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Trazendo a Arca - discografia comentada

Redação em 26/05/17 1481 visualizações

Há dez anos, os sete integrantes que fundaram o Trazendo a Arca viviam um período turbulento. A cisão do antigo Toque no Altar, os entraves judiciais e as críticas de líderes evangélicos davam sinais do que Davi Sacer diria, em 2008, que se tratava do "lado obscuro dos evangélicos". Dez anos depois, são águas passadas. Com milhões de cópias comercializadas e com vários discos lançados, Luiz Arcanjo, Deco Rodrigues, André Mattos e Isaac Ramos, hoje, possuem uma carreira estabelecida e hits no cenário evangélico.

Em uma década, a banda se manteve no cenário congregacional pelo o qual ficou conhecida. No entanto, abriu seu leque de composições e projetos, abordando gêneros pouco comuns para o louvor das igrejas, além de reflexões sobre a vida cristã. Desta forma, o Trazendo a Arca foi uma das poucas bandas, no cenário evangélico, que conseguiu abraçar o mainstream e, mesmo assim, não se conformou com seu status, ao buscar, em vários discos, atualizar sua imagem e discurso.


Marca da Promessa (2007): Quando o Toque no Altar lançou Olha pra Mim, em 2006, estabeleceu de vez Ronald Fonseca, Deco Rodrigues e, especialmente, Luiz Arcanjo e Davi Sacer como as forças criativas, em termos de composição, da banda. O primeiro álbum com o nome Trazendo a Arca repete as parcerias, sob um molde mais pop, ao ser comparado com o anterior. Algumas músicas também são mais pessoais, mas não se distanciam do que os músicos faziam nos anos anteriores. Fonseca, como produtor musical e arranjador, é sustentado com um bom entrosamento da banda, especialmente em aspectos vocais. Verônica Sacer ganha mais liberdade e abrilhanta em duetos como "Desperta-me". (leia também a análise)

Nota: ★★★★☆

Ouça: Na Corte do Egito, Marca da Promessa e Sobre as Águas


Ao Vivo no Japão (2007): Os conflitos judiciais geravam especulações de que os membros do Trazendo a Arca não podiam tocar as canções do antigo repertório em shows. Mas, em setembro de 2007, eles provaram com uma série de regravações, de que as canções de suas propriedades continuavam a pairar no cenário musical. Um dos registros mais orgânicos da banda, Ao Vivo no Japão diminui a "pompa" do grupo fluminense ao reduzir a quantidade de músicos, mas facilita para que os integrantes brilhem mais. Ronald Fonseca, Deco Rodrigues, Isaac Ramos e André Mattos funcionam muito bem num repertório conhecido, incluindo a inédita "Me Rendo", um dos registros mais congregacionais já feitos pelo grupo. (leia também a análise)

Nota: ★★★★☆

Ouça: Abertura, Me Rendo e Bendito Serás


Pra Tocar no Manto (2009): Toda banda e artista vive aquele momento de lançar um disco "mais maduro". Estes discos, por vezes, dividem opiniões e, ao mesmo tempo, são divisores de águas em uma carreira. No caso do Trazendo a Arca, Pra Tocar no Manto dava início a um período de experimentações e novas concepções líricas. Com a participação majoritária do vocalista Luiz Arcanjo e num momento mais tranquilo do grupo, o disco promove uma série de reflexões sobre a dor ("Semeando com Lágrimas"), crises existenciais ("Quem É Você"), o reconhecimento da soberania divina ("Serás Sempre Deus") e, especialmente, a autossuficiência humana ("Perdoa"). Musicalmente, a produção de Ronald traz a banda mais corajosa. Além do costumeiro pop rock, o disco ainda traz lampejos de power pop, rock experimental e jazz. O álbum, de certa forma, inicia uma trilogia na discografia da banda, com discos de propostas líricas e sonoras mais complexas, sem tanta preocupação com a aceitação comercial nas igrejas. O projeto gráfico de David Cerqueira contou, curiosamente, com fotografias de Marcel Compan, ex-Toque no Altar. (leia também a análise)

Nota: ★★★★☆

Ouça: Yeshua, Serás Sempre Deus e Quem É Você


Salmos e Cânticos Espirituais (2009): Se Pra Tocar no Manto é um "filho" de Luiz Arcanjo, Salmos e Cânticos Espirituais não existiria sem a iniciativa de Davi Sacer. Um lado experimental do cantor, consiste num esforço coletivo que, musicalmente, é ainda mais variado que o anterior. Ronald divide a produção com Wagner Derek. Texturas pop e versos introspectivos se alternam em um repertório que conta com a participação de Jamba na co-autoria de "Nosso Deus É Santo", "Contigo Habitarei" e na percussiva "Te Busco Ansiosamente". "Aquele que Habita", única composição externa, é um soul com direito a um piano rhodes. Verônica Sacer canta individualmente pela primeira vez e Isaac Ramos brilha como guitarrista ("Reina o Senhor" e "Se não Fosse o Senhor"). E "Me Levanta com Tua Destra", escrita por Fonseca, é uma das composições e interpretações mais brilhantes de toda a banda, e é a despedida certeira do vocalista Davi Sacer. Como um registro que dá roupagem moderna ao livro de Salmos, o projeto conceitual do Trazendo a Arca não desaponta. (leia também a análise)

