Análises

Ouvimos o primeiro trabalho solo de Deco Rodrigues, baixista do Trazendo a Arca - Acende a Chama. Confira a análise

Tiago Abreu em 07/06/18 1319 visualizações
Depois de mais de 15 anos em trajetória com o Toque no Altar e, depois, o Trazendo a Arca, Deco Rodrigues apresenta Acende a Chama, registro que o estreia não somente na função de baixista pela qual é conhecido, mas como cantor e compositor majoritário. Na banda, Deco é co-autor desde o álbum Restituição (2004), e embora tenha participação na confecção de sucessos como "Marca da Promessa", "Bendito Serás" e "Serás Sempre Deus", nunca assumiu a posição de compositor principal. Luiz Arcanjo e Davi Sacer detinham maior protagonismo e, na saída de Sacer, Ronald Fonseca expandiu sua função na banda. Atualmente, o grupo é um quarteto, o que fez Deco assinar, em Habito no Abrigo (2015), sete canções ao lado de Arcanjo.

Apesar da proposta inédita do baixista como vocalista, Deco não tenta se separar do tipo de som construído ao longo dos anos em outros projetos. Isaac Ramos participa nas guitarras ao lado de André Cavalcante, responsável pela produção de DNA (2017), disco mais recente de Davi Sacer. Ana Nóbrega, que já gravou com Trazendo a Arca duas vezes, canta em O Noivo e a Noiva. E Wagner Derek, produtor musical dos bons Salmos e Cânticos Espirituais (2009) e Español (2014), está novamente em cena e dá os contributos pop rock esperados. A sonoridade do álbum segue a proposta moderna dos últimos trabalhos do produtor, principalmente acerca da influência dos efeitos dos synths na musicalidade.

Ao contrário de Sacer e Arcanjo, que já eram conhecidos pelas suas vozes, Deco tem maior chance de desenvolver um estilo vocal cujas características não o associem ao grupo. Há influências de seus colegas, como Nunca É Tarde Demais, típica música ao estilo do Trazendo a Arca, tanto pelos seus versos, quanto pelos agudos necessários. Nestes trechos do trabalho, é sugerida uma tendência a referenciar Davi e Luiz mas, na prática, Rodrigues tem uma voz suave a qual aproxima-o mais, por exemplo, ao cantor Val Martins. O repertório possui várias canções que poderiam ter sido gravadas pela banda na voz de Deco. Estarei Contigo, melhor faixa, consegue ser direta no discurso de segurança divina e, ao mesmo tempo, possui os elementos poéticos pelos quais o grupo se tornou conhecido.

O disco de Deco é um trabalho equilibrado, que consegue criar climas contemplativos (Maranata) e gerar um clímax nas faixas mais congregacionais (Espírito Santo). O êxito em seu estilo é uma reminiscência dos últimos trabalhos da formação clássica de seu grupo, como Salmos e Cânticos Espirituais (2009) e, nas devidas proporções, soa como um típico álbum do Trazendo a Arca. Acende a Chama dá a Deco a oportunidade de mostrar sua capacidade criativa, e utiliza-se dos mesmos caminhos e colaborações do passado para criar uma sonoridade atual no cenário congregacional.

Avaliação: 3,5/5
Acende a Chama

(CD) 01/18


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Tiago Abreu

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), escreveu para o Super Gospel entre 2011 a 2019. É autor de várias resenhas críticas, artigos, notícias e entrevistas publicadas no portal, incluindo temas de atualidade e historiografia musical.


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