Análises

Ouvimos o mais recente disco da banda Militantes - Por um Segundo. Confira a nossa crítica

Tiago Abreu em 19/03/16 1954 visualizações
"Não vou deixar / minha porta fechada / Não vou deixar / você partir assim", canta o novo vocalista Darlan em Ah, o Amor..., uma espécie de interlúdio de Por um Segundo, novo trabalho dos Militantes.

Em uma trajetória de quase dez anos, o grupo evoluiu e amadureceu. Das mensagens abertamente religiosas de Tudo Vai Mudar (2002), a transição cheia de humor de Escute o que Digo e Faça Como eu Faço (2004) ao discurso político-social de Destrua o Controle (2010), o grupo paulista permeou um caminho cheio de nuances e incongruências. É natural que para um grupo que surgiu entre a geração do "rock gospel" e a safra posterior que foi renunciando, pouco a pouco, os rótulos da música, tenha seus sensos de inadequação.

Com a saída do vocalista e baixista Cleber e do guitarrista Fábio Custódio, os remanescentes Kako Alves (bateria) e Fábio Garcia (guitarra) tiveram espaço e justificativa para mudar muita coisa. E o novo álbum do Militantes traz definitivamente uma nova banda. E como em todo projeto de estreia, tenta mostrar todas as possíveis faces desta formação. Heterogêneo até demais, Por um Segundo varia entre grandes momentos e fases pouco inspiradas.

A banda diz que o disco é dividido em dois atos específicos. Um deles é dedicado a novas vertentes musicais e outra a um som mais fiel ao que construíram anteriormente. Mas, na prática, essa divisão só soa realmente clara através do "choque" causado pelo interlúdio. O punk ficou para trás em quase tudo. Eles assumem o hardcore melódico com orgulho no single Redenção, mas a influência de bandas como o Dead Fish, por exemplo, se vê também nas duas primeiras faixas. Os versos de Último e Primeiro remetem ao simplismo de Tudo Vai Mudar. Por outro lado, a obra também esbanja um pouco da rebeldia de Destrua o Controle com Politicamente Correto, mas claro, sem toda a atitude do projeto anterior.

A participação de Zé Bruno em Enquanto se Pode Achar lembra bem de onde vieram e toda a caminhada feita até aqui. E de fato, em quinze anos, eles cresceram muito. Ainda é cedo para dizer se a nova formação da banda supera a anterior. Mas se o grupo continuar a amadurecer nos próximos projetos, como fez nos anos anteriores, garante discos promissores. Por enquanto, o quarteto mostra que está recomeçando com novo fôlego.

Nota: ★★★☆☆
Por Um Segundo

(CD) 01/15


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Tiago Abreu

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), escreveu para o Super Gospel entre 2011 a 2019. É autor de várias resenhas críticas, artigos, notícias e entrevistas publicadas no portal, incluindo temas de atualidade e historiografia musical.


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