Análises

Ouvimos o novo álbum de Jotta A - Recomeçar. Confira nossa análise

Gledeson Frankly em 29/07/17 5831 visualizações
Para manter-se na indústria da música, o artista deve se reinventar e buscar novidades ou influências que gerem fôlego ao seu trabalho. No entanto, Jotta A, que vinha seguindo uma linha pentecostal, realizou uma mudança brusca em Geração de Jesus (2013), um disco puramente pop, o qual é possível perceber uma certa ausência de identidade nos vocais e arranjos. Agora, com produção musical de Jeziel Assunção e William Augusto, Recomeçar tem por objetivo trazer o intérprete de volta a sua essência.

A estreia de Jotta A em 2011 na televisão com o lançamento de seu primeiro álbum, Essência (2012) foi um sucesso instantâneo pontuado pelas firulas e potência vocal, com os hits “O Extraordinário” e “Estou Contigo”. No entanto, o cantor passou pelo processo de mudança vocal e precisou adaptar suas técnicas, um resultado inevitável de maturação conduzido por Bruno Oliveira e apresentado em seu terceiro trabalho.

O disco é musicalmente grandioso. As cordas, gravadas em São Petesburgo, são flamejantes. As letras das canções são longas, os riffs de guitarra intensos e arranjos vocais pesados. O álbum leva tudo ao nível de máxima intensidade – algo que parece marcar a imagem de Jotta A, que se faz presente na composição da maioria das faixas, alinhadas com nomes de peso. Tanto é que os arranjadores geralmente não seguem uma linha única durante as músicas. O que poderia virar um caos é amalgamado de forma responsável por Augusto e Assunção.

Temas como hipocrisia e idolatria estão presentes em A Reforma (Jotta A e Rozeane Ribeiro), uma audaciosa canção com uma versos extremamente atuais. Shirley Carvalhaes divide os vocais com o cantor nesta faixa e elevou a intensa canção a um nível superior. O single Princípio e Fim (Rogério Jr.) tem uma levada pentecostal com destaque para a execução das cordas. O cantor ainda explora seu potencial na envolvente Cante Outra Vez (Jotta A e Tony Ricardo), aliando bons versos a um instrumental coeso.

Jotta também se vê vulnerável na balada Eu não Mudo (Abdiel Arsênio), durante a faixa-título, com uma atmosfera congregacional, e em A Aliança (Nayara Dutra), uma canção sincera e concisa. Maravilhoso (Abdiel Arsênio e Jotta A) é uma música com arranjos vigorosos e bem marcados, com direito até a um pequeno verso falado pelo cantor, que agregou muito a faixa. É uma música que poderia ser gravada normalmente pelo Coral Resgate. Conduzida pelo violão, Ele Vem (Jotta A) parecia ser a canção mais intimista do projeto, no entanto, há um gancho improvável aproximando a faixa da sonoridade pop. Uma grata surpresa.

É de se admirar o esforço de Jotta A e toda sua equipe em entregar um projeto com identidade e, acima de tudo, com qualidade para o público, mesmo sem o auxílio de uma grande gravadora. Os vocais do intérprete foram certeiros e os arranjos excelentes. Talvez, a maior marca do trabalho dos produtores Jeziel Assunção e Willian Augusto seja o som do Coral Resgate, e eles trazem a estética do grupo para o que viria se tornar Recomeçar o melhor álbum do jovem cantor até agora.

Avaliação: ★★★★☆
Recomeçar

(CD) 01/17


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Gledeson Frankly

Paulista, cristão e acadêmico em administração pela UNIFESP. Escreve para o Super Gospel desde 2017.


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