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Ouvimos Asas, um dos clássicos de Brother Simion - Confira nossa crítica retrospectiva

Tiago Abreu em 04/02/16 1391 visualizações
Asas, quarto trabalho da carreira solo de Brother Simion, é um projeto de transição. Com o objetivo de intrincar faces diferentes do músico, foi o primeiro a trazê-lo com perfil de artista solo. Seus trabalhos anteriores foram caracterizados fortemente pela imagem de um músico só. A Promessa (1996) foi o primeiro a quebrar este padrão, enquanto o sucessor reforça estas mudanças.

Não somente em relação a musicalidade, a obra indica temáticas mais próximas de seus trabalhos no Katsbarnea. Faltava um ano para o músico anunciar o fim do grupo, e Asas fielmente traz o perfil do conjunto para a sua carreira solo. Como principal (e único) compositor do Kats, Brother Simion sabe como uma música deve soar.

A preocupação ambiental é recorrente no projeto. SOS Terra clama pela liberdade ao dizer que “de inferno e misérias já estamos fartos”. Tempestade é mais forte ainda quando mescla elementos eletrônicos, riffs incisivos de guitarra e versos que apelam para o apocalipse, o caos urbano e o pecado que, segundo o cantor, são demonstrações do sofrimento humano perante doenças como o câncer. Elementos eletrônicos que não são nem um pouco tímidos na produção de Amaury Fontenele, e prévia da alma do projeto sucessor, Na Virada do Milênio (2000).

Sutileza não é característica de Asas. Nas dez faixas, o projeto não possui a menor pretensão de passar desapercebido e caminha por um som eclético. Canguru Águia, a música de menor destaque do álbum, recorre ao axé. Reggae Street, como o nome sugere, vai pelas raízes do reggae com sintetizadores e versos românticos de confissão. O teor vertical dos discos solo anteriores também estão na regravação do folk Etéreo e o hit pop Asas.

O baixista Paulo Anhaia abrilhanta em Hey, Brother, música que retrata a habilidade de Simion em criar grandes músicas com poucos acordes e temas futuristas. Mas é I Hope You See the Light, hard que finaliza o projeto e se destaca pelo solo afiado de Dico. Um dos pontos altos em sua discografia, Asas prova bem as múltiplas faces do trabalho artístico de Brother Simion.

Nota: ★★★★☆
Asas

(CD) 11/98


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Tiago Abreu

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), escreveu para o Super Gospel entre 2011 a 2019. É autor de várias resenhas críticas, artigos, notícias e entrevistas publicadas no portal, incluindo temas de atualidade e historiografia musical.


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