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Ouvimos o lançamento de Soraya Moraes - Shekinah. Leia nossa crítica

Tiago Abreu em 07/03/16 3993 visualizações
Existem certos discos no mercado evangélico que o ouvinte, em sua primeira audição, chega a conclusão de que deveria ter tido o devido cuidado em aspectos técnicos básicos, como produção musical, arranjos, repertório e principalmente gravação. O novo trabalho de Soraya Moraes, Shekinah, é um deles.

Através da produção de Marco Moraes, Marinho Brazil e Fernando Paiola, o álbum tem a pretensão de soar eclético. E soa, tanto para o seu bem, quanto para o seu mal. Soraya Moraes, uma das intérpretes do cenário evangélico de maior poder vocal, é uma artista versátil por si só. Em sua carreira, explorou diversos gêneros e sonoridades com grande naturalidade. Aqui, a cantora faz o mesmo e a proposta de manter a identidade construída funciona. Mas a gravação parece não dar conta do recado e se perde em um repertório fraco.

A mixagem é desequilibrada. A versão Glorioso abre o projeto com captações ao vivo de edição digital e arranjo insuficientes. O baixo não tem brilho e os sintetizadores são completamente desconexos com a sonoridade frentes a gravação original, de BJ Putnam. O vazio permeia a maioria das faixas. Deserto, composição de Ana Paula Valadão, tem todos os prós de uma composição bem desenvolvida do Diante do Trono. Mas o que Soraya faz, através da musicalidade e interpretação, não agrega valor. Grande eu Sou, outra versão, novamente traz coberturas de teclado pouco criativas, enquanto o naipe de cordas não consegue se destacar frente ao conjunto da obra. Ela é muito inferior a gravação da mesma música feita pelo Adoração e Intimidade no álbum Ele nos Amou (2014), por exemplo.

A participação de Damares em Vaso de Alabastro é secundária frente a Jardim do Teu Altar. Aqui, Ton Carfi e o arranjo vocal quebram o padrão modorrento das faixas anteriores. Mas é o único momento. As canções sucessoras seguem o mesmo caminho. A sensação é que falta um senso de dinâmica que sempre permeou as obras de Soraya. São duvidosas como o single Feliz. Shekinah é um disco que tenta obedecer o estilo de Soraya dentro de sua zona de conforto, mas o máximo que consegue fazer é soar uma coletânea mal organizada com versões demo.

Nota: ★★☆☆☆
Shekinah

(CD) 01/16


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Tiago Abreu

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), escreveu para o Super Gospel entre 2011 a 2019. É autor de várias resenhas críticas, artigos, notícias e entrevistas publicadas no portal, incluindo temas de atualidade e historiografia musical.


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