Análises

Há quase 10 anos, o Katsbarnea lançava um disco de inéditas - A Tinta de Deus. Confira nosso review retrospectivo

Tiago Abreu em 03/03/16 1540 visualizações
Quando Paulinho Makuko canta sobre um "novo tempo" em Primavera, ele não diz da boca para fora. O primeiro disco totalmente inédito do Katsbarnea após o "fim" que a banda sofreu em 1999 com a saída de Brother Simion, e a posterior reformulação que levou o grupo de volta a estrada, também foi o único projeto do conjunto paulista a realmente respeitar o seu legado e história.

Não há nostalgia ou excesso de referências. O disco olha muito bem para a frente. Paulinho Makuko, como letrista, nunca soou tão bem. Como vocalista, também. Através de riffs inspirados de Déio Tambasco e bases eficientes de Marcelo Gasperini, a produção de Dudu Borges consegue funcionar na maior parte do tempo. Os experimentalismos estão aqui sim. Mas, desta vez, beberam da fonte do rock britânico.

A Tinta de Deus é a melhor faixa do projeto em todos os aspectos. Aqui está tudo: Aquela crítica social sempre com um senso de dinâmica em arranjos experimentais - que cresce até se tornar um hard rock - mas sem copiar, descaradamente, fórmulas antigas. O peso existe em outras faixas como Bom Encontro e Game Over, com reflexões existenciais regadas a guitarras que dialogam muito bem com os hammonds de Dudu.

Entre as faixas mais pesadas, o disco esbanja outro ponto forte. Duas baladas de A Tinta de Deus, de imediato, chamam a atenção. Caminho e Perto de Deus deixam o Katsbarnea pop como nunca. Com simplicidade e sem mediocridade, na medida. Dentro desta proposta, óbvio que há falhas. Uma Certeza aposta em repetições exaustivas que, de certa forma, desgastam o projeto.

Nas mais experimentais que finalizam, O Verbo e O Amor Sempre Ganha, o álbum cumpre o seu papel e chega a essência do Katsbarnea. A espontaneidade e entusiasmo aqui se faz presente, mas com uma sonoridade sólida que não se via desde o primeiro projeto. Aqui eles provaram que o espírito da banda, antes canalizado por Simion, foi assimilado também pelos outros componentes que viveram aqueles tempos gloriosos, mas com suas especificidades e caráter próprio.

Nota: ★★★★☆
A Tinta de Deus

(CD) 01/07


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Tiago Abreu

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), escreveu para o Super Gospel entre 2011 a 2019. É autor de várias resenhas críticas, artigos, notícias e entrevistas publicadas no portal, incluindo temas de atualidade e historiografia musical.


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