou-se um exército de um homem só num segmento evangélico cada vez mais desleixado, hermético e instável.

Ele cantou sobre o pensar-fazer poético em canções como "Viver e Cantar", mas também analisou o cenário religioso com coragem em "É Proibido Pensar". Em dez anos, a proposta se esgotou e o cantor se renovou com Do Outro Lado do Mar, uma das obras mais elétricas de sua discografia.

Com produção musical e arranjos de base de Felipe Silveira, seu filho, João Alexandre surpreende pelos arranjos de cordas na abertura de Do Outro Lado do Mar, faixa assinada pelo cantor em parceria com Caio Fábio. Ele enfatiza que "Sempre há de ser amigo / Quem traz a vida consigo / Quem faz o mal da tormenta cessar!". O amigo é a causa da canção de Modificar e versos de Guilherme Kerr, enquanto Debruçado na Porteira reinventa uma das composições de João com maior maturidade.

Ao contrário de É Proibido Pensar (2007), o mais recente álbum de João é tranquilo até demais. No entanto, não poupa críticas. Embora sutis, elas estão com mais força em uma das melhores músicas do repertório. O soul Quem Diz a Verdade, enriquecido pelo baixo funky de Abraham Laboriel, traz Leonardo Gonçalves nos vocais enquanto Alexandre reforça que vê falsidade e falta de amor nos olhares humanos.

Mas o outro lado de Do Lado do Mar é mais forte. Sendo Criança, faixa instrumental suave e de tons nordestinos, dá seguimento a marchinha de Folião e a intimista orquestrada Quem sou Eu?, um reconhecimento de dependência divina que se opõe ao discurso triunfalista dos grandes artistas da época.

Acompanhado por músicos que compõem uma ficha técnica extensa – como o guitarrista Hélio Delmiro, o tecladista Rique Pantoja e o baterista Júlio Figueroa – o disco é feliz em soar um projeto de banda. João fez questão de sair de centro e se incorpora bem ao time. Gotejar, nos vocais de Felipe Silveira, ou até mesmo a suave Salmo 23 interpretada por Tirza, sua esposa, dão ênfase de que o trabalho de Alexandre é colaborativo. Especialmente com seu filho, o cantor não somente se reinventou. Apresentou um dos melhores projetos dos anos 2000.

Nota: ★★★★
Do outro lado do mar (CD) 03/09

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1 - Do outro lado do mar
2 - Modificar
3 - Debruçado na porteira
4 - Quem sou eu?
5 - Folião
6 - Sendo criança
7 - O Nome de Jesus
8 - Deus que do céu desceu
9 - Semblante de Glória
10 - Salmo 23
11 - Quem diz a verdade
12 - Gotejar
13 - Valeu demais!

Tiago Abreu

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), escreveu para o Super Gospel entre 2011 a 2019. É autor de várias resenhas críticas, artigos, notícias e entrevistas publicadas no portal, incluindo temas de atualidade e historiografia musical.


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