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Leonardo Gonçalves - Discografia comentada

Tiago Abreu em 24/06/16 2692 visualizações

Imagem: Lucas Motta

Após anunciar pausa na carreira este ano, Leonardo Gonçalves deu um passo completamente oposto do qual vários artistas, na história da música, tomaram. Mas o músico pernambucano ficou conhecido pela ousadia e a luta contra a mediocridade musical. Em palavras distribuídas nas mais diversas entrevistas dadas pelo cantor, seu trabalho emerge de seu senso estético sem pensar se o público, de fato, conseguirá "consumir". Para Leonardo, um intérprete nunca deve subestimar seu público e a melhor forma, para isso, é ser transparente em seu trabalho.

E, de fato, em cerca de quinze anos em trajetória solo, Gonçalves mostrou-se cumpridor de suas palavras. Sua discografia remete bem a noção de um cantor em construção – embora, desde o início, com várias habilidades – e que conseguiu, ao longo dos anos, sobrepor limites e alcançar maturidade e identidade musical e vocal. No momento, sem a menor dúvida, ainda é complicado definir a força e representatividade que Leonardo tem nesta década. Porém, da mesma forma, algumas pistas de seu legado são entregues a nós: Sua chegada ao mainstream não foi um recurso de marketing. É algo certamente orgânico.


Poemas e Canções (2002): Uma gravação que iniciou em 2000, de um disco lançado em 2002, Poemas e Canções é o início da trajetória de Leonardo como artista solo. Em 2001, participou do álbum O Melhor Lugar do Mundo, do Novo Tom e, aqui, brilha sozinho. Num processo de autoafirmação, Leonardo busca provar sua versatilidade. O disco tem pop com influências do gospel ("Getsêmani"), bossa ("O Amor Vai Compreender") e baladas ("Presente de Deus"). Mas o tom clássico nas cordas orquestradas pelo produtor Williams Costa Jr., tio do artista, é o que condensa e dá homogeneidade na obra. Leonardo, nesta prova de independência, dá perfis diferenciados para cada canção. Se isso prejudica a personalidade no projeto, ainda não é suficiente para qualquer ouvinte negar de que se trata de uma boa estreia. (análise)

Nota★★★★☆

Ouça: Somente Seu, Senhor, Getsêmani e Poemas e Canções


Viver e Cantar (2007): A menos que seja considerado uma grande ousadia, Viver e Cantar é o registro mais "transitório" de Leonardo. Lançado em formato duplo que, em algumas edições, somou um DVD de bastidores, também foi incluso um playback (assim como em Poemas e Canções). Representado pela tentativa de perpetuar as habilidades demonstradas em seu primeiro projeto, Leonardo não consegue surpreender. No entanto, a grande "evolução" nesta obra é que o cantor finalmente se encaminha para uma identidade vocal estabecida. Suas interpretações em canções de destaque como "Ele Vive" e "Livre, Enfim" garantem o tom intimista que lhe dá força nos anos seguintes. É aqui que Leonardo Gonçalves se torna conhecido entre o grande público e indicado ao Troféu Talento. Neste trabalho, o músico não inventa a roda, mas certamente se sairia melhor se estivesse dotado de um maior poder de síntese, ou seja, com um repertório reduzido. (análise)

Nota★★★☆☆

Ouça: Moriá, Ele Vive, Livre Sou e Livre, Enfim


Avinu Malkenu (2010): Considerado pelo próprio cantor um projeto paralelo, seu terceiro álbum se encaixa diretamente com a ascendência judaica de Leonardo Gonçalves. No encarte do disco, além de explicitar o conceito da obra, o artista conta que descobriu suas origens "por acaso" em 2002. Assim, o registro, gravado em hebraico (com uma faixa em aramaico) é fruto de pesquisas e aprendizados do intérprete gerados em viagens à Israel. Em termos de som, está muito próximo de Viver e Cantar. No entanto, mais intimista e bem conduzido pela produção de Edson Nunes Jr., além da regência do colaborador de longa data na, Williams Costa Jr, Gonçalves propõe "diálogo" e uma comunicação mais efetiva, em um mundo cuja arte pode promovê-la. Pela sinceridade e cuidado nos arranjos, mesmo em sua proposta diferenciada, é facilmente o disco mais íntimo do cantor.

Nota★★★★☆

Ouça: Todo o álbum


Princípio e Fim (2012): Disco em que tudo se encontra em harmonia. Leonardo Gonçalves finalmente consegue fazer uma síntese de suas múltiplas influências e é um num projeto pop bem condensado. Também conceitual, Princípio e Fim fala do Reino vindouro e presente, temática que lhe dá ampla liberdade. Os arranjos de cordas, gravados na República Tcheca, são límpidos e acrescentam muito a um disco que, de todas suas características, se destaca pela qualidade da gravação. "jamais", neste sentido, é de beleza impagável. Entre uma potencial canção radiofônica ("novo"), Leonardo também faz reflexões através das letras de Tiago Arrais ("bondade") e Felipe Valente ("Princípio e Fim"). Mas "sublime", composição de Daniela Araújo, que consegue explorar os anseios humanos da paz eterna dentro de um mundo conturbado e caótico, diz muito sobre os humanos desta década. Atual, este projeto over-the-top é um dos discos definitivos de toda a história da música cristã nacional.

Nota★★★★★

Ouça: Todo o álbum


Princípio (2014): Nos comentários presentes na versão em DVD, Leonardo dava "pistas" de sua pausa anunciada em 2016. Ao falar da cultura do selfie, das dificuldades de comunicação, a exposição, o músico trazia, novamente, a contemporaneidade juntamente para temas atemporais do cristianismo. Princípio, em certo ponto, faz o mesmo com sua carreira nesta obra – Gonçalves usa o dito plano de redenção para condensar sua obra musical. O grande pró deste álbum é que esta síntese é feita com uma produção musical que consegue entender a ambientação ao vivo. Ao invés de orquestras e muitos instrumentos, ele se volta para o básico, e reinventa grande parte de suas músicas. Destaque para o brilho que "sublime" alcança na nova performance. O cantor, musicalmente e artisticamente falando, está confortável e consegue passar vários aspectos de sua persona: O intérprete, o acadêmico e o familiar. (análise)

Nota: ★★★★

Ouça: sublime, mente e coração, na grandeza e there


Ressurreição: Inspiracional (2016): Preparadas para serem parte da trilha-sonora do filme Ressureição (Sony, 2016), "Ele Vive" e "Getsêmani" foram regravadas na vibe pop recente de Leonardo. Mesmo com a inversão na tracklist, é óbvio afirmar que as canções se complementam em temática e arranjo. Leonardo e seu tecladista Samuel Silva, responsáveis pela produção musical, evidenciam a maturidade sonora e vocal do cantor. Certamente estas versões podem não ser preferíveis por quem está acostumado com as originais, mas há de considerar que ele, nestas gravações, está em sua melhor fase. Ressurreição: Inspiracional, consequentemente, faz valer do artista que Leonardo Gonçalves se tornou até aqui. (análise)

Nota★★★★☆

Ouça: Getsêmani e Ele Vive

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Tiago Abreu

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), escreveu para o Super Gospel entre 2011 a 2019. É autor de várias resenhas críticas, artigos, notícias e entrevistas publicadas no portal, incluindo temas de atualidade e historiografia musical.


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