Análises

Tivemos acesso ao novo álbum do militantes - Destrua o Controle. Veja nosso review

Gleison Gomes em 27/06/11 7134 visualizações
Prepare os seus tímpanos. Após cerca de 4 anos (esse número sobe para 6, se o critério for ineditismo) de seu último trabalho, a banda militantes, composta por Cleber (vocal e baixo), Kako (bateria), Fabinho (guitarra) e Fábio Custódio (guitarra e backing), vem com força total e descomunal em Destrua o controle.

O estilo Militantes é o punk rock, cujas músicas caracterizam-se basicamente pela simplicidade (poucos acordes, em geral), rapidez e veemência ao abordar os mais variados temas. Além disso, em termos ideológicos, propõe que o individuo seja sujeito ativo, independentemente da ação dos outros, o “faça você mesmo”.

Isso sem falar no visual descolado, onde usar uma jaqueta de couro é o mínimo. Dentro do punk, a Militantes está na vertente hardcore, ou seja, um som mais rápido ainda. A banda também garante ser a precursora do punk cristão no Brasil.

É bem provável que a maioria das pessoas ainda se assuste e fique com “o pé atrás” ao ouvir falar na palavra “punk”, e isso é conseqüência da violência e inúmeras brigas geradas pelas gangues punks (sobretudo nos anos 70 e 80) o que fez com que a mídia propagasse uma idéia negativa do movimento. Mas a opinião tende a mudar conforme tomem conhecimento de que o movimento busca a melhoria da sociedade, através da contestação do sistema, ás vezes, com algum exagero é verdade.

Mas voltando ao disco, Destrua o controle foi produzido entre os anos de 2008 e 2009, e lançado em 2010. Isto em duas etapas, primeiro de forma gratuita, o download esteve disponível no site da banda e cada um podia contribuir financeiramente com o valor que achasse conveniente, e depois, na segunda, o cd ganhou forma física. A produção do disco foi da banda, e a gravação ocorreu em São Paulo, no Estúdio 12.

São 13 faixas, distribuídas em 41 minutos. Devo dizer que este cd mostra-se bem diferente dos anteriores: Tudo Vai Mudar (2002) e Escute o que Digo e Faça como eu Faço (2004). Foi otimizado, as letras estão bem mais elaboradas, o instrumental mais pesado e o vocal mais firme e voraz. Realizei a experiência de mostrar algumas músicas desse disco a uma pessoa (conhecida minha), ela já escutara e conhecia as músicas “antigas” da banda, mesmo assim o resultado, após a audição, foi a indagação “que banda é essa?”, o que sinaliza alterações.

As quatro faixas iniciais do álbum mostram a objetividade do estilo, sua duração fica na casa dos 2 minutos. No início do texto sugeri uma preparação aos ouvintes, pois uma das marcas de Destrua o controle é o som de peso, e isso, do começo ao fim. Talvez, quem curte as canções mais leves da banda esteja meio insatisfeito, pois ele ausenta-se de baladas, entoadas com violão, no estilo de Beatlesom (2004).

Mídia da desgraça é a faixa que mais chama atenção. Uma ferrenha crítica aos desmandos dos veículos de comunicação que se ocupam de empurrar todos os seus imperativos desmandos “goela abaixo” das pessoas. Essa faixa soa como um hino dos insatisfeitos, de fácil refrão: “ranca da tomada, mídia da desgraça”.

A sonoridade dessa faixa chega a lembrar a música “Felizes são os peixes” (faixa 10, do disco "Titanomaquia" de 1993) da banda Titãs, esta em sua fase punk. Sobretudo a arrancada para o solo de guitarra e a conclusão. Contudo, os riffs de guitarra são diferentes. No trabalho também vemos a saída dos “yeah! yeah! yeah!” e em seu lugar um vocal mais potente, curtos gritos (que transmitem intensidade) e até um “Hahahaha!”, mas este, um riso bem irônico e até debochado – ainda na mesma faixa.

Na música Sujeira no Senado, temos um sacode na politicagem. Na guitarra belos riffs e para coroar esse petardo, seus vinte segundos finais são dedicados a execução de “o Guarani”, ópera da autoria de Antônio Carlos Gomes, altamente difundida, e por muitas vezes de forma errônea, atribuída a Heitor Villa-Lobos. Acredito, que da ópera todos conheçam pelos menos um trechinho, sua introdução é o tema de “A voz do Brasil”, aquele programa que o apresentador inicia dizendo “em Brasília...19:oo horas!”.

Em algumas canções são utilizados pedais para produzir interessantes efeitos sonoros. Os melhores deles estão em Programado, presentes desde o inicio da faixa, na base da música e vão ficando mais intensos. Ao fim um mega efeito – vale curtir.

A faixa Não adianta insistir conta com a participação de Clemente Nascimento, que também assina na co-produção e direção rrtística do cd. Ele é vocalista e guitarrista das bandas Inocentes e Plebe Rude. Trata-se de um respaldo e tanto, ainda mais porque Clemente participou de algumas das primeiras bandas punk no Brasil, lá pelo início da década de 80.


Mas como criticar parece ser mais fácil, é importante também propor solução. É o que se percebe em Mudança brusca. “A verdade é contundente, transforma o corpo, alma e mente, mas é preciso acreditar (...) mudança brusca e violenta nas coisas do mundo”, diz a letra.

A conclusão do disco vem com E o Próximo e Neandertal, que abordam o comportamento individualista e finalizam o trabalho em tom bem-humorado de modo sutil, bem diferente de “cabra safado” (2004), por exemplo.

Não tenho dúvidas que até o momento, este é o trabalho mais consistente da Militantes. Mostra-se uniforme e coerente, uma vez que mantém a linha do início ao fim. Essa postura me parece ser a ideal e de certa maneira a banda acaba fazendo jus aos nomes das bandas que os integrantes participaram, antes de criarem a Militantes: a Advertência e a Protestantes.

A mensagem que fica é a sugestão de protestar, “destruir o controle do pai da mentira”, além de um “não” ao lixo midiático. Destrua o controle é boa pedida pra quem gosta de boas criticas e um som mais pesado. Punk Rock de primeira categoria.
Destrua o controle

(CD) 01/10


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Gleison Gomes

Historiador, apreciador de música, filmes e bolo de abacaxi.


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