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Confira nosso bate papo com Dale Thompson, ex-vocalista da Bride, sobre novos projetos musicais

Redação em 03/02/16 2116 visualizações

Por Robson Machado

Dale Thompson é uma das maiores vozes do rock e do metal. Ele é mais conhecido por seu trabalho com a Bride, banda que fundou no início dos anos 1980 com o seu irmão Troy Thompson e com a qual tocou até 2013, quando foi decretado o fim. Nascido e criado em Kentucky (EUA), o agora cidadão neozelandês retorna com um novo projeto chamado The World Will Burn. Eu tive o privilégio de viajar com a Bride pelo Brasil como intérprete e gerente de turnê em 2005 e 2006. Foi então quando conheci Dale e tive o prazer em conferir a sua potente voz e impressionante desempenho no palco.

Dale arrumou um tempinho em sua agenda e nos concedeu uma entrevista onde falou sobre o seu mais recente projeto, vida e sobre uma possível reunião da Bride.


Olá, Dale! É sempre bom falar com você, irmão. Como estão as coisas?
Eu estou ótimo. Estou com saúde e Deus me abençoa todos os dias.

Muitas pessoas ainda não sabem que atualmente você mora na Nova Zelândia. Há quanto tempo você está aí e por que você decidiu mudar-se?
Eu estou na Nova Zelândia há cerca de dois anos. Eu me tornei um residente permanente legal por meio do processo de imigração. Eu fui atraído a vir para cá por causa da minha esposa, Adelinde, que eu conheci on-line e depois de um ano de namoro on-line estávamos convencidos de que deveríamos nos casar. Então, sim, eu deixei os Estados por uma mulher.

Como e quando tudo começou para o The World Will Burn?
Quando mudei dos Estados Unidos para a Nova Zelândia comecei a procurar por músicos, na esperança de iniciar um projeto de gravação. No entanto, a Nova Zelândia parecia ser limitada no que eu estava procurando e os músicos que eu encontrei, foram bons, mas queriam seguir uma direção diferente da que o que meu coração estava me levando. Eu já tinha desistido, pensando que a minha carreira de gravação tinha terminado, foi quando o meu bom amigo, Alan Zaring, enviou-me algumas de suas músicas pela internet. Quando ouvi os riffs de guitarra “uma coisa falou ao meu coração” e eu o respondi, dizendo: deixe-me escrever algumas melodias e letras para suas músicas. Nenhum de nós queria uma Bride parte 2 e por isso fizemos todo o projeto completamente diferente do que Troy e eu escrevíamos para a Bride. Isso tudo aconteceu há alguns meses e desde o contato inicial, Alan e eu temos trabalhado a longa distância para fazer o The World Will Burn uma banda que seja atrativa para os fãs de hard rock.

Você e Alan moram bastante longe um do outro. Como foi o processo de composição e gravação?
Alan me enviou a verba para comprar uma pequena unidade de gravação e um microfone. Eu não tinha absolutamente nenhuma experiência como engenheiro. Ao longo dos anos eu fui apenas cantor e compositor na Bride e deixava o processo de gravação para os profissionais. Depois de um breve tutorial, usando o manual de instruções que veio com o meu aparelho de gravação, eu ensaiava a gravação. A coisa engraçada sobre todo o meu processo de gravação é que eu nunca entendi completamente o modo de usar o gravador, então eu não era capaz de corrigir erros. Eu literalmente tive que fazer todas as minhas partes do início ao fim perfeitamente em uma única tomada. Eu nunca encontrei o retrocesso ou os botões de avançar (risos). Quando eu pressionava para parar a gravação, voltava ao início da música. Gravei faixas de vocais principais, múltiplas vozes de fundo, e uma trilha de vocal com efeito e enviei tudo para Alan nos Estados Unidos e lá ele as montou interpretando o que eu estava tentando transmitir. Alan e eu nunca falamos ao telefone ou mesmo pelo Skype durante todo o projeto. Toda a correspondência foi feita através de mensagens. Tudo foi informal e complicado, mas de alguma forma funcionou maravilhosamente.

O que te influenciou mais para suas composições?
Eu fui realmente inspirado e influenciado por Adelinde, minha esposa, que me incentivou e me convenceu de que eu poderia de fato sentar-me em minha sala com a nossa cadela, Mischief, olhando para mim, gritar em um microfone e gravar um álbum de verdade com clareza e nível mundial. Se você pudesse ter me visto gravando (risos), você teria dito: ISSO NÃO VAI FUNCIONAR! Imagine-me com o cabelo despenteado, sem camisa, de bermuda, descalço, sentado na mesa da sala de jantar gravando o meu próprio vocal com fones de ouvido enquanto todos na casa tinham que permanecer em silêncio nos outros cômodos enquanto eu berrava os vocais. Em algumas trilhas os pássaros lá fora cantavam tão alto que saíram nas gravações. Sou muito grato que as guitarras de Alan cobriram os cantos das vigorosas aves na mixagem.

Você espera fazer uma turnê com o The World Will Burn?
Seria divertido fazer uma turnê com o The World Will Burn, mas receio que os meus dias de turnê terminaram. Gostaria de fazer outro álbum para o projeto. Se Alan estiver inspirado, eu estou pronto.

Como vocês estão distribuindo o CD?
Alan está cuidando de toda a distribuição. Estamos fazendo tudo sozinhos neste momento, mas o CD estará disponível em todos os locais habituais, iTunes, Amazon, etc.

Com relação a Bride? Vocês esperam reunir-se novamente no futuro?
Isso está nas mãos de Troy, meu irmão. Se ele decidir escrever músicas para a Bride, ele não pode fazer a banda sem mim e eu não posso fazê-la sem ele, nós somos uma equipe.

Conte-nos algumas boas lembranças que você tem do Brasil.
O Brasil para mim foi o ponto mais alto nos 30 anos de toda a minha carreira. Eu quebrei meu pé em um palco no Brasil, eu toquei para uma multidão estimada em mais de 100.000 pessoas, eu conheci algumas das pessoas mais maravilhosas do mundo inteiro lá e eu deixei uma parte de mim lá. Lembro-me do último show que a Bride tocou no Brasil. Foi ao ar livre e eu estava empolgando pra valer quando um sentimento forte bateu em mim: "Eu talvez nunca mais esteja aqui novamente". Fiquei muito triste no palco, mas detonei, porque eu sempre dei o meu tudo para o povo brasileiro. Eu realmente tenho saudades de vocês.

Você poderia nos deixar uma mensagem?
Eu acho que como pensamento final – para concluir esta entrevista – em primeiro lugar gostaria de agradecer a você por conduzí-la. Para qualquer um em dúvida com relação a minha posição dentro do rock cristão... Eu sempre terei o mais profundo desejo de compartilhar a Boa Nova de Jesus Cristo com o mundo e viver a minha vida como um instrumento da paz de Deus neste mundo, que eu possa me apresentar de forma que reflita o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Cristão, pernambucano, casado e pai de três pequenos, Robson Machado é professor de inglês, intérprete e colaborador em matérias relacionadas à música. Louco por metal e rock ‘n’ roll desde o início da década de 1990. Atuou como guitarrista e vocalista em bandas do cenário da grande Recife.

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