Análises

Ouvimos o disco Armagedom, um clássico na discografia do Katsbarnea. Confira noss opinião

Tiago Abreu em 22/03/13 4606 visualizações

Armagedom

(CD) 11/95


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Eis que voltamos o tempo e vamos para o rico ano de 1995, tempo muito bom para a música cristã nacional, principalmente se tratando em rock. Naquele ano tivemos três lançamentos que são considerados clássicos no estilo em nosso país. Um deles é o álbum Armagedom do Katsbarnea, o projeto mais conceitual, ambicioso e coeso de toda a banda até hoje.

Apesar de não parecer, de início tão conceitual como outras obras do tipo, se for analisado com detalhes, Armagedom é sim, um álbum conceitual, que versa sobre o apocalipse e os caminhos "tortuosos" da humanidade, formada por pessoas das mais diferentes crenças, características e costumes. Mas o principal destaque da obra é a sua influência experimental. Nota-se, neste disco uma união de hard rock, rock experimental, pop rock e rock progressivo, além de outros gêneros como o reggae.

A produção é assinada por Paulo Anhaia, os arranjos são do vocalista Brother Simion, que ainda tocou guitarra, piano e gaita. Há, ainda, a colaboração de músicos ilustres, como Esdras Gallo, conhecido por atuar com o Renascer Praise, e Duca Tambasco, baixista da Oficina G3. Na banda, além de Brother Simion, Déio Tambasco fazia sua estreia como guitarrista, Jadão atuava como baixista, Flávio Benes na bateria e percussão, e Giovani Bon nos teclados. Este seria o último trabalho com Brother Simion como band leader e vocalista.

O projeto gráfico da obra é bastante criativo, tendo uma capa que é considerada, por muitos uma das melhores evangélicas no cenário nacional, principalmente por conta da época em que foi produzida.

Invasão abre o disco de forma extremamente misteriosa. Sintetizadores, tímidas frases de guitarra, e a voz de Brother Simion que balbucia sons melódicos. Após mais de dois minutos de mistério, a bateria e a guitarra entram com força, e a canção inicia-se de fato. Com uma série de nuances instrumentais, é perceptível as características experimentais da canção. Sua letra versa sobre a transformação humana através do amor de Deus demonstrada na cruz.

A seguir, temos Alegria, que possui forte influência de reggae, com metais em sua sonoridade que dão um brilho maior à faixa. Destaque para o arranjo de baixo, executado por Jadão, e em termos letristas trata a respeito da alegria trazida após uma mudança de vida e transformação através de Deus.

O hit da obra é Gênesis, que até hoje é um dos maiores sucessos da carreira do Katsbarnea. Inicia-se com um diálogo ao ar livre entre duas crianças a respeito da existência de Deus. Logo, vem o som do teclado e da gaita. Uma canção bem pop rock, que se destaca pela sonoridade do teclado e do back vocal, formado pela própria banda em parceria com Paulo Anhaia.

Armagedom, a faixa-título, segue o clima experimental contido na primeira faixa, trazendo uma sonoridade que soa “apocalíptica”, com muitos sintetizadores, vocais de desespero, e uma interpretação vocal de Brother Simion que varia a entonações agudas, graves, e de bastante serenidade. Ao meio da faixa, destaque para as conduções do baixo, e os versos teatrais. É sem dúvida, uma das melhores faixas do repertório.

Com uma ruptura total do clima da anterior, cria-se um novo ambiente em Pra Onde Você vai, brother? , que possui uma sonoridade pop e um tanto quanto “divertida”. O título ainda brinca um pouco com o apelido de Simion, brother. Destaque para a sonoridade do baixo e dos metais.

Intervalo – 30 segundos, é um instrumental, que na verdade é nada mais que uma brincadeira dos integrantes da banda, que trocaram de instrumentos e tocaram-os aleatoriamente, como uma “surra no diabo”.

Outra canção, desta vez mais lenta, mas experimental é Do Céu, que possui uma das letras mais belas do repertório. “Quero tudo que o dinheiro e o mundo não podem comprar / toda unção que vem do alto / ninguém pode roubar nem tirar se dos céus lhe foi dado” Destaque para o arranjo vocal no refrão, e dos riffs multicamadas de guitarra.

De volta ao momento mais hard do disco, temos Crack (Atos 4:11) que versa sobre um dos assuntos, liricamente falando, mais abordados pelo Katsbarnea: as drogas, mas da maneira mais clara e direta de toda a carreira do grupo, ligando diretamente o crack à morte e segregação social e pessoal. Destaque para a agressividade de influência punk.

Palavras Simples é mais uma, dentre as canções lentas do repertório, e a mais vertical da obra, com a participação de Paulo Anhaia nos backs. Na sonoridade, destaque para a sonoridade do teclado, e ao fundo da bateria. No final, um instrumental que se destaca pelo saxofone soprano executado por Esdras Gallo.

A décima faixa, Fariseu, possui a participação de Duca Tambasco como vocal operístico. Destaque para a sonoridade, que mais uma vez é experimental e a interpretação de protesto e ao mesmo tempo divertida de Brother Simion, com direito até à várias mensagens subliminares. “Escute aqui fariseu / Homem de lábios doces / Traz no rosto, amostra os dentes / Estica a mão num cumprimento / Tua vergonha descerá como fel / Na garganta amargando o teu ventre”. Destaque para a sonoridade do sintetizador ao fim.

Get Out of Babylon é a única faixa em inglês do repertório, e conta com a boa participação de Jimena nos vocais. Destaque para os arranjos do baixo na introdução, dos metais e ao fim, da gaita, executada por Brother Simion.

Fechando a obra, temos Ele Virá, que mais uma vez contém fortes influências experimentais, principalmente em sua introdução. É mais um instrumental que uma canção em si, contendo apenas um discurso de Simion, no meio da faixa. Ao longo da canção, é notável a boa execução do teclado e da bateria, que fecham de forma positiva a obra junto com um solo de guitarra.

Armagedom é um álbum complexo, sem dúvidas, que intencionalmente constrói e desconstrói, de imediato, o ritmo das músicas, mas com uma simplicidade absurda. Contém arranjos que combinam muito bem com as letras, e se tratando delas, formam um único conceito. Armagedom trata o mundo atual de diversos ângulos, de várias óticas, relacionando o momento apocalíptico com a vida diária (e decadente) de vários seres humanos. No geral, o trabalho é um dos melhores discos de rock cristão do Brasil que o público pode conferir.

Nota: ★★★★★
Armagedom

(CD) 11/95


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Tiago Abreu

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), escreveu para o Super Gospel entre 2011 a 2019. É autor de várias resenhas críticas, artigos, notícias e entrevistas publicadas no portal, incluindo temas de atualidade e historiografia musical.


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