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Ouvimos o trabalho mais recente do grupo Zoe - Nunca Foi Sobre Nós. Confira nossa crítica

Tiago Abreu em 18/05/17 2695 visualizações
Com milhões de execuções da faixa-título no YouTube, é possível afirmar que o Zoe vive o auge de sua carreira artística com o trabalho Nunca Foi Sobre Nós. Nos tempos os quais o cenário congregacional, em termos de bandas, vive um claro momento de crise, é interessante a existência de um grupo de tanto alcance – e que se mantém pela independência fonográfica.

As referências musicais do projeto não são tão contemporâneas. Na produção de Thiago Trolezzi, muito da sonoridade do Zoe pode ser comparado ao som pop rock com influências de rock alternativo que Heloisa Rosa e Lucas Souza faziam no início da carreira, em 2004, nos álbuns Liberta-me e Capturado.

Em termos de letras, alguns dos versos do grupo, escritos majoritariamente por Rogério Garcia e Thamires Garcia, podem ser comparados à obras produzidas por Antônio Cirilo e David Quinlan. Assim, não dá para dissociar o trabalho do Zoe como diretamente influenciado pelo pequeno movimento congregacional de proposta mais íntima e visceral ocorrido nos anos 2000.

Mas engana-se quem acha que a música da banda é uma espécie de pastiche. Há muita propriedade nas composições. A vocalista Thamires Garcia se destaca logo na primeira faixa, Nunca Foi Sobre Nós. Suas interpretações são diretas e disciplinadas. Em Só uma Coisa que Me Satisfaz, sua presença aprofunda o já denso arranjo, que se destaca pelas frases etéreas de guitarra.

A simplicidade de algumas canções, como Estranho, Sem Ninho, faz com que a base instrumental trabalhe mais pelos vazios sonoros. As guitarras de Henrique Custela ganham protagonismo. Mas não há estrelismos: Os teclados de Marcelo Neves, por exemplo, não perdem espaço em músicas como Nos Olhos do Leão.

Os momentos mais fortes do álbum estão nas composições mais ousadas. Tributai, bem cadenciada, é um dos bom números coletivos da cozinha. A Graça e a Verdade, puxada para o rock, se conclui de forma mais intimista, com versos que lembram “Intimidade”, do Santa Geração (A Presença da Glória, 2002), da mesma forma que O Outro Lado do Amor faz, com maior suavidade musical, mesmo com versos fortemente ásperos.

Embora possa-se associar o som do Zoe com artistas como Lucas Souza e Heloisa Rosa, aqui tudo funciona em atmosfera de banda, algo que, atualmente, é pouco comum. Tão sutil e modesto como sua capa e encarte, Nunca Foi Sobre Nós é um disco que conquista justamente pelos seus pequenos detalhes que o tornam notável: Seu tom visceral, a leveza musical e, principalmente, pela proposta temática, estampada em um título intrigante.

Nota: ★★★
Nunca Foi Sobre Nós

(CD) 01/17


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Tiago Abreu

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), escreveu para o Super Gospel entre 2011 a 2019. É autor de várias resenhas críticas, artigos, notícias e entrevistas publicadas no portal, incluindo temas de atualidade e historiografia musical.


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