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Ouvimos o lançamento de André Valadão - Crer para Ver. Leia nossa crítica

Tiago Abreu em 14/03/16 4925 visualizações
Crer para Ver é um bom ou mau álbum dependendo do tipo de abordagem que se faz acerca da obra. Desde Minhas Canções na voz de André Valadão (2010), André assume um caráter mais pop em suas músicas, se rende a letras simples e arranjos cada vez mais despretensiosos. Se você imaginá-lo como um astro que realiza grandes shows e direciona seu foco artístico para canções acessíveis para os eventos que atua, o olhar é um pouco mais positivo e certas incoerências são até justificáveis. Mas se você pensar que André Valadão deixou de fazer registros equilibrados e relativamente inteligentes como Sobrenatural (2008) e Fé (2009) para render-se a um caminho fácil como o do novo projeto, lançado recentemente, será uma tarefa difícil ouvir Crer para Ver.

Tecnicamente, a obra não é um desvio grande do que André fez em Fortaleza, lançado em 2013, produzido em parceria com o músico André Lafaete. Embora a captação e mixagem soe insuficiente em certos momentos, a musicalidade do músico segue a mesma. Arranjos pop com riffs de guitarras à vera, naipe de metais e toda aquela interatividade com o público que o cantor gosta de enfatizar, tudo bem exposto na planetshakerniana Eu Danço que introduz tudo. Mas as letras aqui são muito abaixo do nível que se espera e se dissolvem em uma teologia rasa e confusa. Vou me Lembrar do quê? te fará lembrar o quão os versos deste projeto são previsíveis e subestimam a inteligência do público. É pra Lá que eu Vou é impagável neste aspecto, principalmente quando Valadão canta que "vou declarar a promessa / pois quem me prometeu / não foi eu / foi Deus". Depois, o intérprete até tenta ser contextualizado ("lá não vai ter contas pra pagar"), em clara influência de Janires, mas nada que seja natural.

As regravações Eu e Minha Casa e Abraça-me - esta última como uma peça semi-instrumental - são desnecessárias. Ela ficou extremamente inferior a original que, lançada há apenas sete anos, não precisaria, de forma alguma, ser regravada. Outra parte é composta pelas manjadas gravações de versões. Aqui, o intérprete escolheu Muralhas e Encontrei-me em Ti, mas não há nada de muito interessante sobre elas. No fim das contas, o repertório autoral e inédito (o que mais importa) não transmite sinal de novidades na carreira do músico, cuja carreira caminha com passos largos para a irrelevância artística.

Nota: ★★☆☆☆
Crer para Ver

(CD) 01/16


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Tiago Abreu

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), escreveu para o Super Gospel entre 2011 a 2019. É autor de várias resenhas críticas, artigos, notícias e entrevistas publicadas no portal, incluindo temas de atualidade e historiografia musical.


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