Análises

Ouvimos o novo disco de Jeferson Pillar - Lugar de Origem. Confira nossa crítica

Tiago Abreu em 10/03/16 5073 visualizações
Em seu terceiro disco, Jeferson Pillar alça caminhos grandes como cantor e compositor. Lugar de Origem, lançado pela Novo Tempo, é um álbum que exala amadurecimento. Em maior parte autoral, as temáticas e sonoridades garantem um registro bastante íntimo e honesto do músico.

Num teor autobiográfico, o trabalho pode ser dividido claramente em três atos específicos. O primeiro chama mais a atenção e trata de recomeço. A parábola do filho pródigo em Saudade é um plano bastante certeiro para as ideias de Jeferson exploradas ao longo dos versos. Há uma habilidade muito clara do cantor aqui em se expor, na medida certa, sem exageros. Quando o Galo Canta e Lugar de Origem, influenciadas por um indie folk que certamente poderia ser cantado pela dupla Os Arrais, são parte do ápice do projeto. Aliás, a influência dos irmãos é notável tanto na musicalidade quanto nas interpretações vocais suaves e pouco frenéticas que Jeferson Pillar traz neste álbum.

É no segundo ato que o disco escorrega um pouco e perde o foco. Mas mesmo assim, há canções muito boas como Amor Teimoso, um pop de percussão melódica que funciona muito bem e até mesmo Laodicéia, uma crítica extremamente contundente ao contexto contemporâneo do segmento evangélico brasileiro. A terceira parte de Lugar de Origem tem um caráter menos transitório e um olhar mais abrangente acerca dos descompassos na vida cristã. Mas Cansei de Mim, lá no final, rouba a atenção. É aqui, quando Pillar canta "Sou uma mentira", consegue reafirmar as reflexões presentes no projeto como algo cíclico e constante, um esforço diário cujo reconhecimento da imperfeição humana é a base de uma caminhada rumo à perfeição.

A produção de Suzanne Hirle é equilibrada. A musicalidade e tom dado as canções se complementam muito bem aos versos do cantor. Por vezes, as letras são "pesadas". É exatamente por isso que tocam na "ferida" do ouvinte e fornecem um diálogo pouco visto nos lançamentos recentes. Os arranjos transitam muito bem entre o pop rock e o folk, com certo minimalismo, mas nunca soam excessivos ou deficientes. Vale destacar o timbre das guitarras e violões que, na obra, chegam bem ao objetivo. Graças ao conteúdo lírico juntamente com uma produção polida, Lugar de Origem é o melhor trabalho de Jeferson Pillar até agora.

Nota: ★★★★☆
Lugar de Origem

(CD) 01/16


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Tiago Abreu

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), escreveu para o Super Gospel entre 2011 a 2019. É autor de várias resenhas críticas, artigos, notícias e entrevistas publicadas no portal, incluindo temas de atualidade e historiografia musical.


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