Nota: ★★★★☆

Ouça: Por que Te Abates (Salmo 42), Aquele que Habita (Salmo 46) e Me Levanta com Tua Destra (Salmo 32)


Entre a Fé e a Razão (2010): Apesar da saída de dois integrantes, Entre a Fé a Razão não difere de seus anteriores. Fonseca, como produtor, estrutura as canções de Entre a Fé e a Razão em um molde mais congregacional, mas ainda mantém as extravagâncias de Pra Tocar no Manto e Salmos e Cânticos Espirituais. Os riffs de baixo criativos de Deco Rodrigues em "Quando a Nuvem Move", o arranjo jazzy de "Sobre a Terra" e até os sintetizadores em canções pop rock, como em "Grande Deus", são sinais desta liberdade. O disco também é mais pesado, as guitarras de Isaac Ramos ganham maior importância, e Luiz Arcanjo mantém certo tom de serenidade nas interpretações. Entre a Fé e a Razão foi um disco muito importante para o Trazendo a Arca: Além de ser o trabalho mais vendido do grupo desde Marca da Promessa, marcou o fim de uma espécie de trilogia, caracterizada por canções nem sempre tão focadas no repertório congregacional e que garantiam novos horizontes para o então quinteto. (leia também a análise)

Nota: ★★★★☆

Ouça: Sobre a Terra, Nosso Deus e  Entre a Fé e a Razão


Live in Orlando (2011): Se o tom congregacional não era suficiente nos discos anteriores, Live in Orlando uniu o repertório de Pra Tocar no Manto, Salmos e Cânticos Espirituais e Entre a Fé e a Razão em uma gravação de igreja. Um coral de 200 vozes enriquece faixas como "Invoca-me" e "Nosso Deus é Santo". Contrariando a lógica blockbuster do show que rendeu o DVD Ao Vivo no Maracanãzinho, o segundo projeto em vídeo do Trazendo a Arca, também lançado em CD, se valeu do cenário e da condução intimista das canções. Desta forma, os grandes triunfos estão em "Casa do Oleiro", "Cruz" e, principalmente, em "O Nardo". Encarado de forma elegante, o disco dá respaldo a todo o seu conceito internacional. (leia também a análise)

Nota: ★★★

Ouça: Santo, Invoca-me e O Nardo


Na Casa dos Profetas (2012): Com a saída de Ronald Fonseca, o Trazendo a Arca assina, coletivamente, a produção de Na Casa dos Profetas. Mas quem parece dirigir a condução dos arranjos de Fonseca é o músico Jamba, responsável pela execução dos instrumentos de anterior responsabilidade do ex-tecladista. Assumindo, com maior força, o peso que o anterior Entre a Fé e a Razão apresentava, o disco da banda de 2012 apresenta até influências de rock. Faixas como "Celebrai", "Fala Comigo" e "Magnífico Deus" dão espaço relativamente inédito ao guitarrista Isaac Ramos, enquanto o baterista André Mattos traz frases impressionantes em "Kabod". Mas a banda nunca pareceu tão perdida em termos de produção musical. A sonoridade muito crua e a falta de um engenheiro de som experiente deixou o trabalho, com potencial no repertório, ao posto de obra mais renegada na discografia da banda. Lançado pela CanZion, o projeto falhou também pelos seus erros de prensagem. Se não fosse pelas falhas de produção, o álbum certamente seria encarado de forma mais positiva pelo público. (leia também a análise)

Nota: ★★☆☆☆

Ouça: Kabod, Fala Comigo e A Bênção de José


Español (2014): Aproveitando-se do repertório lançado até Salmos e Cânticos Espirituais, o Trazendo a Arca faz uma seleção inteligente e responsável no seu primeiro disco sem faixas em português. Ao escolher as faixas de maior destaque em sua carreira, a banda incrementa novas ideias de arranjo, mesmo para as faixas mais recentes. Uma das poucas exceções que não acrescenta em relação a original é "Señor y rey", cuja gravação do álbum Olha pra Mim é definitivamente insuperável. Em outros casos, como "Serás sempre Dios", "El suelo va a temblar" e "Renuncio", a banda passeia por sua história e, dentro de sua própria nostalgia, exerce a experiência. (leia também a análise)

Nota: ★★★★☆

Ouça: Serás sempre Dios, Renuncio e El suelo va a temblar


Habito no Abrigo (2015): Embora durante a maior parte da carreira o repertório do Trazendo a Arca tenha inserido elementos novos em sua música, em Habito no Abrigo o caminho é o contrário. A banda nunca olhou tanto para trás. Na musicalidade, apenas as três primeiras músicas indicam experimentações: "Até que os Reinos" parece puxar influências de bandas australianas como o Planetshakers e "Batizará" tem toda dinâmica de balada que caracteriza a identidade do quarteto. Mas o restante do repertório lembra os tempos de Olha pra Mim e Marca da Promessa: É impossível não associar "Adorai" como uma continuação de "Senhor e Rei", ou traçar uma ligação dos arranjos de "Minhas Fontes Estão em Ti" com "Dizem" e "Ministração" com alguns trechos do CD/DVD Live in Orlando. Ainda, assim, a produção de Kleyton Martins supera os problemas técnicos que a banda enfrentou em Na Casa dos Profetas. (leia também a análise)

Nota: ★★★☆☆

Ouça: Adorai, O Senhor É Bom e Estações

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