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Ouvimos o novo trabalho da banda ternoesaia - Volume Dois. Confira nossa crítica

Tiago Abreu em 08/05/17 1666 visualizações
Desde que lançou o álbum Volume Um, em 2014, o grupo ternoesaia recebeu aclamação do público. Embora mostrasse potencial dos músicos, o disco, em si, ainda carregava certos problemas de coesão musical e lírica comuns na maioria dos lançamentos de estreia. Três anos depois, a banda apresenta Volume Dois, projeto que em muito avança o seu antecessor e mostra a maturidade musical do conjunto.

O primeiro trabalho do grupo se enveredou ao indie rock. Mas os grandes momentos do ternoesaia estavam em canções mais suaves, como "Torta". O segundo projeto, com produção musical e arranjos assinados pela própria banda, enfatiza o lado MPB/folk do conjunto, com maior riqueza poética e conceitual.

Bruna Santos e Nick Santos, como intérpretes, também estão mais maduros e desenvoltos. O entrosamento entre os cantores em Clareou e Nevoeiro são superiores a qualquer outro dueto presente no registro antecessor. Bruna, que é mais promissora e representa com maior versatilidade a música do ternoesaia, ganha mais espaço e canta mais músicas.

Grande mostra desta evolução se percebe em Laodiceia, a melhor música do disco. É uma referência vaudeville de arranjo versátil com um trabalho refinado de piano, ukelele e guitarra. Os versos carregam tanto o lado poético do grupo quanto uma veia sutilmente cômica como o estilo pede. Ainda, os riffs de baixo de Cleber Palharini são nada mais que sensacionais.

O álbum é, no geral, bastante equilibrado. Desde a veia pop com leves referências blues de Lâmpada, o tom íntimo de Paz Como um Rio, a sonoridade MPB pop de A Graça e os Três, o disco se garante. Matemática é outro momento que o sexteto usa-se do humor, com uma crítica evidente à concepção moderna de ciência, ao passo que se trata da complexidade da vida humana.

O lado folk da obra também conta com bons momentos, incluindo o single Incauto Azul e a final Manhã de Sol, que ganha mais densidade ao longo de sua execução instrumental. A influência rock está substancialmente menor. E até Ritmos da Graça, não tão ajeitada quanto deveria, especialmente em termos vocais, é mais bem estruturada que algumas canções apresentadas em Volume Um.

De aspecto alegre e luminoso, Volume Dois pode ser considerado um projeto que faz boa transição para o ternoesaia. Além disso, prova o sentido do hype em torno de sua música. O disco, cuja mixagem e masterização são do experiente Paulo Anhaia, é um prato cheio de boas composições.

Nota: ★★★★☆
Volume Dois

(CD) 01/17


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Tiago Abreu

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), escreveu para o Super Gospel entre 2011 a 2019. É autor de várias resenhas críticas, artigos, notícias e entrevistas publicadas no portal, incluindo temas de atualidade e historiografia musical.


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