Análises

Ouvimos o trabalho mais recente do Voz da Verdade - Até Aqui eu Cheguei. Confira nossa análise

Tiago Abreu em 22/12/18 2049 visualizações
Contrariando a tendência de enxugamento pop rock demonstrada em Heróis (2014), a banda Voz da Verdade escancara suas pretensões retrô em Até Aqui eu Cheguei. A obra parece levar extremamente a sério a expressão "voltar ao passado", afinal o projeto gráfico não é condizente com os anos atuais e os trabalhos técnicos dificilmente sugerirem que o registro trata-se de uma banda em atividade há 40 anos. A faixa-título, na voz do vocalista e líder Carlos A. Moyses, é uma declaração de força e continuidade na mesma estrutura temática de algumas canções grandiosas do grupo, como "Ainda Estou Aqui", com a diferença de que, desta vez, é com menos elegância. O refrão "Não vou parar / Eu vou chegar" é dotado de uma apatia lírica na qual se observa em todo o projeto.

O novo disco do Voz da Verdade tem todos os elementos marcantes na história da banda, desde a grandiosidade dos arranjos de cordas e metais, até a superficialidade em suas declarações, inclusive quando tenta simular o seu passado. Carlos é autor de Alimento, escorada na estrutura do hit "Pra quê?", de seu filho Samuel Moyses. E Samuel, de certa forma, completa a relação com O Grande Rio, que empresta o estilo de composições de seu pai, como "A Carta". A vocalista Cristiane Moyses desliza em O Médico e as Feridas, canção de riffs quentes de guitarra, mas com timbres secos de bateria que perpassam por todo o álbum. Há canções cuja essência se define como faixas em construção, como Cantarei ao Senhor Enquanto Viver e Proteção, seja pela execução instrumental incolor ou pela construção apressada de seus versos.

O ponto menos irregular do álbum é Olhando para o Céu, composição de Carlos A. Moyses dotada de uma sensibilidade poética bem transmitida na voz de Samuel. Mas, apesar da beleza, sua letra é repetida em diferentes tons até conseguir desvirtuar todos os seus méritos. Poucos versos explorados exaustivamente é uma regra explorada de forma desgastante em Até Aqui eu Cheguei. A regravação em inglês do sucesso "O Escudo", aqui nomeado The Shield, é muito simbólica para o atual nível de força das composições do Voz da Verdade, porque é a única música que cumpre com justiça o legado de quatro décadas de um grupo que, no passado, impactou a música cristã, mas parece estar andando em círculos com o passar dos tempos.

Avaliação: 2/5
Até Aqui eu Cheguei

(CD) 01/18


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Tiago Abreu

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), escreveu para o Super Gospel entre 2011 a 2019. É autor de várias resenhas críticas, artigos, notícias e entrevistas publicadas no portal, incluindo temas de atualidade e historiografia musical.


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