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Ouvimos o disco ao vivo do João Alexandre. Confira nossos comentários

Roberto Azevedo em 14/10/15 2364 visualizações
João Alexandre lançou no final de 2010 o seu primeiro DVD. Dois Tempos foi gravado na Universidade Metodista de São Paulo. O evento foi uma iniciativa do Núcleo de Artes – Nartes, em parceria com a Diretoria de Comunicação - DICOM, Estúdio de Rádio e TV e apoio da Faculdade de Teologia, FaTeo.

A gravação ocorreu no auditório do Anfiteatro Sigma, campus Rudge Ramos da Metodista, com “casa cheia” nas duas noites. A gravação de quinta-feira foi reservada aos(as) convidados(as), dentre os quais parentes, amigos(as) e muitos artistas da música cristã, como Glauber Plaça e integrantes do grupo Vencedores por Cristo. A noite de sexta foi aberta ao público em geral. O ingresso foi uma lata de leite em pó, que foi doada ao Projeto Agente Social da Associação dos Funcionários Técnico-Administrativos do IMS – AFTAIMS.

Em 2013, o cantor lançou uma versão em CD desta gravação, contendo várias das canções que foram apresentadas no DVD.

“Entre o bem e o mal, que distância haverá?” O registro inicia com a pegada jazzística de Coração. O hino fez parte de “Simplesmente João”, que foi o primeiro cd dele pela Gospel Records, lançado em 1991. A música também foi gravada por Leonardo Gonçalves no seu primeiro trabalho – “Poemas e canções”.

“Você que pensa que vale todo o dinheiro que tem / Sem Deus você vale nada e mais que nada é ninguém / É como o fim de uma estrada no pesadelo de alguém”. Um violão, minuciosamente dedilhado, conduz os provérbios de Fim de todos nós. A versão original gravada em 1999 no disco “Acústico” tinha como destaque a participação do pandeirista Chiquinho.

O hino tradicional Tu És fiel confirma toda virtuosidade dele como músico e interprete. O hino é entoado com uma condução harmônica diferente para cada estrofe. Detalhe: Cada harmonia mais “torta” que a outra.

A seguir temos a pegada bluesística de Você pode ter, de autoria do saudoso Sérgio Pimenta. Versa sobre a “paz que excede todo o entendimento”. Detalhe para as “respostas” do violão preenchendo os espaços do arranjo.

Você pode ter ido em diversas cerimônias de casamento e com certeza em pelo menos uma delas foi cantada ou tocada a música Essência de Deus. Sendo assim, essa dispensa maiores comentários.

"Cada pessoa seu preço certo há de ter" Em 2002 foi lançado “Voz, violão e algo mais”. Desse CD, temos o baião Deixa que eu deixo, que é uma reflexão social sobre dinheiro e corrupção.

Dissertando sobre o país, João descreve o Brasil em verso e prosa com Pra cima Brasil. Gravada no disco homônimo em 1990 pelo Milad, essa virou hit nas igrejas e até fora delas. Tem uma letra bonita que versa sobre críticas sociais e explicitam o repúdio de um cidadão inconformado e preocupado com o futuro da nação. No final um medley com “Hino a Bandeira” e “Muito mais”.

“Quero cantar o que eu vivo. Quero viver o que eu canto” Viver e cantar possui outra letra confrontante e reflexiva. A música também intitulou o segundo trabalho de Leonardo Gonçalves. “Que meu canto seja a voz de Deus por onde eu for, verdadeiro e transparente como o seu amor”.

“Voz, violão e algo mais” trouxe letras sérias, verdadeiras e comprometidas com o momento atual da igreja de Cristo. Agora em 2015, mais de uma década depois de serem gravadas, Coração de pedra e Tudo é vaidade continuam atuais.

Coração de Pedra é swingada e João ainda arrisca um flerte com o hip hop.

“Vaidade no comprimento da saia, no cumprimento da lei / Vaidade exigindo prosperidade por ser o filho do Rei” Tudo é vaidade dispara contra os “estereótipos” do cristianismo e de quebra ainda incrementa um trecho de "Palácios", uma das canções mais conhecidas da banda Rebanhão.

Em 1996 ele lançou “Voz e violão”, gravação que é considerada, pelos ouvidos mais exigentes, como um das melhores gravações feitas por João. Representando este repertório, temos o blues Louco, que trata sobre as consequências de uma vida de iniquidade de maneira poética e criativa.

É proibido pensar foi tema título do disco lançado em 2007. A música gerou diversas polêmicas por causa da letra. Se percebermos bem, a música foi feita não como uma crítica, mas como um alerta para a infertilidade do pensamento cristão que tem sido observado no excesso de repetições de temas na música gospel nacional.

Trata também de forma bem sutil da comercialização do evangelho e o que isso tem causado no nosso meio. A questão levantada na letra são alguns erros doutrinários e não o fato dele gostar ou não de determinado ministério. Polêmicas a parte, musicalmente falando, tem uma pegada contagiante. Excelente!

Quem sou eu é uma das composições mais recentes dele. Foi lançada em 2009 no CD “Do outro lado do mar”. Versa sobre dependência de Deus de uma forma que só ele mesmo pra fazer.

João brasileiro fecha o set list confirmando porque, apesar de cristão, João é muito respeitado e elogiado por músicos do porte de Hélio Delmiro, Rique Pantoja, Oswaldinho do Acordeon, Serginho do grupo Roupa Nova, a cantora Wanda Sá e muitos outros grandes e desconhecidos músicos cristãos e seculares, que além de amigos e irmãos, têm dado uma enorme força ao seu trabalho com suas críticas e experiências.
João Alexandre ao vivo

(CD) 10/13


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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo é cristão e membro da Comunidade Evangélica Betel (RJ). É militar e curte música, filmes e games (não necessariamente nesta ordem). É o principal colaborador do SuperGospel desde 2005.


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