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Ouvimos o novo EP de André e Felipe - Cadê o Vencedor? Confira nossa análise

Tiago Abreu em 29/04/19 1121 visualizações

Se poucos acreditam na sinceridade do sertanejo pop, André e Felipe prova que o ceticismo tem um fundo de verdade. Afinal, o EP Cadê o Vencedor? ostenta um repertório difuso e que lida com os restos de um gênero por si só desmontado, preso em convenções e chavões sonoros milimetricamente calculados e mastigados para as restritas rádios FM.

André e Felipe é literalmente a dupla sertaneja evangélica mais notória da década, o que não é um status competitivo ao considerar que Rayssa & Ravel, por quase duas décadas, foi a maior. Se Chuva de Poder (2011) representou a transição da dupla do pentecostal para o sertanejo até o auge em 2015, desde Na Estrada (2016) os músicos encaram dificuldades para atualizar o som e o discurso frente a um gênero de mutações aceleradas.

A faixa-título é o pleno sertanejo caricato de 2014, muito semelhante com “Noite de Louvor”, outra canção da dupla do álbum antecessor. Musicalmente festeira e superficial, ostenta versos repetitivos como “Cadê? Cadê? Cadê? Cadê? Cadê? Cadê? Cadê?”, uma pergunta que parece um jingle sem inspiração, pois preenche avulsamente o instrumental ao invés de colaborar no desenvolvimento de ideias.

O EP da dupla é um amontoado de propostas apresentadas pela metade. E parte de seu caráter desigual se caracteriza pela inclusão de três produtores de visões diferentes. A maior desvantagem pesa sob o pop worship Hananiel Eduardo, cujo som se caracteriza em sua forma mais automática e derivada na composição O Criador Plantou a Cruz, de Pr. Lucas.

Jimmy Oliveira, principal colaborador, não consegue construir a identidade da dupla no registro. Não Pare e Ambiente do Milagre atiram em diferentes direções. A obra não é essencialmente congregacional, não é necessariamente pop, e também não é pentecostal. A única canção bem resolvida e coerente é a poética Saudade, sob o comando do sertanejo e violonista Henrique Garcia, experiente nas seis cordas e na linguagem do gênero.

Desde que o dito sertanejo universitário passou a ser chamado apenas de sertanejo, alegria não é mais o que determina o gênero. A sofrência de Marília Mendonça e Zé Neto & Cristiano fez com que até os praianos Matheus & Kauan, uma referência muito forte para a música de André e Felipe, lançassem um disco calcado na tristeza acústica de bar há cerca de um mês.

Ou seja, estar por dentro das tendências não é o critério que move a música de André e Felipe. Se fosse assim, Cadê o Vencedor? estaria muito mais perto de Feliz Demais (2017) de Rayssa & Ravel, melhor registro evangélico do gênero dos últimos anos, que captou a angústia da vida moderna com seriedade e emoção a partir do histórico artístico dos músicos. Mas, ao contrário disso, o EP não esclarece a identidade da dupla em torno do cenário musical que a cerca.

Avaliação: 2/5

Cadê o Vencedor?

(CD) 01/19


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Tiago Abreu

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), escreveu para o Super Gospel entre 2011 a 2019. É autor de várias resenhas críticas, artigos, notícias e entrevistas publicadas no portal, incluindo temas de atualidade e historiografia musical.


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