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Em noite memorável, Mauro Henrique canta Beatles no Espírito Santo

Redação em 21/08/17 1261 visualizações

Que a noite do dia 17 de agosto foi histórica, não há dúvidas. Histórico para a música cristã, para o Clube Big Beatles e frequentadores do projeto “Sócio de Carteirinha”, realizado mensalmente pela banda que conta com o nome incluso no Hall da Fama do International Beatle Week. Noite essa em que Mauro Henrique disponibilizou sua potente voz para interpretar os sucessos do quarteto britânico que marcaram gerações e permanecem intactos até o atual século.

Em 1966, John Lennon, em entrevista ao “The London Evening Standard”, disse: "Nós somos mais populares que Jesus". Certamente, a frase fora de contexto publicada na época, possa vir de encontro ao presente contribuindo para que haja críticas ao músico Mauro Henrique. Porém, em 1969, três anos após a frase polêmica, a qual foi atribuída até mesmo a morte do integrante do The Beatles, em 1980, Lennon explicou a distorção ao CBC, mas - o que já era de se esperar – sua explicação não ganhou a mesma repercussão dada à sua fala pelo tablóide.

Na ocasião, o astro explicou: "De fato, os Beatles parecem ter maior influência sobre a juventude do que Jesus. Agora, eu não estava dizendo que isto era uma boa ideia, até porque eu sou um dos maiores fãs de Jesus Cristo. Se eu puder mudar o foco dos Beatles para transmitir a mensagem de Cristo, então, é isso que o grupo vai fazer. Talvez as igrejas não se encham por causa dessa mudança. Mas haverá muitos cristãos dançando nas casas de show. O que eles celebram, se Deus ou Cristo, não acho que seja importante, desde que todos estejam conscientes da mensagem do Evangelho". Ou seja, um ponto a menos para a crítica.

Quando se trata do momento histórico para a banda e frequentadores do evento, além de ser a primeira vez em que um músico cristão se apresentava, após 9 anos interruptos do projeto, o início do show foi marcado pelo anúncio da despedida de Léo Teixeira, vocalista e contrabaixista da banda,  que já não se encontrava mais presente no palco. O motivo da despedida repentina para o público, mas administrada pela banda, foi a mudança do músico para o exterior com sua família. Juntamente com o comunicado, Edu Henning apresentou o novo integrante do Clube, Márcio Yguer, que além de músico é produtor e formado em Filosofia e Teologia.

Após a devida apresentação e somente com a Banda Clube Big Beatles em cena, a noite ganhou vida com a canção “Strawberry Fields Forever”. Diferente de tudo que já ocorreu no palco durante as mais de duas décadas da banda, os meninos introduziram instrumental ao vivo à voz original dos Beatles na canção “Because”, gravado em 1969.  O resultado? Simplesmente incrível! A experiência será compartilhada na próxima semana no “International Beatleweek”, Festival dos Beatles em Liverpool. Dentre o vasto repertório da noite, um solo de tirar o fôlego de “A Day In The Life” ganhou a atenção do público. 

No momento em que se deu a apresentação dos integrantes do Clube Big Beatles, Henning não dispensou seu tradicional modo cômico de se apresentar através da utilização de máscaras com personalidades do mundo artístico e político. Na ocasião, o homenageado da vez foi Barack Obama, ex-presidente americano. No discurso, o líder do Big Beatles falou: “Para o aplauso de vocês, um sujeito que entrou no jogo para criar confusão. Para o aplauso de vocês o cara que foi substituído pelo outro, e o outro é pior que o cara. Para o aplauso de vocês o sujeito que ficou para trás para o outro entrar com o topete arrumando encrenca e o povo está todo preocupado por causa do cara que entrou no lugar do outro que era gente boa. Mas o cara que é gente boa, não está nem aí para nada e o sujeito que entrou chegou somente para arrumar confusão”.

Enfim, Mauro Henrique foi convidado para o palco depois de um discurso pouco usado anteriormente, em que Edu Henning disparou: “O convidado da noite é muito especial para nós. Primeiro que é um grande representante do rock, e acima de tudo é um grande cantor gospel. Um dos mais fortes cantores que a gente já teve oportunidade de ouvir, é um sujeito com um nível de interpretação altíssimo e um nível de exigência muito grande. Porém, sempre ficamos muito preocupados em convidar uma pessoa do segmento gospel, religioso, pois a chance do artista dizer não é muito grande. Mas não foi isso que aconteceu. Quando o convite chegou até o nosso convidado a resposta foi positiva imediatamente. Ele veio preparado, com a intenção de fazer legal e isso que é extremamente interessante.”  

