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Ouvimos o novo trabalho de Fernanda Brum - Terceiro Céu. Confira nosso review

Tiago Abreu em 03/06/19 2566 visualizações

Até Glória (2010), Fernanda Brum era uma artista quase incansável. Sua fase a partir de Quebrantado Coração (2002) foi conduzida por registros corajosos e pautados em temáticas relevantes como missões, crises existenciais e a miséria humana. Mas o período formado por Liberta-me (2012) até Som da Minha Vida (2017), separados por um tecnicamente catastrófico Da Eternidade (2015), sinalizou uma crise típica de artistas veteranos que se tornam covers de si mesmos.

Um típico álbum de Fernanda Brum, depois de seus três registros mais recentes, se transformou na fórmula dos pianos oitentistas do pop cristão norte-americano + composições de Livingston Farias sobre cura interior + uma canção bônus com influências brasileiras pra demonstrar uma preocupação socioeconômica. A única diferença nestes três registros é que o projeto de 2015, ao invés de tomar por base Cura-me (2008), se apoiou em Apenas um Toque (2004) como referência congregacional.

Mas em 2019 Fernanda Brum parece tentar mudar a situação. O lançamento Terceiro Céu não soa necessariamente moldado em torno dos seus projetos clássicos e mostra a cantora observando novos horizontes. As faixas são predominantemente meditativas. O single És Real pra Mim possui os familiares pianos de Emerson Pinheiro, mas há uma influência new age que, em contexto evangélico, podemos classificar como uma ambientação "devocional". O mesmo ocorre em Eu Confio em Ti e sua versão em inglês I Will Trust In You, que contam com a participação de Shana Saint.

Ou seja, na maior parte do tempo, a cantora se mostra coerente com a ideia de um projeto de repertório feito no "quarto", algo que Limpe o Palco, Apague as Luzes sustenta com o discurso de intimidade e centralidade divina. Apesar de sua gravação ter se dado no Temple Studio, em Orlando (EUA), são poucos pontos os quais deixam o EP com ares mais pretensiosos. E, neste aspecto, Deus Me Fez Vencer (Knock Down) é o único momento destoante. É um rock radiofônico regressivo e banal, cheio de versos como "você zombou da minha condição pra geral" que tentam soar cool e, no máximo, soam supimpa.

Como produtor musical, Emerson Pinheiro ainda mantém o freio de mão puxado nas baladas. Meu Chamado é plenamente semelhante a todas as canções de trabalho de Fernanda Brum nos últimos anos, especialmente pela combinação violão/guitarra com as harmonias vocais. Entre músicas que avançam e outras de um estilo familiar, Terceiro Céu ainda não é um álbum com a mesma inventividade dos anos áureos de Fernanda, mas pode ser encarado como o seu trabalho mais esforçado em anos.

Avaliação: 3/5

Terceiro Céu

(EP) 01/19


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Tiago Abreu

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), escreveu para o Super Gospel entre 2011 a 2019. É autor de várias resenhas críticas, artigos, notícias e entrevistas publicadas no portal, incluindo temas de atualidade e historiografia musical.


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