Análises

Ouvimos o primeiro álbum da Quarto Fechado, Labirinto Meu. Leia nosso review

Tiago Abreu em 30/11/15 3003 visualizações
A Quarto Fechado de 2015 é a mesma em relação a de 2012. Os mesmos integrantes, as mesmas ideias. Unir introspecção e autocrítica ao som de um rock alternativo cru e direto foi o elemento marcante do EP Um Brinde ao Recomeço, lançado para download há três anos. O primeiro full-length dos jovens catarinenses, Labirinto Meu, segue o mesmo princípio.

Apesar de conter grandes semelhanças conceituais ao primeiro trabalho, a banda não quis utilizar canções do EP e traz dez faixas inéditas produzidas por Raphael Campos, vocalista da extinta Aeroilis. A parceria não poderia ser outra: O vocalista Helon Borba foi baixista do grupo de Campos por um ano.

As músicas do álbum revelam forte crise existencial e até mesmo teológica. No single Vem, Helon questiona: "Eu vejo um conflito / Meu livre arbítrio / Onde foi parar?". Referências calvinistas estão diluídas nas letras. Elas contextualizam a confusão explícita (e muito comum) de cristãos numa sociedade cada vez mais complexa. Os desafios vivenciados evidenciam, sem a menor dó, a crise do neopentecostalismo e suas respostas superficiais. Pai (Por Favor) é mais incisiva neste aspecto. Une riffs fortes do refrão à uma letra melancólica que confessa uma fé quase morta em dias maus. Primeiro Ato inverte a fórmula e questiona, com certo sarcasmo, o credo o qual "não move montanha, nem ninguém", presente em muitas instituições.

Labirinto Meu versa constantemente uma liberdade diretamente associada ao desprendimento do orgulho e da independência humana. As alternâncias de Queda e Colisão e o petardo das baquetas de Meu Umbigo fornecem o feeling pedido. Da mesma forma, reiteram a necessidade de se repartir. Em outros pontos, o trabalho até soa mais alegre, como em Um Novo Dia, mistura de Coldplay com um naipe de metais.

Mas o álbum não é só questionador. Apesar de tratar, explicitamente, temáticas do cristianismo, a Quarto Fechado nunca utilizou o rótulo "rock cristão". Com outros olhares, o trabalho ainda contém certo teor romântico. Dois Nós de Nós Dois é, de longe, uma das melhores canções do repertório. É a única que utiliza o teclado na introdução, pouco a pouco sobreposto pelas guitarras tão audíveis pelo projeto. Seus versos, no entanto, observam os conflitos humanos possíveis em um relacionamento.

Os relacionamentos humanos não são o foco de Labirinto Meu. O trabalho é essencialmente vertical. A obra destrincha e desconstrói o "eu" em função de um Deus responsável por propor recomeço e um novo caminho para seguir. No fim das contas, o álbum tem a função de aprofundar e dar continuidade ao que eles diziam no início da carreira.

Nota: ★★★★☆
Labirinto Meu

(CD) 10/15


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Tiago Abreu

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), escreveu para o Super Gospel entre 2011 a 2019. É autor de várias resenhas críticas, artigos, notícias e entrevistas publicadas no portal, incluindo temas de atualidade e historiografia musical.


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