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Ouvimos o álbum mais recente de Felipe Valente - Reversos. Confira nossa avaliação

Tiago Abreu em 04/05/17 2977 visualizações
As opiniões acerca das habilidades de Felipe Valente como compositor são quase unânimes. Afinal, basta remeter, por exemplo, ao repertório recente de intérpretes como Leonardo Gonçalves e Gabriela Rocha para constatar que o artista tem, em seu histórico, boas canções. Mas como cantor, Felipe produziu Metade (2007) e FV (2009), discos que, por suas tentativas populares, não convencem tanto.

Com a distribuição do selo LG7 pela Sony Music Brasil, Reversos foi lançado com a missão de apresentar Valente ao grande público evangélico que ainda não conhece seu trabalho. E o resultado é semelhante, embora um pouco melhor, aos seus dois trabalhos anteriores: Disco predominantemente pop, autoproduzido e cheio de passos ousados que, em vezes, parecem ser grandes demais para a dimensão de Felipe.

O que há de esmero na produção de Reversos falta em termos de repertório. Despreocupado, a música de trabalho, é uma canção pop intensa e eficiente no que se propõe. Mas, em seguida, o disco se alterna entre bons momentos e canções irregulares. Enquanto Canção de Quem Fica aposta em uma sonoridade delicada, Não Ando Só é tão comum em seu tom de rock alternativo que parece beber diretamente de alguma música do Kings of Leon. Por outro lado, quase oposto, temos o post-rock Outra Ordem, conduzido de forma intimista.

Felipe não é um grande intérprete. É, sem a menor dúvida, correto no que faz, mas para o padrão de intérprete pop, não é o suficiente. O repertório que é de sua propriedade exige agudos. E, neste aspecto, Valente é mais eficiente nas regiões médias. Em Aleluia, por exemplo, é encontrada uma direção vocal eficaz que vai além das programações e efeitos à lá Coldplay da introdução – e, diga-se de passagem, é um dos melhores arranjos do álbum. Monte Nebo é quase uma consequência de “Jamais”, com uma musicalidade graciosa, constituída por um naipe de cordas que ganha protagonismo.

Mesmo diante de todos os seus deméritos, o terceiro registro é claramente mais esforçado que os anteriores de Felipe Valente. Ainda sofre de inconsistências e do esforço em incorporar canções mais agudas. Quando Felipe mostra seu perfil mais intimista, o trabalho ganha mais legitimidade e força. Se capaz de ignorar os problemas de ritmo, o ouvinte de Reversos pode encontrar um álbum agradável.

Nota: ★★★☆☆
Reversos

(CD) 01/17


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Tiago Abreu

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), escreveu para o Super Gospel entre 2011 a 2019. É autor de várias resenhas críticas, artigos, notícias e entrevistas publicadas no portal, incluindo temas de atualidade e historiografia musical.


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