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Ouvimos o novo álbum do Preto no Branco - Preto no Branco 2. Confira nossa crítica

Tiago Abreu em 15/01/18 3291 visualizações
De todas as hipóteses que podem ser feitas do sucesso extremo que o Preto no Branco fez com "Ninguém Explica Deus", faixa do primeiro disco lançado pela Sony em 2015, a melhor sem dúvida é aquela que enxerga nas parcerias e regravações o alicerce para que, mais tarde, uma banda de fato surgisse. E assim acredito. Preto no Branco não parecia disco de um grupo fixo, e sim uma espécie de supergrupo daqueles que surgem para lançar no máximo dois discos.

Os meses passaram e o single "Fé na Vida" dava pistas que o grupo estava pronto para mostrar sua identidade. Sob produção musical do tecladista e vocalista Weslei Santos, Preto no Branco 2 é um trabalho surpreendente tanto pelos aspectos técnicos de edição e estrutura, quanto em elementos artísticos das composições. O trabalho que, apesar de ter número de faixas equivalentes a um EP tem duração suficiente de um álbum, permite que, ao contrário do primeiro registro, o destaque seja o trabalho colaborativo de Clovis, Weslei e Luan, ao invés de garantir sua força nas participações especiais.

Não que as participações não abrilhantam, muito pelo contrário. Mas a maturidade poética de Me Deixe Aqui permite ser a melhor composição da banda lançada até agora. Priscilla Alcantara e Lorena Chaves encontram sintonia na habilidade de Weslei e Clovis em conduzir duetos com nomes femininos. O Tempo, aliás, parece beber um pouco da mistura setentista brasileira e com o rock dos anos 1960 como fora feito pelo Skank em "Dois Rios" e se destaca dentre as melhores melodias do CD - inclusiva pela esperta referência de "Carinhoso", do compositor Pixinguinha. Riffs de guitarra se encontram com arranjos de metais pulsantes em Israel. A pressão elétrica não está de fora na balada Eu Te Senti, responsável por uma ponte esperta entre as canções pop rock e as faixas de sonoridade mais experimental.

Há coesão também nos discursos. As letras do disco são abrangentes o suficiente para fornecer uma visão apurada de temas religiosos e não-religiosos. Há espaço para orações, reflexões sobre a corrida do dia a dia, críticas contundentes e cuidadosas contra excessos de certos segmentos evangélicos (O que Fizeram de Você), e até temáticas cujas interpretações se fazem mais contextualizadas à narrativa evangélica, como O Sacrifício e Israel.

Apesar de Me Faz Voar ser a única canção que de fato destoe do disco, e a participação de André Valadão não gerar a mesma empatia que Chaves e Alcantara, o álbum se forma com bastante equilíbrio. Dentre os músicos, ainda dá evidência a Weslei Santos como compositor, intérprete e, principalmente produtor musical. Portanto, não é exagero afirmar que Preto no Branco 2 é, em termos práticos, o primeiro trabalho cuja musicalidade e repertório realmente dizem o que o trio mineiro artisticamente é.

Avaliação: ★★★★☆
Preto no Branco 2

(CD) 01/17


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Tiago Abreu

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), escreveu para o Super Gospel entre 2011 a 2019. É autor de várias resenhas críticas, artigos, notícias e entrevistas publicadas no portal, incluindo temas de atualidade e historiografia musical.


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