O vocalista da banda Oficina G3 mostrou a que veio ao cantar “Let It Be!”,  mudando a frase original “Mother Mary comes to me...” por “Jesus Crist comes to me...”. Mauro Henrique surpreendeu ao auxiliar com uma “mão amiga” o guitarrista Junior Curcio cujo instrumento apresentou pane em meio ao show, sendo assistido nesse momento pelo convidado da noite, que segurou o plug da guitarra a fim de minimizar o mau contato para que a música pudesse ser concluída. Mauro não parou de surpreender e foi ovacionado pelos admiradores da obra dos Beatles ao cantar “Blackbird”, acompanhado somente pelo solo de guitarra comandado por Mark Fernandez.

Sempre espontâneo e deixando explícito seu respeito para com o som de Paul McCartney, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr, Mauro encerrou sua participação e a noite cantando “Ob-La-Di, Ob-La-Da”.

Na plateia, além do público de todas as idades, destacava-se a presença do também cantor Marcos Almeida, ex-Palavrantiga, e da jornalista, advogada e fã dos Beatles, Marcelle Altoé, esta em companhia do filho Anthony Altoé, que deixou Venda Nova do Imigrante, interior do estado, exclusivamente para acompanhar de perto Mauro Henrique interpretando Beatles. Questionada sobre o que achou da noite, Marcelle compartilhou: "Uma emocionante apresentação das mais belas e envolventes canções de todos os tempos! A banda Clube Big Beatles sempre foi a melhor referência capixaba dos quatro rapazes de Liverpool. O show foi diferentemente especial devido ao talento incomparável do cantor Mauro Henrique! Já o conhecia da banda Oficina G3 e sabia do seu potencial vocal que deu um brilho a mais às músicas dos Beatles. Parabéns a todos os envolvidos no projeto!!! É certeza absoluta que retornarei inúmeras vezes!!! Quem sabe, um dia, não dou uma palinha com eles?! (risos)".


Por fim, Mauro Henrique bateu um papo com a equipe do portal Super Gospel, na ocasião representada por Renatto Manga e Patrícia Follador. O músico compartilhou suas palavras a respeito do convite em abrilhantar a noite do projeto “Sócio de Carteirinha” do Clube Big Beatles, dos diversos trabalhos que desenvolve paralelos à Oficina G3; da substituição de Leonardo Gonçalves pelo mineiro Eli Soares no projeto Loop Session + Friends e ainda mandou um recado para os internautas que utilizaram o caso Daniela Araújo para atirar pedras e destilar das suas amargas opiniões. Confira a entrevista na íntegra:

Mauro, como se deu o convite para sua participação nesta noite em que a quebra de paradigma entre o meio não religioso e o evangélico se tornaram pauta?

Sabe com quem os meninos do Clube Big Beatles entraram em contato? Com o Marcos Almeida que é daqui do estado, aí o Marcos que passou meu contato para o Edu. Ele me ligou, pensei: “Que louco esse convite!”, nunca recebi um convite assim e achei muito legal. Eu não gosto desse rótulo “secular”, mas vamos dizer assim, que a galera do “secular” olhou para um cara do “gospel” e viu como músico, viu como música, sabe. Fiquei muito feliz com o convite por conta disso e outra, eu gosto muito de Beatles e sempre gostei. É como eu disse para outra entrevista, para o Jornal A Tribuna, que eu retenho o que é bom, fazendo o que a própria palavra de Deus fala: tudo tem coisa boa. Se falar que existe arte ruim e arte boa, sei lá, é meio estanho falar assim, do mesmo jeito que o ser humano não é inteiramente ruim nem inteiramente bom, a gente erra, a gente tenta ser bom e erramos tentando. Eu acredito muito nisso, independente do credo das pessoas, quem anda com Deus, anda com Ele independente do local onde esteja, se eu estou cantando em um evento, digamos “secular”, ou se eu estiver em um dentista ou em qualquer outro lugar, Deus estará comigo o tempo todo. E a expressão de Deus é justamente esse relacionamento, essa liberdade que a gente tem com as pessoas sem pré-conceito que acaba causando nos corações das pessoas, tipo: “Caramba, que Deus é esse desse cara?”, pois realmente as pessoas se fecham no seu quadrado e acham errado se relacionar com quem não acredita em Deus. Eu nem procuro saber no que acreditam, pois para mim não importa, o que importa é o meu relacionamento com Deus, a confiança que eu tenho em Deus e a vida que eu tenho com Deus. E a forma que eu vou me expressar para as pessoas, sendo elas o que for será sempre essa. Os caras do Clube respeitaram meu espaço todo o tempo, conversando com eles, ficaram de cara com meus papos e eu acho que era exatamente isso que Jesus fazia. Eu achei essa experiência linda! 

