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Ouvimos o novo álbum de Davi Sacer - Meu Abrigo. Confira nossa crítica

Tiago Abreu em 11/01/16 4945 visualizações
A premissa de Meu Abrigo, novo álbum de Davi Sacer, é de afirmar que suas músicas funcionam melhor ao lado de Ronald Fonseca, após trabalhar cinco anos ininterruptos com Kleyton Martins. É o primeiro registro de Sacer e Fonseca juntos desde Salmos e Cânticos Espirituais (2009), último projeto do cantor como um dos vocalistas do Trazendo a Arca.

Deus não Falhará, lançado em 2008, cuja produção musical e várias composições são de Ronald, é certamente um dos melhores trabalhos solo de Davi. O novo álbum, no entanto, possui compasso pop extremamente distinto e é mais parecido com as obras assinadas por Kleyton. As performances são competentes, as músicas inéditas são comercialmente viáveis, embora repita temáticas e recicla ideias antigas com ares de novidade.

As regravações de Venha o Teu Reino (do álbum homônimo, de 2014) e Quero ser como Tu (gravada pelo Trazendo a Arca após a saída de Ronald, no álbum Na Casa dos Profetas, de 2012) explicam bem a nítida mudança musical que o cantor tenta seguir desde o seu último disco de inéditas. As músicas estão orientadas pelas guitarras de André Cavalcante e Luciano de Souza. Chegou o Tempo, pop rock explosivo de refrão chiclete, contém pesados elementos eletrônicos, explorados com maior força na faixa de abertura, Tudo Posso em Deus, assinada por Sacer, Scooby e Luiz Moreira. Moreira, que se faz presente como co-autor em seis das catorze faixas do repertório, é responsável pelas linhas de baixo ao lado de Marcos Natto em músicas como Senhor de Tudo, em que o groove faz com que as execuções dos teclados e loops de Ronald sejam as mais simples possíveis. Apesar da simplicidade, é totalmente eficaz.

As faixas lentas e contemplativas, em parte, ainda soam arrastadas como no disco anterior. No entanto, a transição em Meu Abrigo funciona bem e faixas como Teu Amor Me Falha garantem a consistência da obra. Rocha Inabalável é uma das canções mais imponentes do registro, com destaque para o arranjo de Fonseca. Eu Restauro, assinada por Davi e Ronald, por sua vez, é repetitiva por ser referência de "Restitui", um dos maiores hits escritos por Sacer e seu ex-companheiro Luiz Arcanjo. Digno é o Senhor, antes conhecida na voz do capixaba Lucas Souza, tem tom temático que se assemelha à "Razão de Tudo", do álbum Às Margens do Teu Rio (2012). O riff da balada Meu Destino é a Rocha e a mixagem dada a esta faixa, em especial, denota a influência norte-americana crescente nos projetos do cantor.

Com um disco que pretende agradar, especialmente por suas faixas mais agitadas, demonstra a busca incansável de Sacer por novos sons. Mesmo com a participação de Ronald Fonseca, instrumentista que é conhecido por imprimir influências clássicas em faixas congregacionais, a obra soa pop como nunca. Com um disco fortemente popular, Davi continua a ser um dos nomes de maior destaque nos templos brasileiros.

Nota: ★★★★☆
Meu Abrigo

(CD) 12/15


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Tiago Abreu

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), escreveu para o Super Gospel entre 2011 a 2019. É autor de várias resenhas críticas, artigos, notícias e entrevistas publicadas no portal, incluindo temas de atualidade e historiografia musical.


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