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Ouvimos o primeiro trabalho solo de Clovis Pinho - Ninguém Explica Deus. Confira nossa crítica

Tiago Abreu em 22/08/16 5262 visualizações
O que esperar de um artista que, mesmo em anos de estrada, lança seu segundo disco em 2016? O que esperar de um cantor que já esteve nos principais vocais de uma das bandas mais notórias do cenário evangélico, o Renascer Praise, e depois de uma boa passagem pelo Preto no Branco, tem a oportunidade de mostrar mais de si? É óbvio que estas perguntas pairam no ar ao ouvir o segundo trabalho (com cara de estreia) da carreira solo de Clovis Pinho, Ninguém Explica Deus.

Uma resposta plausível para tantas perguntas é que, em um disco como este, é previsível crer que um cantor como Clovis terá a intenção de ‘mostrar responsa’. Na maior das vezes, a exploração de gêneros à vera e uma tracklist extensa são os recursos mais procurados. Uma regravação conhecida e, claro, aquele clima radiofônico em certas canções para dar o toque final. Equalize tantos fatores e tenha, finalmente, o disco de Pinho.

Porém seguir protocolos garante absolutamente nada. Na verdade, é um risco pela pasteurização. E, sem qualquer compromisso, o álbum é uma avalanche musical. As letras são pomposas. Elas podem tratar do ser humano (Todos Somos Um), do cosmos (Supernova Eternidade) ou do conceito de felicidade com aquele tom de autoajuda (Segue Vida), mas a maior certeza é que aquele riff executado pelos sintetizadores em Esperança, Vida e Amor é familiar porque é emprestado do Planetshakers pela enésima vez por outros artistas evangélicos.

São nas músicas ditas mais "complexas" que o trabalho fica mais maçante. Não é sereno ou tampouco urgente. Nem a voz de Zé Bruno em Robin Hood pode fazer alguma coisa de interessante perante seu clima insosso. Zé, o Milionário da Graça é um pagode que até não decepciona perto de outras canções como A Luz que, em pleno 2016, ainda faz as clássicas rimas infames de Jesus-luz-conduz. De qualquer forma, Clovis faz o que seria inacreditável. Afinal, o mesmo artista que grava a interessante + Amor por Favor é capaz de apresentar, logo depois, os versos mais manjados possíveis.

Ninguém Explica Deus, a faixa-título, é bem representativa para o álbum. Mesmo não sendo tão desgastante quanto sua versão original, a gravação ganha um excesso de cordas para criar um clima "especial", como disse Clovis em suas redes sociais. São quinze faixas tão heterogêneas mas com a mesma interpretação caricata que, na intenção de impressionar, ainda não explica quem Clovis é. Se ele não respondeu, quem conseguirá esclarecer?

Nota: ★★★☆☆
Ninguém Explica Deus

(CD) 01/16


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Tiago Abreu

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), escreveu para o Super Gospel entre 2011 a 2019. É autor de várias resenhas críticas, artigos, notícias e entrevistas publicadas no portal, incluindo temas de atualidade e historiografia musical.


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