Hoje sua carreira conta, além do vocal na banda Oficina G3, com o projeto Loop Session + Friends, aulas online e participações como a de hoje, por exemplo. Como você vem administrando essa vasta agenda?

Eu realmente trabalho muito. Confesso que estou precisando de férias (risos). A Tour do Loop Session + Friends está terminando agora; então estou começando a ficar mais tranquilo, mas em setembro o Oficina G3 já está com a agenda cheia até o final do ano, então vamos trabalhando. O Oficina sempre foi meu primeiro plano, então todos os finais de semana exclusivamente para eles. O que sobra é de segunda a quarta, no máximo estendo até quinta, esporadicamente. Assim consigo realizar meus projetos pessoais, assim como os meninos do Oficina também fazem.

Ainda se tratando do projeto Loop Session + Friends, como ocorreu a troca de Leonardo Gonçalves pelo mineiro Eli Soares? 

O Léo já tinha avisado para mim antes de começar o “Loop Session + Friends” que ele ia dar um tempo em 2016, mas ele foi claro: “Cara, só não vou dar um tempo agora, justamente porque estamos nesse projeto e está muito legal”. Ele gostou muito da vibe, o Loop tem uma dinâmica muito diferente de qualquer outra coisa, foram quase um ano e meio com o Léo no projeto, ele deixou claro que iria parar em 2017, anunciou isso depois, mas nós já sabíamos. Quando o Léo foi embora eu nem pensava em nada mais além de descansar, pois tivemos um ano de muito trabalho em 2016. Aí, depois de tudo, o nome do Eli Soares veio muito fácil, pois eu já gostava e gosto muito dele cantando, ele é um “animal”. Fora que ele é uma pessoa muito boa, muito legal de relacionar e a Tour está sendo incrível, estamos curtindo muito. Assim, não foi nada difícil escolher o Eli, eu só via ele, mesmo a galera cogitando nomes como Renato Vianna e outros eu logo coloquei ele e está sendo sensacional. 

Recentemente tivemos o caso ocorrido com Daniela Araújo, que tomou a opinião pública na internet e ganhou outro patamar de discussão: a intolerância com o erro alheio no meio cristão. O que você, como um influenciador do mercado cristão, aconselharia para futuros posicionamentos em momentos de tanta fragilidade? 

Isso não é bíblico. Se você é um crente “xiita”, vamos dizer assim, na verdade qualquer meio tem pessoas “xiitas”, seja no Candomblé, na política e outros terá um cara “xiita”. No meio dos crentes, ser assim, a pessoa estará sendo como os fariseus e Cristo ia justamente contra eles. Cristo se sentava à mesa com pessoas que você não imagina, entende?! Por que Cristo era Ele o tempo inteiro, Ele nunca se separava, pelo contrário, ele trazia as pessoas para perto. Quando as pessoas são crentes que ficam julgando e colocando o dedo na cara, eles só se tornam semelhantes aos fariseus e ao capeta, a realidade é essa. A naturalidade do nosso coração, ser humano carnal é essa, mas a naturalidade de Cristo, a vida espiritual não é essa, é uma vida de perdão, de misericórdia. A própria palavra falava para os judeus, ainda no velho testamento: “Misericórdia eu quero!” (Os 6:6a). Misericórdia está acima das coisas. Você ser perdoador, você ser misericordioso está acima das coisas. O amor, ele prevalece, é o maior dom que há, então assim: quando a pessoa age apontando o dedo na cara e não ajudando, nem tentando entender o que está passando na vida da pessoa para estar acontecendo isso com ela, mostra o quanto a ausência de amor está em nossos corações.

Por Renatto Manga

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