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Confira nosso bate papo com a cantora Amanda Rodrigues sobre o seu primeiro trabalho - Sobre Ele

Redação em 10/08/16 4543 visualizações

Cantora, compositora e multi-instrumentista, Amanda Rodrigues fez sua estreia como artista solo ano passado. Sobre Ele, lançado em 2015, foi um registro doce, agradável e sobretudo íntimo. Esteve em nossa lista de 25 melhores álbuns da década até agora, publicada em dezembro e certamente está entre um dos detalhes mais marcantes na vida da musicista. Em entrevista ao Super Gospel, Amanda afirma que "Eu acho que o primeiro CD de todo cantor/compositor se trata de um apanhado de canções de toda a vida".


Quem é Amanda Rodigues?
É uma aprendiz da vida com a ótica de Cristo e de Sua Palavra. Eu não sei nada de nada. Estou aprendendo sempre (risos).


Como foi o seu início na área de música?
Eu costumo dizer que a igreja é um ambiente muito musical. E que grandes cantores, até mesmo seculares, tiveram seu início de carreira na igreja. E comigo foi assim também. Meus pais receberam uma profecia de Deus, através de uma irmã da nossa igreja na época. Ela disse que eu era uma menina, teria o dom da música e que através da minha voz muitos seriam abençoados. Assim foi e tem sido. Queria pegar o microfone pra cantar nos cultos a partir dos 3 aninhos (risos). Vendo que eu levava jeito minha mãe me inscreveu em aulas de piano quando eu tinha oito. Com 11 eu arrumei um violão fruto de um troca com minha tia, e meu pai me ensinou os poucos acordes que sabia. Eu fui aprendendo sozinha usando cifras e dicas de colegas da igreja. Com 15 anos eu comecei a fazer parte mais ativamente do ministério de música da minha igreja local, onde estou até hoje. Mas foi com 22 que o Senhor começou a me incomodar pra pôr pra fora as canções que Ele vinha me entregando desde os 13. Deste "incômodo" nasceu o Sobre Ele (risos).


O que mais marcou você durante a gravação do seu primeiro álbum?
Muito difícil dizer o que mais me marcou. Gravei meu primeiro CD em Dallas, nos Estados Unidos, ao lado de duas das minhas maiores referências musicais: Jimmy Needham e Samuel Mizrahy... Tudo foi incrível, do início ao fim. Mas posso destacar duas coisas. Esperava que seria recebida com muitos "narizes em pé" por serem americanos e eu sul-americana. Mas que nada... Tive uma conexão incrível com o Will Hunt, o cabeça do projeto. Fizemos uma amizade de cara. E... muitas das canções que eu escrevi falavam sobre como era difícil esperar a promessa de Deus se cumprir (porque havia uma promessa desde o ventre...) Cantar a respeito da demora do cumprimento da promessa vivendo a promessa foi muito louco! Deus me ensinou muito...


Como você conheceu e como foi a experiência de ser produzida pelo Jimmy Needham?
Eu estava navegando de bobeira no site dele quando vi um anúncio de um programa chamado "Good To Great". Tinha um vídeo, e nele o Jimmy narrava que ele queria ajudar novos compositores a aprimorarem suas habilidades com cinco aulas de composição. Eu achei interessante, paguei e fiquei aguardando. Eu não sabia, mas a aula era em tempo real com ele via Skype. Ele rasgou elogios pra minha música e basicamente disse que eu não precisava das aulas dele. Foi incrível!
Ele é a maior referência musical que eu tenho. Aquele pra quem eu aponto e digo: "Quero ser que nem ele quando eu crescer". Ele participou mais nos primeiros dias do projeto. Na pré produção. Depois disso o Will assumiu. A experiência não poderia ter sido melhor. Ele é uma pessoa e um artista incrível!


Qual o estilo e a sonoridade do disco? E quanto às canções? Como foi o processo de seleção do repertório?
Eu não sou expert em definir muito o estilo e a sonoridade das coisas e nem do meu próprio disco (risos). Mas eu diria que o estilo ficou entre o folk, pop, MPB... e a sonoridade bem mais pro pop, folk com algumas pitadas de soul... por aí... Eu acho que o primeiro CD de todo cantor/compositor se trata de um apanhado de canções de toda a vida. Eu tinha músicas escritas aos meus 15 anos de idade, e algumas de semanas atrás. A seleção do repertório foi todo à distância. Eu mandei tudo o que eu tinha pro Will com tradução e nós fomos ouvindo e ponderando juntos trocando milhares de e-mails. Eu fiquei muito aberta às sugestões dele e o ouvi muito nesse processo. Tinha canções que eu já ministrava nas igrejas e que não entraram no repertório. Com tudo já definido, há mais ou menos 4 dias da viagem, eu escrevo Sobre Ele, fico enlouquecida (risos). E ela não só entra no repertório como passa a ser a música tema do disco.


