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Ouvimos o novo disco do Sing Out - Grande É O Senhor. Confira nossos comentários

Tiago Abreu em 28/08/17 1286 visualizações
Quem ouviu Ronald Fonseca em Meu Abrigo (2015), disco mais recente de Davi Sacer, sabe que o tecladista, desde sua saída do Trazendo a Arca, seguiu em processo de mutação musical. Assim, com o projeto Sing Out, o musicista apresenta Grande É O Senhor. A musicalidade é diretamente influenciada pelo movimento pop congregacional representado por australianos e norte-americanos (Hillsong, Betel, Planetshakers). Apesar disso, a diferença fundamental para não interpretar Fonseca como um composto de referências é sua instrumentação, a qual sempre parte de seus pianos e teclados. Isso o torna inconfundível quando o assunto é produção musical e arranjos.

Sua presença é predominante em Não É o Fim, piano e voz dramático de Fonseca envolvido na interpretação moderada e correta de Pedro Henrique. Pedro é o aspecto de maior novidade do disco. É um cantor que sabe tirar o fôlego do ouvinte na pop rock world Grande É O Senhor, mas também reconhece momentos de introspecção em Sabaot. Mary, por sua vez, possui um timbre vocal mais comum, mas suas expressões nunca tendem para o inusitado ou aos exageros. Fica Comigo se mantém em sua superfície de balada, por exemplo, graças à tranquilidade de sua voz.

Ronald, como produtor, mistura dois elementos muito presentes em sua música. Um de seus lados traz canções de duelo entre loops e guitarra, como a experimental Poderoso e Mora em Mim. O outro mescla fraseados de piano, ao molde mais clássico pelo qual é conhecido, em Kadosh. A parte lírica, por outro lado, é o fator que mais pesa negativamente ao disco. Fonseca nunca foi um letrista majoritário. No passado, as letras sempre estiveram mais ligadas à imagem de Luiz Arcanjo e Davi Sacer. É impossível não traçar comparações ao seu antigo grupo: Enquanto a sonoridade de canções como Pra Sempre empurram a banda para um ponto de modernidade, a parte lírica é pouco desenvolvida, pois pressupõe de temas fortemente explorados na carreira do músico. O reconhecimento da grandiosidade e santidade divina e o discurso de diminuição humana já é conhecido em autorais como "Me Levanta com Tua Destra" (2009), "Grande Deus" (2010), "Nosso Deus" (2010) e "Quero Ser Como Tu" (2012), o que faz Perdoa-me claramente familiar. O som, juntamente aos novos vocalistas, ganha evidente destaque e diminui a visibilidade de seus aspectos menos inspirados. Com uma produção sofisticada e autoconsciente, Grande É O Senhor é um manual sonoro para a música congregacional evangélica dos anos 2010.

Avaliação: ★★★☆☆
Grande É O Senhor

(CD) 01/17


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Tiago Abreu

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), escreveu para o Super Gospel entre 2011 a 2019. É autor de várias resenhas críticas, artigos, notícias e entrevistas publicadas no portal, incluindo temas de atualidade e historiografia musical.


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