Análises

Ouvimos o disco mais recente de Léa Mendonça - Adoração na Guerra. Confira nossa resenha

Tiago Abreu em 24/08/17 1786 visualizações
Depois de trabalhar com Kleyton Martins e Silvinho Santos em Autoridade e Unção (2015), o follow-up de Léa Mendonça é assinado por Rogério Vieira. Nas palavras da artista carioca, Adoração na Guerra é um registro cuja temática visa mostrar que "nós não adoramos a Deus apenas quando levantamos as nossas mãos. Adoramos ao Senhor também na nossa guerra, na nossa luta!". Em suma, o registro é uma miscelânea de temas explorados intensamente pela cantora desde Superação (2008), como vitórias, reviravoltas, traição e milagres.

Do aspecto artístico, vale salientar que Mendonça é pop demais para ser considerada uma cantora pentecostal e suas músicas são horizontais e humanas demais para se enquadrar dentro no louvor congregacional. Dessa forma, Léa se estabeleceu numa posição atípica no cenário evangélico ao conseguir tratar, por um lado, de provisão divina e, de outro, os desafios da vida cristã. O impasse existe quando essa mistura indica uma cristalização de seu trabalho.

Como compositora, Léa assina cinco faixas que, do ponto de vista estético, cumprem perfeitamente sua identidade. As outras cinco músicas, no entanto, são exatamente os pontos de maior visibilidade do disco e são de qualidade questionável. O single Vem Coisa Nova por Aí, de Dimael Kharrara e Jonathan Paes, é hermético em seu discurso do alcance divino. A fase ruim, em direção a um bom futuro, é indicada sob uma oposição moral muito simplista de vitória sob os inimigos, algo também explorado em Vai Ter Virada e O Gigante Caiu, uma continuação natural de "Eu Mato Esse Gigante" (2013).

Rogério Vieira, como arranjador e tecladista, estruturou as canções com musicalidade pop rock. Os refrães engajados e pulsantes do pentecostal são unidos em performances as quais variam entre a inquietude e a concentração de Charles Martins e de Renan Martins. Sérgio Knust, nas seis cordas, ao lado de Rogério, cumpre função primordial em Ferido na Batalha e no tom noventista claramente honesto de Não Deixe Nenhum dos Meus se Perder, prova de que os instrumentistas cumpriram seus deveres fundamentais de dar vida as letras de encorajamento apresentadas no álbum.

A segunda parte do projeto é superior a contar, principalmente, pelo fato de Léa ser a compositora majoritária. Apesar do tom autoral, Quando o Inimigo Sou Eu faz uma abordagem totalmente diferente e até contrária da maior parte do álbum, ao refletir a complexidade da concepção de "inimigo" se comparada com o raso tratamento temático nas canções que Mendonça não é autora. A faixa, em si, é uma balada cuja suavização é também superior ao estilo anteguarda das antecessoras. O mesmo caminho de cautela é feito por O Viver pra Mim É Cristo e Viva com Propósito. Além disso, o que mais prejudica Adoração na Guerra é seu excesso de controle – é musicalmente e liricamente forte –, mas não avança em direção a algo mais orgânico.

Avaliação: ★★☆☆☆
Adoração na Guerra

(CD) 01/17


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Tiago Abreu

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), escreveu para o Super Gospel entre 2011 a 2019. É autor de várias resenhas críticas, artigos, notícias e entrevistas publicadas no portal, incluindo temas de atualidade e historiografia musical.


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