Qual ou quais músicas você destaca neste trabalho?
"Sobre Ele", "Por Tudo o que És" e "Refúgio (Shelter)"


Qual (is) canção (ões) o público tem se identificado mais? E porque essa identificação ocorre?
"Faz a Tua Paz Reinar", "Sobre Ele" e "Mais". Eu não sei ao certo, mas vou dar meus palpites (risos).
"Faz a Tua Paz Reinar" fala de um desejo de que uma paz que excede o entendimento invada o ser cheio de dúvidas, pressões, ansiedades e etc. Em dias tão complicados, corridos e agitados... é o que muitos desejam. Em meio às tempestades da vida e aos furacões ter dentro de si essa paz que só Cristo dá. É fácil de falar, mas difícil de viver.
"Sobre Ele" confronta-nos como cristãos em muitos aspectos. Nos convida à uma reflexão sincera à respeito do quanto nos afastamos da essência genuína e pura de Jesus. Acredito que hoje em dia há um número considerável de cristãos ansiosos e ardendo por uma "reforma" destes valores que foram se perdendo pelo caminho.
"Mais" é a música romântica do CD e acho que é fácil entender a identificação (risos). Muitos apaixonados por aí.


Qual a sua opinião em relação ao mercado de distribuição digital e novas formas de consumo de música através do streaming, como por exemplo o Deezer e Spotify?
Eu acho incrível do ponto de vista da acessibilidade, da facilidade e das possibilidades que isto trouxe. Como consumidora de música, eu acho maravilhoso o fato de eu poder conhecer artistas tão incríveis ao toque de um dedo. Artistas que eu nunca conheceria sem estes meios de distribuição digital. Por outro lado, não é tão incrível quanto à remuneração repassada aos artistas. Eles poderiam melhorar isto. No final do dia uma música que custou mais de dois mil reais para ser produzida é vendida mais barata do que seu cafézinho no fim da tarde (risos).


Ano passado você, junto com mais 7 artistas, fez parte do lançamento do selo digital da Universal Music. Recentemente, você solicitou a saída do projeto e está seguindo de forma independente. Poderia comentar os motivos dessa decisão?
Em síntese, eu comecei a sentir que o custo-benefício desta parceria não estava valendo a pena pra mim. Mas sou muito grata à Renata e à equipe da UMCG pela oportunidade e por tudo.


Em que consiste o seminário "Novos ares da música cristã?"
Este seminário é algo que ainda estou desenvolvendo. Talvez ele mude até de nome. Há muitos anos eu tenho alguns conceitos em mente a respeito dos temas que eu trato neste seminário. E tenho desejo de compartilhar. Mas ele tomou forma e saiu do papel quando eu fui convidada pelo pessoal do "Ide Missões e Arte" pra ser professora da turma de música de um seminário de artes promovido por eles. Eu falo basicamente a respeito de como a música cristã pode ser feita fora da nossa "caixinha gospel" que criamos (risos). E de como esta música cristã tem um papel a ser desempenhado não somente no único contexto que a usamos hoje, no da congregação, como louvor e adoração em nossos cultos de celebração. Mas também em outros contextos que ignoramos como a nossa vida diária.
Os tópicos são: A arte como poder de influência; a arte inspirada pelo Espírito Santo; música cristã além da congregação; existe vida além do óbvio. Mas ele está em constante alteração, porque eu estou em constante aprendizado.


A cada dia vemos crescer o uso de meios eletrônicos, como o Twitter, Facebook, YouTube, entre outros, para divulgação do trabalho. O que você acha dessas novas opções de mídia?

Eu acho excelente. Creio que o surgimento de todas estas redes foi o que possibilitou o artista a não depender de grandes companhias para mostrar seu trabalho. O que eu amo a respeito destas redes é a proximidade que temos com as pessoas que ouvem nossa música. Amo ouvir as histórias e os testemunhos de cada pessoa. 


De tudo o que foi dito aqui, que outra informação você gostaria que soubessem a seu respeito?
Que eu estou sonhando, pensando e orando pelo meu segundo CD. E que quero que ele saia no ano que vem.


Poderia deixar um recado para nossos leitores?
Seja quem Deus quer que você seja. Busque a Deus. Siga a Ele.


Quais são os seus projetos para o segundo semestre de 2016?
Quero começar a compor bastante para o ano que vem e continuar trabalhando o Sobre Ele.

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