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Analisamos Entre a Fé e a Razão, novo cd do Trazendo a Arca - Leia nossa resenha

Jonas Paulo Ferreira da Silva em 30/03/11 13955 visualizações
Muito difícil um trabalho com tônica congregacional conseguir manter uma sonoridade com pegada de banda, mas essa foi a minha impressão ao ouvir o disco novo do Trazendo a Arca.

Parece que se trata de uma banda que faz música para o canto da Igreja sem se dobrar a simplesmente repetir as formuletas de rima “Jesus-cruz/Jesus-luz/Jesus-conduz” e nem nos gastos moldes de canção Gospel que temos aí em termos de composição e de arranjos.

Há riffs, há convenções bem inusitadas explorando bem o time instrumental que tanto e de tantos ângulos se vê no encarte do disco.

O trabalho está soando muito bem e nele podemos observar que o cancionista Luiz Arcanjo é muito mais interessante do que seus imitadores, que acham que nos primeiros trabalhos do Ministério Apascentar ele apresentou uma fórmula que daria conta de resolver todos os problemas de “falta de ideia musical”.

No disco, seu nome não aparece nos créditos de apenas uma canção (Vale a Pena), que aliás conta com uma introdução de cordas muito bonita se tomada isoladamente mas que aparece ser bastante alheia a canção que quer introduzir. A intro é idílica, tem um sabor brasileiro que parece prenunciar a canção não musicalmente, mas “tematicamente”. Coisa de sonho. As cordas seguem abrilhantando a canção mais clichê do disco. Nem chega a ser ponto negativo!

Nosso Deus precisa ser executada em todas as rádios do País pra mostrar como se caminhou em maturidade na MCC. É surpreendente! Modula, e enche a letra de nuances afastando aquela chatice de velhos modelos de música de ministério que ficavam subindo de meio em meio tom pra empolgar o pessoal... Um belo solo de guitarra e vocais poderosos. Um clássico!

A faixa-título (Entre a Fé a Razão) é interessante e vai seguindo esta tendência de canções com personagens bíblicos que pessoalmente já me cansaram até pela overdose de Zaqueu que tivemos nos últimos anos... A vantagem é que a canção tem composição bem melhor articulada do que o hit parade! Inclusive com uma teologia menos manca. Uma coisa bonita é que a canção nos lembra que não só Abraão topou sacrificar, mas Isaque se deitou e teria sangrado não fosse o Anjo! A canção me tocou.

O encadeamento no disco da faixa título com a canção Desceu é perfeito e seria leviano supor que isto foi acidental. Aqui parabenizo! Fazer disco é isso aí e não simplesmente juntar canções, gravar e prensar! Um Álbum (assim com “A” maiúsculo) conta uma história, e isto começa no projeto gráfico passa pelo repertório e termina quando a interpretação chega ao ouvinte. O álbum do Trazendo a Arca faz isso lindamente! Não é uma surpresa: os responsáveis pelo projeto são figuras que estão se estabelecendo como salmistas da geração.

Uma produção muito equilibrada de Ronald Fonseca. Tecnicamente o álbum é muito bom. Uma mix balanceada e uma masterização que escorrega pouco permitindo que se ouça grande parte da dinâmica proposta nas interpretações.

Alguns arranjos de cordas são autônomos demais (como a Intro comentada) – lindos, mas não levam muito em conta a canção que estão vestindo propondo quase que só efeitos. O repertório é bom e só duas canções destoam em qualidade no quadro geral. Compre o seu e veja se concorda ou discorda! Certamente você não se arrependerá da compra.
Entre a Fé e a Razão

(CD) 12/10


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