Análises

70x7 (Samuel Mizrahy)

Roberto Azevedo em 23/02/07 9828 visualizações

70x7

(CD) 01/05


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Quem acompanha o “mercado” musical evangélico sabe que Minas Gerais tem sido o centro dos eventos de Louvor e Adoração no país. Eventos como Som da Chuva, Paixão Fogo e Glória, Escola Adorando (Asas da adoração), Escola do Clamor, Adoração e Adoradores, Congresso Internacional de Louvor e Adoração (Diante do trono), entre outros têm sido “exportados” para os demais estados e têm sido usados por Deus para gerar um avivamento impar na historia do evangelho no Brasil.

Também podemos afirmar que São Paulo é referência quando falamos sobre musica negra nacional. Produtores como Rogério Sarralheiro (Templo Soul), Silvera (FLG), Pregador Luo, PC Baruk, Luciano Claw, Sérgio Saas (Raiz Coral), entre outros, tem investido seus dons e talentos na produção de canções com qualidade musical e espiritual.

O que poderia acontecer se uníssemos a espontaneidade mineira com o groove dos paulistas? O disco 70 X 7 de Samuel Mizhary é a resposta.

Ao lado de Lucas Souza, Heloísa Rosa, Juliano Son e Sérgio Saas, Samuel Mizhary faz parte da nova safra de ministros de adoração do Brasil.

Nascido em Belo Horizonte há 30 anos, Samuel iniciou seu envolvimento com a música ainda na infância. Aos 10 anos, já fazia parte do marcante grupo “Louvores da garotada”. Anos mais tarde o cantor mineiro fez parte do coral El Shamah, da Igreja Batista da Lagoinha. A experiência no coral o ensinou a importância do arranjo vocal e o compromisso com a harmonia.

Já em 1997, Samuel se juntou aos amigos Nívea e Gustavo Soares entre outros para criar o Muito Mais. O grupo foi destaque no cenário nacional ao unir gêneros como o pop, soul e black music à letras de adoração e intimidade com Deus. Ao lado do “Muito Mais”, Samuel Mizrahy fez diversas apresentações em todo o país, conquistando admiradores e, sobretudo, fazendo grandes amizades.

Samuel acabou indo morar em São Paulo. Foram apenas seis meses, mas o suficiente para fazer grandes e importantes alianças. Foi morando na capital paulista que conheceu André Calore que viria a ser produtor de seu trabalho solo.

Com o fim do “Muito Mais” Samuel passou a se dedicar a dar aulas de canto, compor e trabalhar como produtor musical. Paralelo a isso, aproveitou para terminar o curso de Publicidade & Propaganda no Centro Universitário de Belo Horizonte – UNI-BH e chegou ao altar, casando-se com Adila Karina Neves, filha do Pr. Jonas Neves, ex-pastor da Igreja Batista da Lagoinha e atualmente pastoreando a Igreja Batista do Povo em São Paulo capital.

Mesmo mantendo contato com a música, Samuel Mizrahy nunca escondeu o desejo de ter um trabalho solo. As músicas continuaram a surgir e aos poucos o cd veio tomando forma. As amizades conquistadas durante o tempo que morou em São Paulo viabilizaram a produção do novo trabalho.

70X7 é uma referência a Mateus 18:21-22: “Então Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? Respondeu lhe Jesus: não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete”. O texto não fala apenas de perdão, mas de reconciliação, recomeço e restauração.

Além da questão bíblica, o título do cd também é uma homenagem a música da década de 70.

O cd foi totalmente gravado em São Paulo no studio G&I Music. Quem assina a produção é o amigo André Calore. As 13 faixas contam com a participação especial de músicos consagrados como o guitarrista Valmir Borges, Juninho baterista da Banda Kadoshi, o percussionista Tony Paes, a cantora Dani Grace da Integrity Music Brasil e Ton Carfi do Raiz Coral e back vocal do Pregador Luo.

70X7 é um cd de black music com influências da música popular brasileira. São músicas para dançar, refletir e curtir. O objetivo de Samuel Mizrahy é adorar, mas com estilo e identidade própria.

O trabalho tem como marca o compromisso com os arranjos musicais com a qualidade das letras. Todas as músicas foram compostas pelo próprio Samuel Mizrahy e algumas parcerias partindo de experiências pessoais do cotidiano amparadas por fundamentos bíblicos.

Em ti me esconderei e Em Espírito e em verdade dão início ao álbum. Soul de primeira qualidade com harmonias elaboradas e melodias belíssimas.

A primeira traz um naipe de metais executando clusters (recurso muito usado por Ed Mota) preenchendo os espaços do arranjo ao lado de um piano rhodes quebrando tudo de forma bem discreta, mas bem profissional.

A segunda explora mais os grooves. Mantém o rhodes, mas desta vez acompanhado por uma guitarra com uma pegada cheia de swing. Temos a participação de Ton Carfi (que recentemente lançou deixou o Raiz Coral e o Link 4 e lançou seu primeiro disco solo denominado “Tenho que estar preparado”).

Sopro, que versa sobre restauração, Vontade do Pai e Firme em Tuas promessas trazem a levada cativante da nossa MPB, lembrando os discos antigos de Djavan ou os atuais de Jorge Vercílio (espero que entendam que quando cito músicos seculares ou evangélicos, não estou fazendo comparações, mas criando referências para que o leitor do review possa se localizar)

Vontade do Pai é uma das melhores do cd. A dinâmica do turn around final é contagiante. A canção traz com a participação de sua esposa, Adila. A música é um desafio para aqueles que verdadeiramente querem viver o Evangelho do Reino de Deus.

É inspirada em uma das passagens mais marcantes da Bíblia, quando Paulo se despede dos irmãos de Éfeso. “Mas em nada tenho a minha vida como preciosa para mim, contando que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus”. Atos 20:24

Firme... é uma oração de contrição e entrega. Traz mais uma letra que vai além dos chavões evangélicos usados em exaustão ultimamente e comprova o compromisso lírico deste ótimo compositor. Neste ponto do álbum já posso afirmar que ao lado de Leonardo Gonçalves, Samuel Mizhary está entre os “candidatos” a João Alexandre da Nova Geração.

Nova Aliança traz de volta o balanço do soul presente nas 2 primeiras canções. Versa sobre recomeço, reconciliação e perdão. É um convite para todo ser humano deixar o passado e seguir em direção à vontade de Deus. O piano rhodes dá lugar a um piano acústico e a guitarra cheia de swing traz efeitos de wah-wah que dão mais balanço ao hino.

Após um rápido instrumental espontâneo de André Calore chegamos a Dou-me inteiro a Ti, que traz uma oração de entrega e reconhecimento a suficiência de Deus em nossas vidas. Refrigério que devemos cultivar todos os dias. Um órgão hammond dá um toque a mais de qualidade na canção.

Meu salvador é um hino de exaltação a Jesus e mantém a atmosfera contemplativa da canção anterior. Como já comentei acima, as melodias são muito bonitas, mas essa supera todas as outras. Excelente!

Elevo os meus olhos é mais uma que retrata bem a proposta do trabalho que é um cd de black music com influências da MPB.
70x7

(CD) 01/05


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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo é cristão e membro da Comunidade Evangélica Betel (RJ). É militar e curte música, filmes e games (não necessariamente nesta ordem). É o principal colaborador do SuperGospel desde 2005.


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